fevereiro 2018

Errar o Caminho Pode Ser Fatal

O último dia de provas dos Jogos Olímpicos de inverno de Pyeongchang (2018), na Coréia do Sul, ficou marcado por um acontecimento inusitado, após o final da prova de esqui cross-country feminina (30km), a sueca Stina Nilsson levou muito tempo para acreditar que havia ficado em terceiro lugar e com a medalha de bronze.

Seu espanto foi porque nos metros finais, pouco antes da última curva do circuito, ela sabia que era a quarta colocada, pois havia três concorrentes à sua frente. Pouco depois de completar a prova recebeu a notícia de que era a terceira colocada. Disse que havia algo errado, pois tinha certeza de que chegara em quarto lugar. Foi então que disseram que a competidora à sua frente, que estava em terceiro lugar, na última curva do trajeto, tomara um caminho errado e se perdera, não completando a prova antes dela.

Quando ouvi a notícia pensei que o mesmo pode acontecer conosco na jornada cristã. Podemos ser fieis a Deus durante a maior parte de nossa vida e “errarmos o caminho” perto do final. Embora a graça divina seja algo incomparável e incompreensível, podemos colocar tudo a perder de uma hora para outra.

É vital que cuidemos diariamente, em todos os momentos, das nossas atitudes e pensamentos, pois um passo em falso pode ser fatal. Quando aqui esteve Cristo disse que seriam salvos os que perseverassem até o fim (Mateus 24:13) e, através da carta de João à igreja de Sardes, o Eterno nos diz: “Atenção, eu volto logo! Guarde firmemente o que você tem, para que ninguém tome a sua coroa” (Apocalipse 3:11 – BV).

Frequentemente ouço pessoas, que estão a desobedecer uma ordenança divina, dizendo que o que estão fazendo é muito simples ou, que é apenas aquela vez, não existe desculpa para o erro. Um pequeno descuido poderá ser fatal e nos levar à derrocada. Vigiar, orar, eis o segredo para não sermos pegos desprevenidos pelo inimigo de nossa alma e não sermos levados à derrocada espiritual.

Gelson De Almeida Jr.Errar o Caminho Pode Ser Fatal
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Remando contra a maré

Certa vez fui assistir a uma partida da seleção de futebol no estádio do Morumbi. Todos ganharam umas bandeiras brasileiras de plástico na entrada e o espetáculo daquelas milhares de bandeirolas se agitando estava muito bonito. Bem diferente do que acontecia em campo. O time estava jogando mal, embora o adversário fosse muito fraco. De repente, os torcedores, em protesto, começaram a atirar as bandeirolas abaixo. Uma cascata de bandeiras verde-amarelas tomou conta do enorme estádio. Eu achei aquilo divertido, também estava indignado e, sem pensar muito, atirei minha bandeirinha para fazer parte do protesto da multidão.

Mais tarde, lembrando do episódio, refleti que em condições normais eu talvez jamais atirasse uma bandeira do meu país ao chão. Tenho meus pudores patrióticos e não creio que seja uma atitude correta. Se o fiz, foi movido pela massa, condicionado pela coletividade. É muito difícil agir diferentemente do que parece a unanimidade, por isso admiro pessoas que remam conscientemente contra a maré.

Um exemplo desses iluminados homens de personalidade é Calebe. No episódio dos espias de Canaã, quando juntamente com outros onze ele foi à frente do povo para dar uma olhada na terra que deveriam conquistar (Números 13), enquanto a maioria esmagadora de seus companheiros de expedição vinha com um discurso afinado e cheio de medo, dizendo ao povo que seria impossível conquistar aquela terra, Calebe fez com que todos se calassem e disse exatamente o contrário. Tinha em mente uma promessa feita por Deus, capaz de transformar qualquer gigante em algo incapaz de meter medo.

