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Bem aventurados, parte 1- os senhores pobres de espírito

“Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus”.

O cidadão do Reino:

Caminhando pelo corredor que conduzia à contabilidade, Vânia tentava colocar em ordem a confusão de sentimentos que se digladiavam no seu peito. Ao cruzar a porta estaria cara a cara com aquela que, agora ela sabia, havia pelo menos dois meses espalhava um monte de boatos absurdos sobre sua conduta moral e que fôra, no frigir dos ovos, a responsável por ela ter sido preterida na promoção à gerência.

Tinha ensaiado o que diria a ela, seu sangue fervia, mas a dois passos de abrir a porta da contabilidade notou que a situação ia muito além do que podia administrar. A alternativa “amai os inimigos”
impôs-se, criando um nó em sua garganta e revelando sua incapacidade de agir como deveria. Passou reto pela porta da contabilidade e entrou às pressas no banheiro. Encostou-se à parede sentindo o azulejo frio nas costas, baixou a cabeça e, chorando, suplicou em oração “aquele mesmo sentimento, que houve em Cristo Jesus”.

Depois de longos sete minutos e meio naquela posição, respirou fundo, pisou de novo o corredor e abriu a porta da contabilidade para fazer o impossível.

O reverso:

Impecável, como sempre, no terno italiano, ele passeia os olhos pelo círculo formado à sua volta. Esses homens, esses homens gargalhando de sua última piada, jogando a cabeça para trás, olhando para ele com favor, dizendo com o corpo todo que ele era o tipo de pessoa que eles gostariam de ser. Ele sorve o momento. Não é novidade. Na verdade, já foi mais prazeiroso, ele gostaria de ter doses mais cavalares de glória e reconhecimento, mas sempre é bom. Ele olha esses homens, ele sabe que está no centro, sob os holofotes, no exato lugar em que todos gostariam de estar.

Súbito, seus olhos encontram sua própria imagem no espelho ao fundo do salão e uma pergunta cruel de uma única palavra inocula em si um sentimento novo, o medo. A pergunta é: “será?”

* * * * * * * * * *

“Quatro pessoas: o jovem rico, Sara, Pedro e Paulo. Uma curiosa teia liga os quatro: seus nomes. 

Os três últimos tiveram seus nomes mudados: Sarai para Sara, Simão para Pedro, Saulo para Paulo. Mas o primeiro, o jovem rico, nunca é citado pelo nome.

Talvez seja essa a explicação mais clara da primeira bem-aventurança. Quem procura fazer seu próprio nome, fica sem nome. Mas os que invocam o nome de Jesus – e somente o seu amor – recebem novos nomes e, mais do que isso, recebem uma nova vida.”
Max Lucado, O aplauso do Céu, United Press, p. 55.

Marco Aurélio BrasilBem aventurados, parte 1- os senhores pobres de espírito

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