maio 2018

Não vale escolher

Há duas semanas, escrevi aqui que foi preciso dar um longo desvio, de mais ou menos 6.000 anos, para que a noção bíblica de que todo ser humano é digno e deve ser respeitado e protegido vingasse como política oficial de Estado. Para isso, foram necessários os mais bárbaros genocídios, genocídios documentados com fotografias e câmeras de cinema. Foi preciso também despir essa ideia de qualquer roupagem religiosa para que ela se tornasse internacional.

Há uma semana, escrevi aqui que aquilo que compartilhamos nos whatsapps e facebooks da vida diz muito sobre quem somos, e que cristãos deveriam se preocupar se o que estão compartilhando é verdade. Bem, percebo que é preciso fazer uma intersecção das duas ideias.

Se consideramos que todo ser humano é digno de respeito, não se trata apenas de não compartilhar conteúdo que nega os direitos humanos de gente diferente da gente (sejam eles bandidos, sejam ativistas dos direitos LGBT, sejam manifestantes feministas protestando, sejam integrantes da marcha da maconha ou participantes de um show de música secular, etc e etc); se trata de, graças à atuação transformadora do Espírito Santo em nosso íntimo, não mais encontrar graça em vídeos de bêbados apanhando, em vídeos de meninas se estapeando na saída da escola, em fotos de pessoas em situações constrangedoras involuntárias, em conteúdos que expõem mulheres (voluntariamente ou não) como objetos sexuais, em conteúdos que pregam velhas e vergastadas dinâmicas de abuso. E essa lista, é claro, não é exaustiva. Alguém que teve um encontro genuíno com Cristo não admite divertimento com (ou contemplação de) nada que desumaniza o outro.

Jesus Cristo nos abraçou muito forte e disse no ouvido que nós somos muito, muito amados. Depois disse “agora vá e ame também. Incondicionalmente. Não vale escolher”.

Você mostra o quanto entendeu isso e o quanto leva isso a sério nas coisas que compartilha e nas coisas que se alegra em receber no seu celular, também.

Marco Aurélio BrasilNão vale escolher
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O Toque Divino

Na última sexta feira (25/05) discorri acerca do encontro de Jacó com o Eterno no Vale do Jaboque. Retomando a narrativa recordo que Jacó pedira a proteção divina e, quando Deus viera em seu socorro, não percebendo Quem estava ao seu lado, lutou contra Ele a madrugada toda. Ao clarear do dia Deus tocou na “juntura” de sua coxa e ele sentiu a perna fraquejar.

Após tocar-lhe na coxa, o Eterno pergunta seu nome e ele responde: “Jacó”, talvez você pense, mas é claro que ele disse Jacó, esse era o seu nome, lembre-se, porém, que, cerca de vinte anos antes, diante de Isaque, seu pai, quando lhe foi perguntado o nome, dissera: “Esaú”, mentira, pois queria receber a benção da primogenitura. Em realidade, justificara seu nome, cujo significado era “enganador”.

A mentira dita a seu pai terrestre, não foi repetida para o Pai celeste. O toque do Pai completara a obra de transformação, de “enganador” passou a ser “príncipe vencedor”, reconhecendo tal mudança, o Eterno mudou-lhe também o nome, não se chamaria mais Jacó, mas Israel.

Não sei qual é o seu nome querido leitor, muito menos como você é conhecido entre os seus, quero apenas que saiba que, não importa quem você seja ou como o vejam, o Eterno tem um plano muito melhor para sua vida. Ele quer operar uma mudança de dentro para fora em você, se permitir, provavelmente não aqui, mas com certeza na Nova Terra, onde tudo será novo, você receberá seu novo nome também (Apocalipse 2:17). Deixe o Eterno tocar você, não importa o que vier depois, será bom, muito bom.

Gelson De Almeida Jr.O Toque Divino
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Em quem Deus confia?

Os psicólogos costumam dizer que a imagem que temos de nós mesmos está diretamente relacionada com o que imaginamos que os outros pensam de nós. Ou seja: o que achamos que os outros pensam que somos acaba nos condicionando. Talvez agora você tenha parado para pensar no que acha que os outros pensam de você. Então aproveite e vá mais longe: tente imaginar o que Deus pensa a seu respeito.