A mesma capacidade de se diferenciar Calebe demonstrou quarenta e cinco anos mais tarde. Aproximou-se de Josué, o líder da invasão israelita em Canaã, e o lembrou que naquele primeiro episódio Deus havia orientado a Moisés de que justamente a montanha cheia de gigantes deveria pertencer a Calebe, que havia se posicionado valentemente ao lado da promessa. Suas palavras chegam a ser engraçadas: “Por isso aqui estou hoje, com oitenta e cinco anos de idade! Ainda estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; tenho agora tanto vigor para ir à guerra como tinha naquela época. Dê-me pois a região montanhosa que naquela ocasião o Senhor me prometeu. Na época, você ficou sabendo que os enaquins lá viviam com suas cidades grandes e fortificadas; mas, se o Senhor estiver comigo, eu os expulsarei de lá, como ele prometeu” (Josué 14:10-12).

E o vovozinho expulsou mesmo. Botou os tais gigantes para correr. Aonde todos travariam de medo ele fez maravilhas. Seu segredo? Calebe foi capaz de não esquecer da promessa de Deus durante quarenta e cinco anos. Todos os dias, lembrava-se daquela promessa e tirava dela a energia para esperar remando firme contra a maré.

Para remar contra a maré e ser capaz de maravilhas quando todos correm, não podemos esquecer da promessa. Ela é fiel. Pode demorar anos, mas quem a fez não se atrasa.

Marco Aurélio BrasilRemando contra a maré
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Não Reclame do Deserto – Parte II

Recém saído do Egito, por ordem divina o povo de Israel acampou em Pi Hairote. Mesmo após saírem do Egito de forma miraculosa, precisavam entender sua total dependência do Eterno e aprender a lição da confiança e entrega total a Ele.

O povo que marchava de forma vitoriosa (Êxodo 14:8) depressa entrou em desespero e murmurou dizendo que melhor seria ter ficado como escravos no Egito (vs. 10 a 13). Uma mudança radical em questão de horas. O desconhecimento dos planos do Eterno e a falta de confiança nEle fizeram com que chegassem a esse estado deplorável.

Olhavam para baixo, sob seus pés, e viam o deserto, olhavam para a frente e viam o mar, olhavam para os lados e viam montanhas, olhavam para trás e viam Faraó e seu exército, desanimaram, temeram, entraram em depressão e murmuraram contra Moisés e contra o Eterno. Tudo isso porque esqueceram que ainda faltava olhar para cima.

Moisés lhes anima dizendo: “O Próprio Senhor vai lutar por vocês” (v. 14 – BV). Moisés estava a lhes mostrar a verdadeira face de Deus. O Deus Poderoso, que os libertara do Egito, também era um Deus Perdoador, que não levava em conta a loucura de suas declarações, era também um Deus Guerreiro, que lutaria pelo Seu povo. O inimaginável acontece, um caminho se abre no meio do mar, o povo de Deus é salvo e seus inimigos aniquilados. Como Deus Poderoso abrira o mar, como Deus dos Exércitos lutara por Seu povo.

Em nossa jornada podemos ser tomados de pânico, desânimo e medo como eles se não olharmos para cima, mas o Deus que não muda (Malaquias 3:6) lutará por nós e nos livrará de todo e qualquer mal. Está no deserto, cercado das piores situações possíveis, não desanime, olhe para cima, pois a sua redenção está próxima (Lucas 21:28). Não precisamos conhecer os planos do Eterno para nos acalmar, precisamos apenas confiar nEle.

Gelson De Almeida Jr.Não Reclame do Deserto – Parte II
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Paz com Deus

Uma vez perguntei a alguns amigos da igreja de que sentiam falta em sua experiência religiosa. Esperava ouvir um tipo específico de respostas, mas ouvi uma unanimidade de respostas de outra natureza: todos diziam que gostariam de estar fazendo mais coisas “para Deus”. Por baixo da pele desse tipo de insatisfação, concluí que nossa experiência religiosa não estava sendo muito hábil para produzir paz e plenitude, mas apenas um complexo de culpa mais ou menos constante.

