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A filosofia do simplesmente crer

Eu estava numa encruzilhada. Aliás, estava numa daquelas fases da vida em que era encruzilhada sobre encruzilhada. Que faculdade fazer? Com quem namorar? O que fazer da minha vida? Meu futuro seria rigorosamente determinado pelas escolhas que eu fizesse e aquilo dava um frio danado na barriga. Dava vontade de ter um vídeo da minha vida que me permitisse apertar um botão que passasse o DVD pra frente. Se eu pudesse ver o que ia acontecer na história, aí eu poderia me preparar direito para o tipo de vida que ia levar.

Foi nessa época que um devocional como este me fez notar a história de Jesus e Jairo. Está lá em Marcos 5 e mostra um figurão local, um líder religioso, vencendo seu orgulho e passando por cima de preconceitos para buscar em Jesus a cura de sua filha, que estava às portas da morte. Jesus concorda em ir vê-la, mas a multidão não permite que andem muito rápido. Para piorar, Jesus interrompe a marcha para perguntar quem Lhe havia tocado, tendo uma curiosa conversa com uma mulher tímida que fora curada de sua doença crônica ao roçar Suas vestes. Imagine a impaciência de Jairo sabendo do estado de sua filha lá na cama.

Quando retomam a marcha, os servos dele se aproximam e, cabisbaixos, noticiam a morte da menina. Como você reagiria? Ponha-se no lugar desse pai desesperado, que tem suas esperanças aquecidas ao ver que uma mulher acabara de ser curada por esse homem, mas que por mais que Ele fosse poderoso, para sua filha era tarde demais. Tarde demais!

Nós sabemos o final da história. Sabemos que Jesus foi até lá e ressuscitou a menina. Acontece que Jairo não podia passar o vídeo de sua vida para frente e não sabia que as coisas iam acabar bem, então ele olhou angustiado para Jesus em busca de consolo.

Cristo poderia ter feito um inflamado sermão com o título “Eu Sou o Príncipe da Vida”, mostrando nas Escrituras e com argumentos eloquentes que tinha nas mãos as chaves da morte e que iria ressuscitar a garota, no entanto o que Ele diz é bem diferente. Jesus diz: “não temas, crê somente” (Marcos 5:36).

Isso é jeito de consolar um homem? Achei essa a resposta mais estranha que um pai desesperado poderia receber. Mas Jesus via longe. Via que havia algo mais importante que o consolo naquele momento. Via que era a oportunidade de Jairo, e não apenas sua filha, ser salvo, e dizendo o que disse convidou aquele homem a desafiar seus conceitos lógicos e razoáveis do que se poderia esperar de Deus.

O resultado disso foi fé. Sem nenhuma pista do que ocorreria, ele foi convidado a pegar sua angústia e depositar nas mãos de Deus. Jairo teve fé, levou Jesus a sua casa e pôde ver sua filha pulando, cantando e gargalhando pelos corredores da casa outra vez.

Às vezes não precisamos saber aonde nossos caminhos vão dar. Não precisamos do melhor consolo. Não precisamos de garantias, evidências, sinais fantásticos. Precisamos, sim, aprender a filosofia do simplesmente crer, lançando-nos nos braços do Pai sem nada mais que o convite para o fazer.

Eis o tipo de coisa que eu gostaria de ouvir no começo de um novo ano, com todas as possibilidades que ele enseja.

Marco Aurélio BrasilA filosofia do simplesmente crer

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