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Compreendendo a razão

Já imaginou o que se passou na mente e no coração de José depois de o anjo tê-lo visitado em sonho e dito a ele que permanecesse com Maria, pois o menino era fruto do Espírito Santo? O que foi ao seu coração naquelas primeiras horas depois que despertou? Nos primeiros dias, quais eram seus sentimentos enquanto se mostrava obediente?

Teria ele compreendido com naturalidade a razão do que estava acontecendo em sua vida? Eram tempos em que se a mulher aparecesse grávida sem ter se juntado ao marido, por certo seria morta. Contudo, porque compreendia que de Sião viria o redentor que retiraria Jacó da impiedade, escolheu lidar com a situação conforme foi instruído.

Maria, por sua vez, vivenciou algo mais extraordinário ainda, mesmo para um judeu naquela época. Esteve face a face com o anjo e sua interação foi o oposto ao que se espera por reação. De imediato ela não fica perturbada pela experiência sobrenatural em si, mas tão somente com as palavras do anjo Gabriel quando este a saúda dizendo que Deus é com ela, chamando-a por bendita entre as mulheres. Relata o evangelho segundo Lucas, que ela ficou pensando no que poderia significar tal saudação. Ato contínuo questionou-o sobre a gravidez, afinal, não havia ainda conhecido seu marido.

Convenhamos, você está preparado, ou no mínimo espera ter um comportamento como esse diante de um anjo?

A ação de ambos se justifica pelo sentido em como aquele povo tinha em sua mente e espírito toda a história bíblica desde Adão, passando por Abraão e chegando a Moisés e profetas subsequentes. Viviam e respiravam a fé em Deus. Aguardavam o cumprimento das profecias, sobretudo a referente ao Messias. Por isso, Maria, ao final da conversa, responde com naturalidade: “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra”. Assim também foi com José. Que se fizesse em sua vida conforme a palavra do mensageiro divino.

Fico me perguntando se reagiríamos da mesma forma, mesmo tendo todo o contexto da obra revelado diante de nossos olhos nas páginas da bíblia, coisa que eles não tinham. Por que algumas vezes não compreendemos as respostas às nossas orações? Em especial se vierem em sentido contrário ao que pedimos? José deve ter orado para ter seu próprio filho com Maria. Ela, igualmente. Mas Deus lhes respondeu à oração de outra forma.

Devemos nos lembrar de que Deus colocou o anseio pela eternidade no coração do homem. José e Maria compreendiam a essência dessas palavras de Salomão, afinal, o clamor de Paulo nos dá uma ideia de como se deixavam guiar naqueles tempos – “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos!”

A eternidade está diante de nós e devemos compreendê-la, nos permitindo transformados e andando pela fé, afinal, aquele subiu aos céus, porque de lá desceu, dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.

Sadi – O Peregrino da Palavra

Sady FolchCompreendendo a razão

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