“Justificados pois, mediante a fé” – dizia o bom e velho Paulo, “temos paz com Deus” (Romanos 5:1). Onde está o sentimento de que isso é verdade? Por que é que, seja por estarmos constrangidos pelo nosso pecado ou não, estamos sempre com essa sensação de que precisamos merecer melhor? Por que, ainda que não imersos no pecado renitente, nossa consciência parece sempre maculada por uma sensação de falta? É possível ter essa paz com Deus e ao mesmo tempo preservar a “fome e sede de justiça” que Jesus enaltece nas bem aventuranças?
Analisando o caso do “homem segundo o coração de Deus” quando tinha sua consciência maculada (no caso por ter sido desmascarado como adúltero e assassino), encontro alguns elementos que podem nos ajudar a reencontrar a paz plena com Deus. É só ler o salmo que ele escreveu na ocasião (Salmo 51):
1. Ele confessou o seu pecado: “Contra ti pequei, e fiz o que é mau diante de teus olhos” (v. 4);
2. Ele tinha nostalgia dos tempos de consciência limpa/paz com Deus: “Restitui-me a alegria da tua salvação…” (v. 12);
3. Ele sabe que não são boas obras que podem comprar esse sentimento: “Pois tu não te comprazes em sacrifícios; se eu te oferecesse holocaustos, tu não te deleitarias” (v. 16);
4. Ele sabe que precisa de ajuda externa a seus próprios esforços: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável” (v. 10); e
5. Ele sabe que Deus, agindo, terá uma cura 100% eficiente: “Purifica-me com hissopo e ficarei limpo; lava-me e ficarei mais alvo do que a neve” (v. 7).
Seja qual for a origem de sua intranquilidade, a resposta para ela é mais (e não menos) Deus. Mais tempo com Ele. Mais oração. Mais tempo na presença dEle. Que todos os cansados escutem e atendam o Seu convite. E tenham paz.
Marco Aurélio BrasilPaz com Deus
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Não reclame do Deserto

Segundo o dicionário, deserto é uma região com baixa umidade, onde ocorre pouca, ou nenhuma chuva, quase não possui vegetação e é um local onde a vida de seres humanos e certas espécies de animais é muito complicada.

Mas é interessante notar que as Escrituras mostram o deserto como local de aprendizado. Moisés, Elias, Davi, João Batista e Jesus foram preparados pelo Pai no deserto, afim de realizarem um grande trabalho. Antes de entrar na Terra Prometida, o povo de Israel vagueou quarenta anos no deserto.

Talvez você esteja em seu “momento deserto”, olha para todos os lados e não vê de onde poderá vir a solução para seus problemas. Problemas de ordem financeira, material, de saúde, sentimental, de relacionamento, etc. Por mais que tente não consegue acertar as coisas, parece que, ao invés de melhorar, pior fica a situação. Se este é o seu caso, não desanime, no final do deserto sempre existe uma “Terra Prometida”.

Não fuja do deserto, não reclame do deserto, não murmure no deserto, não peça que o Eterno o livre do deserto, talvez sua maior necessidade seja a de um deserto para que, em sua solidão possa ouvir o Pai falando. Pode ser que Ele esteja levando você para lá porque há lições que jamais aprenderia fora de lá. Talvez tenha que, como Moisés, Elias e Jesus ir para o deserto afim de receber o devido preparo para uma missão, que pode ser a sua própria salvação.

Se você está no deserto agradeça ao Eterno e pergunte-Lhe o que quer que você faça. O deserto pode ser bom, deserto é local de ensino e aprendizado, é local de preparo. Ninguém chega ao oásis sem atravessar o deserto.

Gelson De Almeida Jr.Não reclame do Deserto
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Em que creem os que não creem?