O livro de Jó é um bom manual de teologia popular. Seus personagens manifestam crer, por exemplo, que se alguém sofre é porque Deus está zangado com ele por causa de seus pecados. Essa ideia parece bastante lógica porque costumamos tentar fazer sofrer quem nos magoa ou, na melhor das hipóteses, deixamos que os que nos desobedecem colham os frutos desfavoráveis de suas atitudes. Outra expressão de teologia popular, baseada na lógica, é esta fala de Elifaz: “Eis que Deus não confia nos seus santos, nem o céu é puro aos seus olhos” (Jó 15:15).

É óbvio. Por que Ele confiaria em criaturas minúsculas, erráticas e estúpidas? Deus confiaria em mim, por exemplo? Pode o onipotente depositar confiança no “nada-potente”?

Como em muitos outros pontos, porém, a lógica humana não funciona com a teologia bíblica. Não podemos apedrejar o pobre do Elifaz, porque ele não tinha para ler, por exemplo, o próprio livro de Jó.

Afinal, se pudesse ler os dois primeiros capítulos do livro veria que o ilógico acontece com Deus, pois Ele confiou em Jó. Apostou Suas fichas perante todo o Universo em uma criatura que tinha ideias teológicas seriamente distorcidas para responder a acusações injustas de Satanás.

Jó podia ter ideias erradas sobre Deus, mas não passava um único dia sem relacionar-se com Ele. Este parece ter sido o critério que o fez digno da confiança do Onipotente. Lembre: estava em jogo saber se as pessoas só servem a Deus quando são beneficiadas por Ele. Esta era a acusação de Satanás. Para tirar a prova disso não se poderia tomar uma pessoa diferente das demais. Jó era feito da mesma matéria prima que eu e você, sujeito às mesmas coisas. Fosse diferente e a questão não seria resolvida.

O que Deus pensa de você? Bem, por ser membro da mesma espécie que Jó, saiba que você pode ser digno da confiança extrema dEle, mesmo contra toda a lógica, porque está provado que Ele confia em criaturas cheias de defeitos e que podem até alimentar ideias erradas a respeito dEle, mas que estão dispostas a passar tempo com Ele.

Marco Aurélio BrasilEm quem Deus confia?
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Que Luta!!!

“Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um Homem, até que a alva raiou” (Gênesis 32:24 – ARA)

Acho esse verso um dos mais profundos e emblemáticos de toda a Bíblia. Fala de um momento especial na vida de Jacó, mas serve para ilustrar a situação pela qual muitos passam ao longo de sua vida.

Pouco mais de 20 anos haviam se passado desde que enganara seu pai afim de conseguir a primogenitura. Saíra solteiro, jovem, tendo apenas um cajado como bem material e muito temeroso, retorna agora homem feito, casado, duas mulheres, duas “servas”, onze filhos e muito rico.  Mesmo assim ainda era desconfiado, temeroso e gostava de fazer as coisas do seu jeito. Confiava em Deus, mas sua fé era vacilante.

Fazia a viagem sob orientação divina, muito temeroso, orou ao Eterno pedindo proteção e livramento, mesmo assim tentou aplacar o ânimo de seu irmão com custosos presentes, dividiu o seu grupo em dois, pois, caso seu irmão atacasse um grupo, ainda sobraria o outro. Horas após orar, de madrugada, tem um encontro com o Eterno no Vale do Jaboque. Pedira Sua ajuda e Ele viera em pessoa, mas o encontro não foi dos melhores. Enquanto o Eterno queria conversar e lhe abençoar Jacó se debatia. Uma luta que durou horas, de um lado um Deus que queria abençoar, do outro um desconfiado homem que se debatia de todas as formas. Já saía o sol quando Jacó, finalmente viu, com quem estivera a lutar durante a madrugada.

Assim como ele, muitos anseiam pela benção, proteção e cuidado divinos, mas quando chegam, as preocupações do dia a dia impedem que as vejam/percebam, aí começa a batalha, de um lado um Pai que quer abençoar e do outro, um filho desesperado e temeroso que luta em sentido contrário.

Antes de poder abençoá-lo Deus lutou com Jacó a madrugada toda, quanto tempo ainda terá que lutar com você para fazer o mesmo? A noite está acabando, pare de lutar e deixe que Ele abençoe você.

Gelson De Almeida Jr.Que Luta!!!
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É verdade

Tenho um professor que costuma repetir: aquilo que compartilhamos nas redes sociais diz mais a respeito de nós mesmos do que do autor original do conteúdo ou do conteúdo em si. A partir dessa reflexão concluo: se compartilhamos mentiras, estamos dando uma eloquente declaração sobre nossa relação com a verdade.

