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Algumas coisas que Juízes me diz

O livro de Juízes narra um período de transição na vida do povo de Israel, que começou com a morte de Josué. Josué havia sido eleito como sucessor pelo próprio Moisés, aquele, que falava face a face com Deus, logo, era um líder inquestionável. Mas agora o povo estava assentado na terra prometida, tendo ainda pela frente umas poucas batalhas com os povos que ficaram na terra. Eles agora plantavam e colhiam na terra que manava leite e mel, estavam profundamente acomodados e a dependência diária de um Deus já não era tão palpável. O resultado desse caldo foi um povo de padrões morais elásticos, não enxergando mais muito mal em adorar outros deuses, especialmente os deuses daqueles povos que eles foram deixando ficar por ali.

A primeira metade de Juízes relata as histórias de líderes esparsos que surgiram, geralmente em ocasiões de dificuldades para Israel. Filisteus à porta? Sansão é chamado. Eglom se levanta para escravizar Israel e roubar sua colheita? Levanta-se Eúde. Para Jabim, o remédio é Débora e Baraque e para os edomitas, dá-lhe Gideão.

Repete-se a mecânica: passado o apuro, morto aquele líder, o povo voltava a sua apostasia e seus “ah, Deus não vai se importar se eu fizer isso”, ou seus “Deus entende, Deus entende….”

A segunda metade do livro trata apenas e tão somente do tipo de coisa que se via em Israel nesse tempo de dissolução moral e degradação da religião. É uma cruel crônica de um tempo sem freios, sem lei, sem Deus. Os acontecimentos mais violentos e chocantes são ali narrados: um levita contratado para coordenar um culto a ídolos, um estupro em que o marido da violentada esquarteja sua esposa e encaminha cada pedaço para um território da nação, uma matança que se segue a isso e que dá ensejo a outra matança, enfim, o tipo de história que não contamos às crianças antes delas dormirem, ou lá na igreja.

Existem poucas coisas tão deprimentes na Bíblia do que ver tamanhas atrocidades no seio do povo separado por Deus para ser um exemplo ao mundo, para ser um constante testemunho do poder e da justiça de Deus. Entretanto, a Bíblia distancia-se dos panfletos utopizantes deste mundo, entre outros fatores, por não idealizar pessoas, não mascarar defeitos e não ocultar deslizes.

Juízes me diz que eu preciso cuidar de mim mesmo. Que eu não devo esperar líderes carismáticos, igrejas pulsantes, pregações, livros, amigos, nada que me faça conhecer a Deus. É nossa relação pessoal com Ele que determina nossa salvação e embora Ele utilize muitos meios para nos alegrar, para nos consolar, para nos encher de força e ânimo na vida, não podemos depender de nada disso para nossa salvação. É preciso buscar por nós mesmos, analisar a Bíblia, orar incessantemente.

Quando o assunto é nosso destino eterno vale o bordão atribuído a Dom Pedro: independência ou morte. Desprenda-se de tudo, alcançando a vida diretamente da fonte!

Marco Aurélio BrasilAlgumas coisas que Juízes me diz