Sob esse título foi publicada (inclusive no Brasil, pela editora Record) uma compilação do diálogo mantido entre o agnóstico filósofo da linguagem Umberto Eco, mundialmente conhecido por livros como O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault, e o cardeal católico Carlo Maria Martini. Foi uma amistosa e franca troca de cartas com questionamentos recíprocos entre duas pessoas extremamente cultas mas com visões antagônicas sobre o assunto fé. O ponto crucial do debate aconteceu quando Martini pergunta a Eco qual a razão que alguém que não acredita em um princípio transcendente teria para ser uma pessoa boa.

Qual é o fundamento último da ética? Por que razão alguém que não cultiva a consciência da existência de um Deus pessoal ajudaria outra pessoa, especialmente se não há laços afetivos entre eles? Ou pior: por que razão alguém daria sua vida por outra pessoa se não crê em nada além dessa realidade?

Martini não ignora que isso aconteça. Muitas pessoas que não creem em Deus ou em qualquer realidade transcendente são boas e se doam pelo benefício de completos estranhos, mas ele se pergunta qual seria a razão, a justificação dessa atitude?

Não sei se é porque estou do lado da fé, mas todo o brilhantismo de Eco me pareceu inócuo e ineficaz na resposta. Ele invoca razões biológicas, como o fato de que ninguém quer ter liberdades básicas tolhidas e por isso há um instinto de não fazer ao outro o que não gostaria que lhe fosse feito, mas isso só explica por que alguém não faria mal a outro, e não a razão pela qual alguém faria o bem. Me parecem igualmente falhos os argumentos de Dawkins em seu libelo anti-religião Deus, um delírio.

Se eu partilho da visão evolucionista, pela qual sobrevive apenas o mais forte, o que subjuga os demais, o que se adapta com mais facilidade ao meio e utiliza os suas competências em proveito seu e da perpetuação de sua espécie, não faz mesmo sentido eu deixar de seguir meus instintos e tascar sopapos em todo mundo que pise no meu pé no ônibus. E faz muito menos sentido eu servir como voluntário em um orfanato de crianças com AIDS.

Eco ainda usa um último argumento, que me pareceu um pouco covarde: falou que pessoas que creem em Deus também são capazes de atrocidades. Isso não ajuda a responder à questão proposta, apenas tira o verniz de virtude de quem tem uma razão sólida (de fé) para agir solidariamente.

O racionalismo prega que Deus não faz sentido. Mas no mundo que endeusa a ética (uma espécie de moral laica), a ausência de Deus faz muito menos sentido.

Marco Aurélio BrasilEm que creem os que não creem?
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Os heróis envergonhados

Aos doze anos, numa viagem de família de São Paulo ao Nordeste, precisando me entreter naquelas estradas intermináveis, comprei um gibi do Homem Aranha. Foi paixão à primeira lida. Pelos anos seguintes, li tudo o que consegui de gibis de heróis, porque estava apaixonado. Mas era uma paixão clandestina. Eu a confessava a uns poucos amigos, porque histórias em quadrinhos eram coisa de criancinha, e lá estava eu, com 16, 18 anos, lendo Batman e Watchmen.

