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Coceira nos ouvidos

escutar-1024x568No começo do século passado uma enciclopédia apregoava que dentro de algumas poucas décadas o mundo seria limpo de toda sorte de crendice e superstição. A afirmativa era razoável; a revolução industrial e o tremendo progresso e prosperidade que ocasionou chancelavam a ideia. O homem se sentia o máximo, capaz de construir o paraíso na Terra, capaz de construir justiça, encontrar a cura para doenças, eliminar cada mazela, qualquer que fosse. Deus não era mais necessário e Nietzsche vaticinou apregoando Sua morte.

O mesmo século acabou com milhares de crenças distintas em algo sobrenatural. Parece que não apenas as crendices e superstições não foram eliminadas pelo absurdo progresso tecnológico e científico do século, mas foram mesmo multiplicadas. Milhares de matizes de cristianismo, gente que faz feitiços para todo tipo de problema distribuindo panfletos nas ruas de metrópoles, pessoas inteligentíssimas tentando contato com óvnis, uma nata cultural do ocidente participando de estranhos ritos espiritistas de forte influência oriental, curas espirituais, multidões adorando Alá às seis da tarde, adesivos de carro e filmes da Xuxa apregoando crença em duendes, bruxas saindo do armário e sendo aclamadas como minoria injustiçada, livros espíritas virando best sellers, iridólogos, mestres de yoga, Pró-Vida, messiânicos, mórmons, maçons, satanistas, cultos ecumênicos… Os exemplos parecem não ter fim.

Na sua segunda carta a Timóteo, Paulo profetiza sobre um tempo que haveria de chegar no qual os homens não suportariam a verdade como ela é, mas teriam coceira nos ouvidos para ouvir coisas agradáveis, e aclamariam mestres que dissessem essas coisas e que os fizessem voltar às fábulas (II Tim 4:3 e 4). Ora, a religião do longo período da Idade Média, que seguiu-se ao tempo de Paulo, pode ser tudo, menos agradável. Não dá pra imaginar que os humildes campônios europeus rejeitassem a verdade preferindo ouvir a religião apregoada pela igreja, com suas indulgências, penitências, culto de formas austeras e distantes… A religião reformada que apareceu no final desse tempo não tinha toda essa carga, mas, cá entre nós, também não era muito agradável, já que enfatizava tanto a pureza moral, a distância do padrão “do mundo”.

Amigos, parece que o tempo profetizado por Paulo chegou. As pessoas passeiam por entre as religiões como quem anda num supermercado, escolhendo a que melhor se ajusta ao seu modo de ver as coisas. Cada vez mais, os frequentadores da igreja são confundidos com clientes, ao invés de serem tratados como adoradores. Com cada vez maior frequência se vê gente voltando às fábulas”, construindo seus ídolos à sua imagem e semelhança, evitando a ideia de que existe um Deus justo e amoroso, mas que tem uma lei (física e moral).

Aos que vivem esse tempo, Paulo aconselha: “Tu, porém, sê sóbrio e vigilante, sofre as aflições…” (verso 5). Uma religião sóbria? Vigilante? Disposta a sofrer as aflições? Puxa, mas isso dá uma preguiiiiiiiiça…. Pois bem, o conselho é para o nosso tempo. Como diz o Apocalipse, quem tem ouvidos para ouvir, ouça. E então peça a Deus que o faça ter coragem para ouvir a verdade. Tal como ela é. E em seguida abra a Bíblia.

Marco Aurélio BrasilCoceira nos ouvidos

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