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Cinco sentidos

Posso abrir a minha Bíblia, por exemplo, em II Reis 20 e ali no verso 5 verei Deus dizendo a Isaías para ir falar ao moribundo rei Ezequias que Ele viu suas lágrimas. No salmo 116:1 o salmista parece dar pulos de alegria porque Deus ouviu seu clamor. Ali em Mateus 8: 2 e 3, Jesus não se contenta em curar um homem de lepra: Ele o toca, para fazê-lo (uma medida interessante para curar o pobre homem não apenas de seu mal físico, mas dos emocionais também). Minhas orações e sinceros louvores sobem a Ele “como cheiro suave”. Posso abrir a minha Bíblia de ponta a ponta e encontrarei um Deus que ouve, que fala, que vê, que cheira e o melhor: está debruçado sobre mim e sobre você.

Quem vive dias de luz pode não avaliar muito bem a importância de se haver cultivado o senso de que há sobre si um Deus capaz de enxergar uma lágrima, mesmo aquela minúscula que não chega a escorrer pela face mas que causa um terremoto interno. Um Deus disposto a falar e a ouvir. Essas pessoas podem até se conformar com a noção de um Deus distante, indiferente. De um Deus energia impessoal. De não existir um Deus. Mas e quando a luz rareia? E quando aparece aquela frente fria tapando o sol? Elas sempre vêm, ninguém fica sob o sol o tempo todo neste mundo aqui.

Sei o valor de se cultivar essa noção pela experiência de meu primo Valdecir Lima, por exemplo. Em meados dos anos 80 ele estava nos EUA fazendo seu mestrado e cheio de dívidas para pagar, o que o faria permanecer ainda um longo tempo por ali. Mas um belo dia seu pai falou que estava com saudades e pediu para ele voltar. Ele – o pai – daria um jeito de equacionar a situação. Valdecir voltou, fizeram uma festa para ele, juntaram a família toda. De tarde, seu pai sentou em uma cadeira e nunca mais levantou, vítima de um ataque cardíaco.

Dez ou quinze dias depois dessa experiência, sentou-se na escrivaninha e expressou o que estava sentindo rascunhando uma poesia que começava assim:

Você, que se sente pequeno

Dirige seus olhos a Deus…”

A estrofe seguinte dizia:

Deus sabe o que vai dentro d’alma

Deus ouve a oração suplicante

Deus vê sua angustia e o acalma

Deus faz de você um gigante…

Deus sabe

Deus ouve

Deus vê”
Essa poesia meses mais tarde recebeu uma inspiradíssima melodia de Flávio Santos e desde então “Deus sabe, Deus ouve, Deus vê” vem sendo cantada e regravada à exaustão e.apesar de tão recente, mereceu ser incluída no Hinário Adventista. Tem essa estrada fenomenal porque é fruto de uma experiência genuína e que não fala grego para ninguém. Todos se identificam com ela, porque todos um dia se sentem pequenos.

Podem vir com quilos de argumentos racionais e desmistificações sobre você, mas a única coisa capaz de fazê-lo um gigante no momento da maior pequenez é ter conhecido e prosseguido em conhecer um Deus que sabe, que ouve, que vê, que fala e que não tem nada mais emergencial do que cuidar de você.

Marco Aurélio BrasilCinco sentidos

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