 Muita coisa mudou desde então. Os heróis hoje são uma quase unanimidade, fazem os melhores filmes, estampam camisetas de marmanjos, levam multidões a eventos como a Comic Con Experience.
O que me faz lembrar do vestibular da ESPM que prestei no ano em que começaram a se multiplicar as denúncias contra o então presidente Collor. O tema da redação foi “pobre do país que precisa de heróis”. Nos sentíamos idiotas por ter acreditado que ele era o salvador da pátria que vinha montado num cavalo branco para combater as mazelas da nação. Não era.hero
O tempo passou e nós continuamos precisando de heróis, por isso forjamos outros. Fernando Henrique Cardoso, com sua classe e envergadura de intelectual, a capacidade de matar o monstro da inflação. Lula, com sua identificação com o povo sofrido, as metáforas de futebol e com o milagre do crescimento, o Brasil disparando como um foguete na capa da The Economist.  FHC agora lida com denúncias sérias. Lula possivelmente às vésperas da prisão. Até o papa, herói mundial, perde as estribeiras.
São todos humanos. Todos humanos demais. E talvez exatamente pela falta de ícones de carne e osso os heróis fantasiados tenham alcançado a notoriedade que não tinham há algum tempo, porque nós precisamos da ilusão (?) de que alguns de nós poderiam ser algo mais.
Bem, quando você percebe que nossos grandes líderes têm fraquezas, pode dar de ombros e dizer: isso faz parte da paisagem. As minhas fraquezas e incoerências também são parte da paisagem. Ou pode acreditar que há uma oportunidade nesse estado de coisas. Pode confiar no Deus que disse “No dia em que eu agir… então vocês verão novamente a diferença entre o justo e o ímpio, entre os que servem a Deus e os que não o servem” (Malaquias 3:17 e 18). E pode se colocar à disposição.
Não para ser um ícone. Mas por ter escolhido o Ícone certo. Não para alcançar a glória fumacenta dos heróis humanos, mas para sentir o que Romanos 5:1 chama de “a paz com Deus“, a incomparável satisfação de ter permitido que Ele fizesse em você tudo o que Ele pode e quer fazer.
Quando todos estão decepcionados e acreditando que somos todos iguais e que nossas obras ocultas cheiram necessariamente mal, que você perceba a oportunidade. E se lance nas mãos de Quem o pode fazer algo muito diferente.
Marco Aurélio BrasilOs heróis envergonhados
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Dar

Desde a entrada do pecado em nosso planeta o egoísmo se arraigou no caráter do ser humano. Muito antes de falar, ou sequer saber o que é, o ser humano mostra que o egoísmo faz parte delea . É um sentimento intrínseco aos seres humanos, aparece disfarçado com os mais diferentes nomes ou conceitos, mas ainda, em sua raiz, é egoísmo.

A lei que rege a Natureza é a “lei do dar”. O sol diariamente nos aquece e ilumina com seus raios; a flora nos dá sombra, flores e frutos; a água que recebem, os oceanos devolvem em forma de vapor, que as nuvens recebem e nos dão em forma de chuva.

Pecadores como somos temos muita dificuldade em dar, dificilmente damos sem esperar algo em troca. Dificilmente estendemos a mão para aqueles de quem receberemos algo além de reconhecimento. Por esta razão acredito que ao Paulo afirmar que “Há maior felicidade em dar do que receber” (Atos 20:35 – NVI) ele esteja trazendo uma das verdades mais difíceis de aceitarmos, talvez, em toda a Escritura, não exista passagem mais controversa para nós.

Como você reage quando lhe pedem algo? Quando está na igreja e pedem uma oferta qual é sua atitude? Quando criança lembro de apelos à liberalidade com palavras do tipo: “Enfie a mão no fundo do bolso e dê uma oferta para o Senhor”. Parece que esse conceito ficou, pois, ao dar, enfiamos a mão no fundo do bolso e pegamos umas poucas moedas que lá estão.

Em todo o Universo apenas nós, seres caídos em pecado, não seguimos a lei do dar. Mesmo nossa rebelião e desobediência não impediu o Eterno de dar, e deu o melhor que tinha, o Filho e o Filho deu o melhor que tinha, Sua vida. Deram o Seu melhor, pois deram de coração.

Na próxima vez em que for solicitado a contribuir com alguma coisa, lembre-se de que a lei que rege o Universo é a lei do dar, pois todo o Universo segue a lei que rege o coração do Pai, a lei do amor. Dê, mas dê com amor e alegria, porque Deus ama o que dá com alegria (II Coríntios 9:7).

Gelson De Almeida Jr.Dar
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São tantas emoções

Estando há um mês e meio lendo os Salmos e havendo chegado no meio do livro, peguei hoje meu caderninho de anotações para dar uma olhada no que me chamou a atenção até aqui.

