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As obviedades que não vemos

A minha própria estupidez, bem como a de meus semelhantes, continua me pasmando. Considere, por exemplo, os seguintes exemplos bíblicos, lembrando que a Bíblia, por sua honestidade, é o mais fiel retrato de nossa condição (a condição de todos nós, seres humanos):

blindA viúva de Sarepta. Você lembra da história? Fome braba na Palestina, seca que se arrastava por anos, o profeta Elias vai até Sarepta e encontra a tal viúva catando uns gravetos na porta da cidade. Ele pede que ela lhe traga água e pão, ao que ela responde que só tem um pouquinho de farinha e azeite em casa e que pretende fazer, com
aqueles gravetos, um último pão para ela e seu filho e então esperar a morte. Elias cobra sua fé, diz que ela deve fazer o pão pra ele e que o azeite e o pão não vão faltar. A mulher faz conforme ele diz e acontece aquele curioso fenômeno: as vasilhas de azeite e farinha nunca secam.

Pouco tempo depois o filho dela adoece e morre e ela se indigna achando que a culpa é do Elias. O homem sobe, ora, a criança ressuscita e então a mulher diz esta pérola da miopia humana: “ah, agora sei que verdadeiramente és homem de Deus e que a palavra do Senhor na tua boca é verdade” (I Reis 17:24). Sei. Na hora de a cumbuca jorrar azeite sem parar ainda havia dúvidas?

E quando Jesus multiplicou os pães para aquela multidão enorme e todo mundo comeu e se admirou. Os discípulos acharam que a hora era boa pra, aproveitando a excitação do povo de barriga miraculosamente cheia, começar um levante que culminaria com a coroação de Cristo. Jesus os obrigou a entrar no barco e ir embora e dispersou a multidão antes que fizessem essa besteira. Mais tarde, quando a noite já ia alta e uma tempestade se abatia sobre o barco, Jesus foi até eles andando sobre as águas. Por terem sido frustrados na sua pretensão de coroá-lo, o papo no barco até ali provavelmente fora pouco elogioso a Jesus. Devem tê-lO julgado covarde e tímido e não admira que tenham chegado a duvidar de Seu papel de Messias. Quando Ele entra no barco, contudo, vaticinam: “Verdadeiramente Tu és o Filho de Deus” (Mat. 14:33). Sei sei. Ao multiplicar o pão e o peixe para alimentar cinco
mil homens, fora mulheres e crianças, a coisa estava meio nebulosa, não dava pra ter muita certeza… Santa ignorância!

E você? Que tem sido alimentado por Ele até aqui. Que tem sido guiado, guardado e cuidado, que tem sido livre da morte muito mais vezes do que sabe ou suspeita, que tem sido alvo predileto de bençãos fantásticas, está esperando o quê para chegar à óbvia conclusão e começar a tratá-lO como Filho de Deus? A mulher não precisaria ter perdido o filho para chegar à conclusão e os discípulos não precisavam estar remando contra ondas altas no meio da noite para perceber o mais que evidente!

Será que, como os discípulos, você fica exasperado quando Ele não age da forma que você acha que Ele deveria agir? Será que não chega até a considerá-lO outra coisa qualquer, que não o teu salvador pessoal?

São perguntas que me faço, reconhecendo minha condição de ser humano e por isso mesmo estúpido in natura.

Que Ele pingue Seu colírio em nossos obtusos olhos.

Marco Aurélio BrasilAs obviedades que não vemos

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