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Coisas que o Deuteronômio me diz

De repente Moisés parece ter sido tomado por uma grande angústia. Ele olhava, de cima de alguma elevação, aquele mar de gente que havia guiado através do deserto por quarenta anos e percebia que muitos ali tocavam a vida como se Deus não existisse. Como se aquela nuvem que lhes fazia sombra de dia e como se aquela coluna de fogo no céu, que os aquecia de noite, não existissem. A angústia certamente provinha do fato de que a incrível experiência que ele havia tido com Deus não era suficiente para salvar qualquer daquelas pessoas; isso dependia de eles aprenderem, como ele havia aprendido a duras penas, a fixar os olhos em Deus e tocar em frente.

O Deuteronômio reúne os últimos discursos de Moisés. É, portanto, seu canto do cisne, seu hino de despedida. Moisés estava às margens de Canaã e no entanto sabia que não tocaria os pés lá. Estava cansado, entrado em anos, e sabia que seu descanso não haveria de ser ali. Ele começa, então, a relembrar aquela nova geração de israelitas do livramento fantástico que Deus obrara nas vidas dos pais deles, tirando-os do Egito. Lembrou-os das vitórias fantásticas que Ele lhes fizera, mas lembrou-os também das derrotas, dos resultados da rebelião e da murmuração.

Ao fim, disse para o povo que amava que estava colocando à frente dele a benção e a maldição, a vida e a morte. Eles deveria escolher e continuar escolhendo todo dia.

Eu amo esses discursos finais do velho líder, provavelmente o maior que tenha existido. Eles me mostram um homem cheio de amor pelo seu povo, esforçando-se até a última gota de sua energia para abrir-lhes os olhos e apontar o caminho que conhecia muito bem.

O Deuteronômio me diz que é importante olhar para trás, lembrar as maravilhas que Deus já fez, jamais olvidar de cada graça Sua. Me diz também que estou às portas da cidade eternal, mas que para me ver lá preciso escolher entre a benção e a maldição cada dia, em cada menor opção que se me apresentar.

“Feliz és tu” – são as últimas palavras que se ouve de Moisés – “ó Israel! Quem é semelhante a ti? Um povo salvo pelo Senhor, o escudo do teu socorro e a espada da tua majestade…” E, ouvindo isso, sinto todo meu futuro iluminar-se.

Marco Aurélio BrasilCoisas que o Deuteronômio me diz

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