A Verdade era um assunto capital para Jesus. Ele disse que ela nos libertaria (João 8:32), que ela é a palavra de Deus, que nos santifica (João 17:17). São inúmeras as vezes que O vemos começar alguma declaração com a expressão “em verdade em verdade [assim, duas vezes, sublinhando!] vos digo”, e foi bastante claro ao afirmar que seria rejeitado justamente por falar a verdade (João 8:45). Ele diz que nossa adoração precisa ser em verdade (João 4:24) e que “todo aquele que é da verdade” ouve Sua voz (João 18:37 – ao que Pilatos, numa atitude bem pós-moderna e adequada aos nossos tempos aqui, deu de ombros perguntando “o que é a verdade?” e então virou as costas).

É de se esperar, portanto, que todos aqueles que seguem Alguém que Se descreveu como “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6), tenham um apego considerável à verdade. O que se vê, contudo, é um festival de fake news compartilhada com alegria. Qualquer notícia absurda ou simplesmente inverídica, mas que confirma de alguma forma a visão de mundo desses cristãos, é abraçada com entusiasmo – e passada adiante. Cristãos, possivelmente mais do que outros grupos, não admitem sentar frente a frente com pessoas que partilham de outra cosmovisão para simplesmente conversar. No fundo, agem como quem tem medo de sua verdade não resistir ao escrutínio da razão ou aos fatos.

E, no entanto, Jesus Cristo é a Verdade. Como disse C. S. Lewis, ou Ele é aquilo que afirmou ser, ou é um louco, e os que temos de fato nos relacionado com Ele sabemos que não se trata da segunda hipótese, em absoluto. Logo, se temos andado e mantido uma relação estreita com Ele, temos interagido com nada menos que a Verdade (assim, com V maiúsculo). O que devia aumentar nossa confiança e nos impelir a comunicar com o outro, como Ele ordenou, porque sabia que isso ajudaria não só a alcançar alguns que não conhecem a Verdade, mas também depuraria aquilo que nós entedemos como verdade, tirando dela as impurezas que deixamos acumular ao seu redor.

Neste exato instante, e especialmente num ano eleitoral como este, há uma infinidade de perfis falsos nas redes sociais e “bots” criados para compartilhar informações falsas. Nós os vimos em ação recentemente no caso Marielle, quando um monte de cristãos passaram adiante a informação falsa de que ela era mulher de um traficante e o fizeram sem nem pensar duas vezes, afinal, estavam diminuindo a morte de uma mulher negra, lésbica e esquerdista. E, contudo: “Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade” (I João 2:21). Nenhuma.

Cheque os fatos e fique do lado da verdade, lembrando que ela é uma pessoa.

Marco Aurélio BrasilÉ verdade
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Se Meu Pai Segurar a Corda…

Um grupo de turistas norte-americanos passeava pelo interior da Escócia em busca de observar formações rochosas e plantas exóticas da região. Num determinado momento, um botânico que fazia parte do grupo, viu algumas flores raras, numa escarpa logo abaixo de onde estavam. Ele queria muito examinar aquelas flores e pediu que alguém buscasse para ele, mas, assim como ele, ninguém do grupo se aventurou a descer amarrado em uma corda até o local. Perto dali, estavam um camponês e seu filho, foi até os dois e pediu que o garoto buscasse as flores, prometendo generosa recompensa. Mesmo com autorização do pai o garoto titubeava. Após muita insistência o garoto disse que desceria, se seu pai segurasse a corda. Que confiança aquele garoto tinha em seu pai!

Carlos Drummond de Andrade disse que “a confiança é um ato de fé, e esta dispensa raciocínio”. Confiança não se ganha, se conquista, não se consegue por filiação genética, por lindas palavras ou belas promessas, ela só vem após muito tempo de convívio, onde um lado, através do que é e faz, se mostra plenamente confiável e o outro lado mostra-se completamente aberto ao exercício da confiança.

Disse alguém certa vez que a confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído. A Palavra de Deus ensina que devemos confiar de modo cuidadoso, ou até nem confiar, em nós mesmos, em nossa consciência e em outros seres humanos, mas mostra que existe Alguém completamente digno de nossa confiança, o Eterno. Ele nunca errou, nunca mentiu e deseja o nosso melhor, mais que desejar, Ele trabalha pelo nosso melhor.

Esqueça as decepções que já teve em sua vida, confie no Pai, só Ele é digno de confiança. Ele não muda, deseja dar o Seu melhor para você, antes que você fosse um projeto na mente de alguém já era amado por Ele. Portanto, quando Ele pedir algo faça, Ele é Confiável.

