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A felicidade que você persegue

A Noruega acaba de desbancar sua vizinha Dinamarca como o país mais feliz do mundo. O estudo divulgado pela Onu questiona a percepção de felicidade dos habitantes de 155 países e aponta para seis elementos essenciais nessa equação: a riqueza da nação (PIB), expectativa de anos de vida saudável, apoio social em momentos de dificuldade, confiança no governo e na economia, liberdade para fazer escolhas de vida e generosidade.

É curioso que os países no topo desse ranking sejam em geral nações com uma percepção de coletividade bastante desenvolvida. Os EUA, por exemplo, ficam em 14o na lista e sua posição só piora, não importa o quanto sua economia esteja caminhando bem. Alguns analistas explicam essa tendência pela própria noção de felicidade que os americanos têm cultivado. O “sonho americano” tem um forte viés individualista.
Weissbourd, no livro que já citei “Os pais que queremos ser”, afirma que os pais americanos estão tão obcecados com a felicidade dos filhos que acabam exagerando na exposição deles à contrariedade e à frustração. Dizer não para um filho parece ser um tabu em boa parte do país.
Como, diferentemente dos países nórdicos, os EUA (pelo menos os EUA pré-Trump) são bem mais abertos à imigração, é interessante notar como o choque de culturas revela certas características da nação e enfatiza aspectos que passariam desapercebidos. “Embora grande número de imigrantes chegue ao país em condição de pobreza, os filhos que trazem (e isso vale para quase todos os grupos de imigrantes) saem-se, de maneira geral, melhor que seus irmãos nascidos nos Estados Unidos em quase todas as escolas e em praticamente todas as avaliações de saúde física, mental e moral,” afirma Weissbourd baseado em diversas pesquisas. “Apesar de as experiências que essas crianças vivenciam nos Estados Unidos serem, sem dúvida, muito variadas, em geral elas demonstram menor tendência à delinquência, a apresentar problemas de comportamento, a usar drogas e apresentar os tipos de problemas que impedem o estabelecimento de relacionamentos saudáveis e afetuosos.” 
 
Infelizmente, o tempo exposto à cultura americana estraga tudo. “De forma geral… quanto mais tempo esses filhos de imigrantes nascidos no exterior permanecem no país… piores se tornam seus indicadores de saúde, seu desempenho escolar e seu caráter. Um dos fatos mais desoladores é que, à medida que cresce a proficiência no inglês, cai o desempenho nos estudos…. Quanto mais tempo permanecem no país, ao que parece, mais tendem a desrespeitar os adultos e exibir comportamentos problemáticos, como o uso de drogas e delinquência”.
 
É como dizia Albert Camus, ecoando Jesus Cristo de alguma forma: “não há vergonha em alguém ser feliz, mas seria vergonhoso ser feliz sozinho”. Especialmente porque a felicidade sozinha-individualista-egoísta é necessariamente menos feliz.
Marco Aurélio BrasilA felicidade que você persegue

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