A primeira observação é o enorme espectro de emoções que eles exprimem. Há de tudo ali: gratidão, louvor por livramento, louvor pela grandiosidade de Deus, clamor por socorro pessoal, clamor por socorro coletivo, angústia existencial profunda, arrependimento por erros cometidos, alegria, tristeza, raiva, confiança, desamparo.
A segunda observação é que muitas vezes duas dessas emoções aparentemente díspares encontram-se no mesmo salmo (geralmente os de Davi). O 25, por exemplo, é cheio de louvor e confiança, até que de repente se transmuda em um angustiado grito por socorro.O 35 é o contrário, o salmo imprecatório é um retumbante clamor pela intervenção divina; Deus parece inerte e distante. Mas ainda assim o salmista reafirma sua confiança nEle. Esse bipolaridade me soa estranha, muitas vezes.
Os Salmos nunca foram meu livro predileto da Bíblia e creio que nunca serão, mas é inegável que eles me ensinam muita coisa. Por exemplo, eles ensinam que minhas emoções não precisam ser mascaradas ou diminuídas. Não fosse por eles, eu teria muita vergonha de admitir que às vezes Deus me parece frio e indiferente. Eu me sentiria culpado por sentir ira ou tristeza. Em seguida, os Salmos me ensinam o que fazer com todas as emoções, as positivas e as negativas. Se o homem segundo o coração de Deus as levava todas aos pés dEle, por que eu deveria fazer diferente? Em terceiro lugar, vejo nos Salmos um combate claro entre a emoção e a razão. A emoção pode ser negativa, mas a confiança em Deus se impõe pela razão e pela memória.
E como é bom aprender coisas enquanto leio refrões como “Esperei confiantemente pelo Senhor. Ele se inclinou para mim e me ouviu… tirou-me de um poço de perdição e me pôs nos lábios um novo cântico”! (40:1,3)
Marco Aurélio BrasilSão tantas emoções
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Uma Palavra Boa

Certo casal que vivia, segundo amigos próximos e familiares, muito bem, teve um desentendimento por uma atitude do filho. A mulher deu as costas para o marido, ignorando tudo o que ele fazia, por mais que ele tentasse a reconciliação ela não cedia.

Cansado daquilo o marido, mesmo sendo dia claro, acendeu uma lanterna e passou a vasculhar cada cômodo da casa. Percorreu um por um, iluminando cada canto. Notava-se que a mulher estava curiosa, mas não queria dar o braço a torcer perguntando ao marido a razão daquilo. Mas, quando ele passou a abrir cada gaveta e a iluminar dentro a mulher não se aguentou mais e perguntou o que ele estava fazendo. Ele respondeu: “Estou à procura de uma palavra boa sua”.

Nem imagino qual seria sua situação se passasse por isto, mas posso imaginar qual seria minha atitude se ocorresse comigo, provavelmente responderia com algum tipo de ironia ou coisa parecida. Felizmente, para o casal, a mulher deu um sorriso, abraçou o marido e se desculpou. A seguir se ajoelharam e oraram pedindo ao Pai que não lhes permitisse repetir a situação.

Em sua carta aos crentes de Éfeso, versão “O Livro”, Paulo nos dá um sábio conselho: “Não pequem, deixando que a ira vos domine. Antes que o dia acabe, façam com que a vossa irritação tenha fim” (4:25 – O Livro).

Em Provérbios 15:1 Salomão nos diz que a resposta delicada anula a irritação, mas as palavras duras suscitam a cólera. No Sermão do Monte Cristo afirmou que serão bem aventurados os pacificadores, ou seja, os que se esforçam pela paz, afirma ainda que serão chamados “filhos de Deus” (Mateus 5:9). Como você reage ao ser ferido com palavras, paga na mesma moeda ou procura apaziguar a situação? Suas palavras no dia a dia são palavras de paz ou de guerra?

Seja um pacificador, seja um “filho de Deus”.

Gelson De Almeida Jr.Uma Palavra Boa
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