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O livro de Atos narra Felipe sendo orientado por um anjo a se aproximar de uma carruagem, onde se encontrava um importante oficial etíope voltando de Jerusalém, após de ter ido ao templo para adorar a Deus. Ao se aproximar, o ouviu lendo o livro de Isaías e lhe perguntou se entendia a mensagem. “Como posso entender se não há quem ensine”, respondeu. Convidado a subir na carruagem, Felipe anunciou-lhe as boas novas do reino.

Antes de seguir, quero comentar um desenho que assisti nestes dias. Um pai, logo pela manhã, arrumava a mochila de seu filho para juntos irem aos seus compromissos. Ele para o trabalho, o filho para a escola. O dia dos adultos era estafante. Da criança, ainda aprendendo a escrever, uma alegria. Colocado o papel de caligrafia à sua frente, o menino desenhava. Ao agir sempre da mesma forma, era repreendido pelo professor que exigia a lição refeita. Voltava a desenhar.

Leve, como qualquer pessoa que não sucumbiu às exigências estagnantes, ao reencontrar seu pai no fim do dia, mostrava-lhe o desenho. O pai olhava aquilo e se preocupava, acreditando que o filho não alcançaria meta alguma na vida, afinal o dia a dia das pessoas era pesado e formal.

Passados os dias, as reações do professor e do pai eram as mesmas. Diante de tanta incompreensão, o menino começou a ceder e a apresentar a caligrafia conforme o método. Sua vida foi ficando sem alegria, até o momento em que o pai reparou que o menino não era mais o mesmo. Ao remexer as folhas de caligrafia, percebeu que seu filho desenhava não qualquer desenho, mas dava às letras o formato de algo que encontrasse ao seu redor. Para a letra “D”, por exemplo, desenhava uma joaninha em pé.

Voltando à estrada de Jerusalém, o oficial etíope tinha à disposição doutores da lei ensinando no Pátio do Templo, contudo, homens que não compreenderam que o reino anunciado por Jesus era o esclarecimento do que há muito a lei refletia apenas parcialmente. Por isso, não leram Isaías como a profecia cumprida dias antes, no momento da crucificação.

Cumpre lembrar também, que Felipe, pouco antes da crucificação, ele próprio agiu como o pai e o professor daquele menino, pedindo a Jesus que lhe mostrasse o Eterno, assim como eles pediam à criança, a caligrafia correta, não enxergando o que estava diante de seus olhos.

Por certo que o menino deve aprender a escrever as letras como convém, mas são lições como estas que nos apontam sobre a perda ao se ensinar a essência sem ser capaz de reconhecer a resposta quando diante dela. Assim como Felipe só foi capaz de enxergar o Pai, e consequentemente o reino, depois de perceber a resposta transformadora de Jesus, assim o oficial etíope, tal qual o pai do menino, após compreenderem a clareza que estava efetivamente diante deles.

Queira Deus, aquele professor e os doutores da lei no Templo, possam também ter reconhecido a resposta correta.

Sadi – O Peregrino da Palavra

Sady Folch# Aprendizados

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