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A Copa e a entrega

Esta semana apareceram ambulantes vendendo bandeiras do Brasil, vuvuzelas e camisetas falsificadas da seleção aqui na minha rua. Foi só na segunda semana de Copa do Mundo. A mística do mundial pode demorar, mas sempre chega. O que mais explicaria o fato de pessoas que não suportam futebol abrirem essa exceção de 20 dias a cada quatro anos?

Existe o componente patriótico envolvido, mas o fato é que os jogos de Copa do Mundo em geral costumam ser bem mais emocionantes que os jogos regulares de clubes, exceção feita às partidas eliminatórias de alguns campeonatos. Talvez pelo fato de estarem jogando pelas cores de seu país, mas mais provavelmente pelo fato de saberem que o mundo inteiro está olhando e que ali está a chance dos jogadores de conseguirem contratos melhores, fato é que existe uma presença de entrega nos jogos da Copa que comove. Você se pega sofrendo com pessoas nas quais nunca pensa: islandeses, senegaleses, tunisianos, iranianos e panamenhos.

A entrega continua comovendo, mesmo em tempos hipermodernos. Gilles Lipovetski, um dos melhores leitores de nosso tempo, observou que a globalização neoliberal tornou as sociedades permeadas de valores essencialmente individualistas e tornou absolutamente impopular a entrega, o auto-sacrifício, o endeusamento do dever. Aí você vê aqueles caras se atirando de peito aberto nas divididas, pretensamente pela glória de sua nação, e uma nostalgia de algo que você nem sabia que havia perdido lhe toma o peito. A mística do Mundial tem muito que ver com os valores de um tempo que se foi, trocado por outro com algumas coisas melhores, mas privado de algo essencial.

Aí precisamente reside a relevância do cristianismo. Contra o fluxo das coisas, Jesus Cristo continua requerendo a negação de si mesmo, a tomada da cruz, e o segui-lo. Contra a correnteza da sociedade, Jesus aponta para a maior de entregas já feita, a Sua na cruz, aponta para a vida eterna, e, entre uma coisa e outra, pede que o busquemos de todo o coração, que o amemos com todas as forças, toda a alma e todo o entendimento, que coloquemos Seu reino em primeiro lugar.

Eles tentam, mas não conseguem arrancar do cristianismo aquele algo essencial. Aquele algo que garante que a vida não é vã nem vazia.

Marco Aurélio BrasilA Copa e a entrega

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