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# Águas de Pedra

As escrituras apresentam fatos interessantes, muitos deles sobrenaturais, mas é importante, sobretudo que possamos entendê-los pela medida daquilo que nos ensinam, percebendo que há nos seus encadeamentos, o elo que os conduz a uma história coerente e verdadeira. Não são apenas registros das experiências que o povo passou, tanto quanto podemos tomá-los por sombras das coisas futuras que prediziam do Messias que viria.

São momentos de uma história que ainda está sendo contada; esta que possibilita ao homem o seu retorno ao Eterno. Para vivê-lo é preciso nascer de novo, tornar-se novo homem, despir-se da velha natureza, vivendo pelos frutos do espírito.

Em Horebe, no deserto, todo o povo sentia sede e se dirigiu a Moisés, seu líder espiritual, para que ele solucionasse o impasse. Orientado pelo Eterno, tomou seu cajado e golpeou a pedra por uma vez, saindo dela água para o povo. E todos saciaram a sede. A esse reflexo, registrou Paulo na primeira carta aos coríntios o seu entendimento: A pedra era o Messias.

Uma rocha espiritual que os seguia. Um testemunho para que o povo vivesse pela fé, como também uma sombra do que caracterizaria o Cristo em seu tempo, pelo que este afirmou ao dizer: “Eu sou a rocha”; “Eu sou a fonte de água viva”. A propósito, a rocha a ser ferida e dela verter a paz, refletia o que ele próprio iria viver, confirmado pela profecia que ele seria golpeado e por suas feridas, nós seríamos curados.

Décadas depois, precisamente no quadragésimo ano após a saída do Egito, o mesmo fato volta a ocorrer. O povo cobrou de Moisés a solução do problema. Da mesma forma ele voltou-se ao Senhor para receber a orientação. Alguns poderiam se perguntar o porquê dele ter feito isso, pois já havia ocorrido fato semelhante, ou seja, bastaria ferir a rocha novamente.

Mas, não é tão simples assim. Um líder espiritual, assim como também é ensinamento para nós, precisa conhecer a vontade do Eterno, pois só o Pai sabe os segredos ocultos em nosso coração e a fase de nosso desenvolvimento espiritual. Mas, enfim, Moisés consultou a Deus e ouviu dele que tomasse o seu bordão e fosse à rocha e com ela falasse. Falar com a rocha? Sim, falar. Era o que deveria fazer.

E então, dirigindo-se ao povo de forma arrogante, como se ele próprio fosse o responsável, e não Deus, pela água que verteria, também de maneira desaforada, em vez de falar à rocha, feriu-a não uma, mas duas vezes, demonstrando a desobediência e a inacreditável (por tudo que até aquele momento já havia ocorrido) falta de fé no Eterno. Ainda que a água tenha vertido, pois o Senhor cumpre seus desígnios, sua descrença e desobediência o impediram entrar na terra prometida.

Este fato traduz dois importantes comportamentos para aquele que busca a Deus: a fé em Jesus e a obediência ao mandamento. Hoje vivemos o tempo da graça pela obra ocorrida no madeiro, pois aquele que nos traz a paz está vivo. Não necessitamos mais ferir a rocha para que dela surja a água que sacia. Se andamos com ele, basta pedirmos. Através de seus ensinamentos, entendemos a necessidade da transformação para que habite em nós um novo homem, e assim vivermos experiências sobrenaturais, sendo, sobretudo reais com Deus.

Quem lê, entenda.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Águas de Pedra

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