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Algumas coisas que Daniel me diz

O livro de Daniel é um daqueles livros especiais, cujas páginas na minha Bíblia estão um pouco mais gastas que a maior parte das demais. É um livro diferente, instigante, intrigante.

Tem uma primeira parte histórica, onde se narra uma série de acontecimentos interessantíssimos envolvendo quatro hebreus que são levados ainda adolescentes como prisioneiros de guerra, exilados em Babilônia. Eles trabalham como funcionários públicos na capital do mundo, inclusive depois da derrocada de Babilônia e da ascensão da Pérsia. É nessa primeira parte que somos apresentados a histórias como a fornalha ardente, a cova dos leões, o teste de sabedoria e saúde e o sonho profético do rei Nabucodonosor, ao qual Daniel desvenda, tributando o feito a Deus.

Em seguida existe o relato de uma série de visões proféticas que Daniel teve. Muitos param a leitura aí, espantados pelos símbolos e linguagens esquisitos, que reúne animais estranhos, predições cifradas e mensagens que o próprio Daniel confessa não compreender.

É nessa segunda parte, contudo, que esconde-se uma mensagem maravilhosa, capaz de me mostrar um Deus soberano e tranquilo no comando das coisas deste mundo. O capítulo 7 de Daniel mostra, a quem se dignar a lê-lo com serenidade e oração, que Deus previa a sucessão de reinos hegemônicos que dominariam a Mesopotâmia e todo o mundo conhecido de então até um tempo muito além daquele no qual Daniel viveu. Somos apresentados à Grécia e a Roma, por exemplo, e à situação de confusão político-militar que se seguiu à queda de Roma.

O pacote profético que os seis últimos capítulos de Daniel nos provê passa pelo nosso tempo e termina seu voo panorâmico sobre a História com o momento em que Jesus se levanta após efetuado o julgamento e coloca um fim na história do pecado e de toda sorte de sofrimento.

Daniel me apresentou a um Deus que respeita as nossas decisões, mas encaminha as trajetórias das nações para que Sua vontade soberana se cumpra e as indagações que Satanás lançou no ar sejam respondidas afinal.

Mas provavelmente a melhor lição que tirei do estudo desse livro foi a de que Deus Se comunica com quem O busca diligentemente. No capítulo 8, vemos Daniel confuso com uma visão que teve; sua reação é estudar as Escrituras com afinco e muita oração. Foi só treze anos depois que ele obteve uma nova revelação sobre o que queria dizer tudo o que tinha visto, e isso aconteceu enquanto ele orava (capítulo 9:21). Com a resposta que buscava, veio uma confirmação que eu tenho ouvido sussurrada dia após dia, sempre que noto o dedo de Deus na guia dos meus caminhos: “Eu vim para te declarar, porque és mui amado” (verso 23), foi o que disse o anjo naquele dia.

Daniel me diz que Deus Se alegra dos que O servem em situações difíceis e fala aos que O buscam com fome e sede de conhecimento e verdade. Na verdade, Ele fala com todos a quem ama. Se eles se colocam em contato com Ele, ouvem.

Marco Aurélio BrasilAlgumas coisas que Daniel me diz