Gelson De Almeida Jr.Se Meu Pai Segurar a Corda…
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Se somos o corpo

Num mundo povoado por criaturinhas egoístas, a graça de Deus era algo ininteligível. Um conceito abstrato, incapaz de ser apreendido, porque é difícil conceber motivações diferentes das que nós mesmos temos. E assim foi até que ela se fez carne. A graça tomou a nossa forma. Um corpo igual o que nós temos. Andando entre nós, falando conosco, nos tocando, nos ouvindo, nos vendo.

Os evangelhos registram uns poucos exemplos de cada atuação destas. Relatam que um dia Jesus, procurando solidão e descanso, viu uma multidão e Se compadeceu dela, porque pareciam ovelhas sem pastor, e então deixou pra depois a solidão e o descanso. Deus viu. Relatam oportunidades em que, podendo curar um enfermo com uma palavra, apenas, Jesus escolheu tocá-lo. Deus tocou. Contam de um cego esbravejando por misericórdia no meio de uma multidão, e Deus ouviu. Falam de oportunidades em que pessoas angustiadas foram consoladas, famintas, foram saciadas, sacudidas por dúvidas e foram orientadas, com a auto-estima carcomida e foram encorajadas, amadas, chamadas para trabalhar. Deus orientou, consolou, encorajou, comissionou e fez com que a graça tivesse um rosto, um nome, uma voz e, sobretudo, fez com ela fosse entendida (com muito maravilhamento, mas enfim compreensível). A cada atuação de Cristo era como se Deus estivesse dizendo à humanidade caída: isso é o que desejo a cada um de vocês: cura, felicidade, reconciliação com Deus.

Mas pode ser que, ao lermos esses relatos em nossa Bíblia, não os entendamos como recados direcionados especificamente a nós. Pode ser que suspiremos profundamente e nos perguntemos aonde está Deus agora.

Há uma pista para a resposta nos capítulos 9 e 10 de Lucas. O primeiro descreve Jesus enviando os doze discípulos de dois em dois a várias cidades, para que através deles pessoas fossem libertas de seu fardo de pecado, enfermidade e angústia. No segundo, Ele envia setenta, também de dois em dois, para que o raio de atuação fosse maior. Antes de ascender, comissiona sua igreja para que faça o mesmo primeiro ali mesmo, então num raio mais distante, depois mais e mais até abranger o mundo inteiro.

Foi preciso vermos a graça se fazer corpo para entender. O mundo pode ver esse corpo hoje. Nós somos o corpo. I Coríntios 12 diz que nós somos o corpo e Cristo é a cabeça. A pergunta, então, não é mais “onde está Deus?” mas sim: se nós somos o corpo, por que Suas mãos não tocam e não curam? Por que Seus olhos não vêem as pessoas angustiadas, nem aquelas que entram pelas portas de nossas igrejas? Por que Sua voz não fala aos perdidos e desorientados? Por que Seus braços não abraçam, Seus pés não O levam ao encontro das ovelhas sem pastor e Seus ouvidos não escutam os clamores por socorro? Parece que a comunicação entre cabeça e membros foi interrompida e, cá pra nós, a culpa é toda dos membros.

Marco Aurélio BrasilSe somos o corpo
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O Perdão Divino

Certa mulher foi até seu pastor tendo em suas mãos um punhado de areia molhada. Amargurada mostrou-lhe e perguntou se sabia o que era aquilo, ele disse que era um punhado de areia molhada. A mulher perguntou se sabia o que significava e ele disse que não, chorando ela disse que aquilo era ela, com sua multidão de pecados, que nem podiam ser enumerados. O pastor perguntou de onde era aquela areia e ela disse que pegara na praia, disse-lhe para voltar à praia e fazer o mais alto monte de areia que conseguisse.

A mulher foi embora, mas, uma hora depois, estava de volta. Disse ao pastor que fizera o monte de areia, mas que viera uma onda e destruíra tudo. O pastor disse-lhe então:

– É justamente assim, quando pedimos ao nosso Pai celestial, por amor de Jesus, que nos perdoe os pecados. Ele os toma completamente, pois o “sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado” (I João 1:7b).

Não foram poucas vezes que ouvi cristãos sinceros orando e, querendo mostrar humilhação e contrição diante do Pai, pediam que lhes fosse perdoada a multidão de pecados. Ora, se você pede perdão diariamente ao Pai como ainda tem uma multidão de pecados?

