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A aposta de Deus

Meu filho está em algum lugar elevado e eu, mais abaixo, digo: vem! e ele não pestaneja – se joga. Da onde vem essa confiança toda? Como pode ele se entregar assim? Na posição dele, estando distante do solo algumas vezes a minha própria altura, eu hesitaria muito antes de pular, calcularia possibilidades, distâncias, força do vento, posição do sol, tudo. Ele, contudo, ouve e obedece e obedece todo feliz.

Essa confiança decerto não advém de desconhecer os efeitos de uma queda, que ele já teve muitas e muitas, e sentiu o que elas significam. A confiança vem de já ter feito isso antes, comigo
embaixo, e tudo ter corrido às mil maravilhas. Vem de já haver andado nos meus braços um milhão de vezes. Vem de me conhecer, de ter passado tempo comigo e de sentir que eu sou seu pai.

De certo modo, a desconfiança que temos da capacidade de Deus de nos salvar, de nos ajudar, de cuidar de nossas angústias todas, nasce de não termos andado em Seus braços um milhão de vezes, de não O conhecer e não sentir que temos nEle um Pai. Em todos os momentos à beira de um precipício preferimos dar um jeito nós mesmos, preferimos nos ralar, quebrar alguns ossos, ignorando Seus braços estendidos, então como confiar a primeira vez? Como confiar especialmente quando o precipício é bem grande, se nos pequenos tentamos nos virar nós
mesmos? Não confiamos porque não conhecemos.

Em Jó 15:15, Elifaz, um daqueles “muy amigos” de Jó, atesta do alto de sua sabedoria inquestionável: “Eis que Deus não confia nos seus santos”. Fiquei pensando na exatidão e lógica dessa afirmação. Sim, porque faz sentido, Deus faria muito bem em não depositar confiança nem nos seus santos, já que nós, humanos em geral, não somos nada estáveis. Acontece que a própria história de Jó mostra um quadro distinto: Deus confiando em Jó plenamente, apostando Suas fichas nele contra as manobras de Satanás, e ganhando!

Descobri que Deus também confia no que conhece. Assim como minha mãe confiava na educação que havia me dado, porque me conhecia, havia passado tempo comigo e sabia da solidez dos princípios que eu havia absorvido dela, Deus apostava em Jó. Ele havia cunhado o caráter de Seu servo e o resultado dessa constatação é que Ele pode, e quer, confiar em mim e em você.

Se experimentarmos Seus braços, se fizermos isso a cada pequeno abismo que aparecer, não vamos querer sair da segurança deles. Nós O conheceremos, ninguém precisará nos ensinar. E Ele, nosso Deus, apostará Suas fichas em nós.

Marco Aurélio BrasilA aposta de Deus

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