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A necessidade do outro

O terapeuta Willard F. Harley Jr. realizou uma pesquisa que serve como uma eloquente comprovação de que “Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10:6, ou seja, duas coisas diferentes que, juntas e em harmonia, formam uma outra coisa muito melhor). Em sua prática profissional, chegou a dez necessidades emocionais básicas que o ser humano tem em relação ao cônjuge: diálogo ou atenção, afeto, realização sexual, segurança financeira, apoio doméstico, aparência atraente, companheirismo, honestidade, admiração e comprometimento com a família.O ponto curioso dessa pesquisa, e que serve como mote principal de seu livro “Ela precisa, ele deseja”, é que se você der às pessoas casadas um papelzinho com esses dez itens pedindo-lhes que façam um ranking do que eles acham mais importante atribuindo números de 1 a 10, com poucas variações as cinco primeiras necessidades apontadas pelas mulheres serão as cinco últimas apontadas pelos homens e, claro, vice versa.

Eu fiz o teste em um grupo de amigos e cheguei praticamente ao mesmo resultado. Se as mulheres costumam apontar o afeto como a necessidade número um, os homens, mais previsíveis, colocam realização sexual no topo. A lista das mulheres geralmente continua com diálogo, segurança financeira, apoio doméstico e comprometimento com a família, justamente os itens que estarão mais para o final da lista dos homens.
E. no entanto, pessoas feitas diferentes e com necessidades tão diferentes são colocadas por Deus para viverem juntas. Mais que isso, Ele as fez sentirem-se atraídas uma pela outra, as fez desejarem viver juntas. Por que?
A regra de ouro da Bíblia talvez seja a chave para a resposta. “Ame a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”. A regra de ouro, o mandamento do qual dimanam todos os outros, mostra que nossos afetos devem estar divididos entre nós mesmos e objetos externos a nós. O pecado inaugurou um centro de gravidade fortíssimo dentro do nosso peito que faz com que só olhemos para fora e só admitamos cuidar das necessidades e interesses de qualquer outra criatura do Universo quando estivermos de barriga cheia, e olhe lá… Para o Criador, contudo, a plenitude de nossa realização como criaturas Suas só é alcançada quando vivemos para os outros, quando o egoísmo típico do pecado é pisado e reduzido a pó.
O casamento, portanto, com seu descasamento entre as necessidades de homem e mulher, é uma escola fantástica. A paternidade leva esse conceito a um patamar muito mais radical, fazendo que não interesse o quanto estamos cansados ou doentes, se nosso filho está chorando a prioridade absoluta passa a ser automaticamente ele, mas tenho pra mim que a lição de serviço dada pela paternidade só é absorvida em toda sua envergadura quando antes você absorveu essa outra lição: a de amar um semelhante seu a um ponto tal que passe a querer abrir mão de seus interesses para satisfazer as necessidades dele. E, fazendo, sentir-se mais feliz do que estaria se estivesse cuidando de si somente.
Quando se dá conta disso, as diferenças entre homens e mulheres passam a deixar de ser motivo para piadinhas e se tornam motivos para louvor.
Marco Aurélio BrasilA necessidade do outro