Últimas Publicações

# Amor e interesses

Todos os anos, na época do natal, muito se lê sobre a ocasião ter perdido o seu sentido, pois poucas são as famílias que inclusive se prestam a uma prece em volta da mesa posta, que dirá falarem do que o nascimento de Jesus represente de fato – “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu próprio filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Mas preferiram as tradições sociais e os interesses pessoais.

Neste ano, em especial, li alguns textos que discorrem sobre a forma como nos relacionamos com Deus. Alguns deles me chamaram a atenção ao discorrer sobre a oração. Ela, como sabemos, um veículo de comunicação com o Criador. Perfeito. Contudo, quanto dela se volta a uma conversa tão somente, permitindo-se uma relação que descortina nosso próprio eu interior, onde se ocultam os piores sentimentos, sem que haja pedidos repletos de interesses basicamente humanos?

Quando Paulo escreve aos Filipenses, ele afirma – “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam, em tudo, conhecidas diante de Deus, pela oração e súplica, com ação de graças”.

Não estarmos inquietos diante do que pedimos a Deus equivale a um estado de segurança, pois a fé é sólida e também a intimidade com Deus, afinal, nosso objetivo não está em nada deste mundo. A oração é acompanhada de ações de graças porque você simplesmente se entrega à providência divina, dando ao Criador a direção de sua própria vida. Se houver resposta diversa ao pedido, por certo que saberá haver aí direção e sabedoria de Deus para a sua vida.  E o amará assim mesmo. Do contrário, alguém suportaria vivenciar o que passou Jó?

Estamos acostumados a sermos supridos em nossos desejos, e muitas vezes até mesmo o amor que afirmamos ter por outras pessoas é contaminado por um senso de egocentrismo. Há quem diga que não raras são as pessoas que ao amarem alguém, estejam na verdade buscando satisfazer suas próprias necessidades emocionais e psicológicas. Muitos relacionamentos amorosos estariam ligados a esse fato, sem nem se darem conta disso. Quem pode arriscar dizer a proporção dessa assertiva?

Quer experimentar o amor sob outro ponto de vista? Por exemplo, quando você dá alguma coisa a alguém, você o faz por amar essa pessoa? Daria assim mesmo, se não a amasse? O relacionamento de amor que recebemos de Deus nos ensina a vivermos da mesma forma em todos os aspectos da vida. O que temos para viver é a atitude que se dispõe a dar, sem esperar qualquer receber, ainda que na relação com Deus aprendemos que Ele espera um mínimo de nós, mesmo que repleto por nossas limitações, por isso amparadas por seu espírito. Por isso a necessidade da entrega completa. Por isso caminharmos rumo à vivência plena do amor de Deus.

Sadi – O Peregrino da Palavra

Sady Folch# Amor e interesses

Artigos Relacionados