Para aqueles que, em sinceridade de coração e propósito, arrependidos e dispostos a uma nova vida pedem perdão ao Pai, NUNCA haverá uma multidão de pecados, pois, muito maior que nossa capacidade de pecar é a capacidade de Deus em nos perdoar. Louvado seja Deus por isso.

Gelson De Almeida Jr.O Perdão Divino
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Escolhendo alguém

Salomão é tido e apresentado pelo Bíblia como o homem mais sábio que já viveu por aqui. É também o rei opulento de quem se diz que chegou a ter, entre esposas oficiais e concubinas, algo em torno de mil mulheres. É com essa autoridade que pergunta, no finalzinho de seus Provérbios: “mulher virtuosa, quem a pode achar? Pois o seu valor excede ao de jóias preciosas” (Provérbios 31:10).

Muitas pessoas poderiam encontrar num texto como esse a justificativa para não escolherem seus parceiros, porque parece que o sábio está reclamando da escassez do objeto em questão, mas acho que o recado é justamente o contrário: por ser algo de extremo valor, o sábio enaltece a busca.

Numa sociedade que valoriza a intuição, as atitudes inopinadas, ou seja, aquelas tomadas de sopetão, e que repete seu jargão preferido “siga seu coração” o tempo todo, a busca criteriosa pelo parceiro ou parceira é desestimulada. Vale a paixão, o sentimento de atração e o resto que se encaixe. Extinta a atração, vencidas as razões do coração, passa-se a outro relacionamento em que essas coisas existam.

É muito frequente nessas questões sentimentais ver pessoas voluntariamente cegas para características de seus parceiros sob essa justificativa de estarem felizes e o resto que se veja depois. Muitas vezes essas características conferem claramente uma longevidade delimitada à relação ou podem ser mesmo perigosas para o apaixonado, como, por exemplo, incompatibilidades religiosas sérias. A ideia de que o amor, por maior que seja, é capaz de mudar o outro é uma das mentiras em que mais gostamos de acreditar. Ninguém muda ninguém, a não ser Cristo e Ele depende da anuência da pessoa que precisa dessa transformação.

Para muitos cristãos na fase de escolha do namorado ou namorada Deus vai algum dia enviar alguém especial para eles. Então eles oram pedindo para que “o milagre”seja feito. Quando aparece alguém que lhes atrai fortemente, tendem a entender a coisa como uma resposta divina a suas orações e deixam de averiguar se a pessoa reúne as características principais que um candidato a companheiro a longo prazo deveria reunir.

Mas eu reviro minha Bíblia de capa a capa e embora haja a exceção contida na história de Isaque e Rebeca, a verdade é que em momento algum eu vejo orientação para esse entendimento, de esperar que Deus jogue a pessoa exata no seu colo. A orientação é orar não para que Deus mande a pessoa certa, mas para Ele mandar a sabedoria para escolher corretamente. A sabedoria de eleger os pontos
imprescindíveis. E, claro, a coragem e determinação de se guiar por essa sabedoria. O mais, sim, Ele fará.

Marco Aurélio BrasilEscolhendo alguém
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Sua Machadinha Está Enterrada?

Na época da colonização dos EUA havia um costume interessante entre algumas nações “indígenas”. Quando acabavam de guerrear com outra tribo e era selada a paz entre eles os guerreiros de ambas tribos enterravam sua machadinha, num gesto claro de que não queriam mais nenhum tipo de conflito.

Atitude muito diferente do perdão praticado por muitos hoje em dia que parece que, caso vivessem numa dessas tribos, enterrariam a machadinha, mas deixariam o cabo para fora, afim de pegá-la rapidamente, caso “precisassem” atacar novamente.

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que estão fazendo”, foi a oração feita por Cristo ao Pai, em relação aos que o haviam tratado mal e crucificado. É um perdão incompreensível para nós, mas o Eterno promete que perdoará, por completo, todo pecado confessado (I João 1:9), que não se lembrará mais do erro cometido (Hebreus 10:17) e promete lançar nossos pecados nas profundezas do mar (Miquéias 7:19), uma linguagem figurada para mostrar que aquilo irá para o esquecimento.

Na “Oração Modelo” Cristo nos ensinou a orar pedindo ao Pai que nos perdoe do mesmo modo que perdoamos aqueles que nos ferem. Você tem condições e coragem de pedir isso ao Pai diariamente? O seu perdão é o da “machadinha enterrada” ou o da “machadinha com o cabo para fora”? “Enterre sua machadinha“, perdoe de modo incondicional. O Pai não espera nada menos que isso de você.

Gelson De Almeida Jr.Sua Machadinha Está Enterrada?
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