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Confiar e andar

Talvez o maior desafio para todo ser humano que dá de cara com Jesus e ouve Seu convite à conversão seja admitir ceder o controle de sua vida a Ele. Temos um pavor latente a sermos fantoches, títeres manipulados por outra pessoa. Queremos fazer o que entendemos ser melhor, queremos seguir nosso coração. Admitir que outra pessoa, mesmo que seja o nosso Criador, tenha uma idéia mais sábia sobre o melhor caminho e a melhor atitude para nós, causa urticárias a qualquer um. No entanto, o recado da Bíblia é claro: “Entrega teu caminho ao Senhor, confia nEle e o mais Ele fará” (Salmo 37:5).

É por isso que toda conversão começa com um reconhecimento de insuficiência, ou seja, uma dose cavalar de realismo – aqui confundido com humildade. É por isso que a Bíblia é tão explícita e
contundente ao afirmar que nossa justiça é como trapos sujos, que todos pecamos, que todos estamos destituídos da glória de Deus. Aí está o ponto de partida. Enquanto acreditarmos que somos magníficos, maravilhosos, perfeitos e que nossos erros são só deslizes sem importância, enquanto considerarmos nossas concessões como permissíveis e nos consolarmos com a idéia de que “ninguém é de ferro mesmo”, não vamos precisar de um Salvador.

Eis aí o grande drama de nosso tempo. Ninguém precisa de um Salvador, a menos que esteja em uma situação muito difícil (um viciado em drogas, um miserável, alguém com o coração partido). As
pessoas à nossa volta têm assimilado muito bem o discurso deste século pelo qual o importante é você estar feliz consigo mesmo do jeito que é, o importante é encontrar prazer em tudo, restrições e
temperança são repressão ultrapassada, etc. Enquanto isso Cristo convida. E espera. E acho que chora ante um mundo inteiro tão enganado a respeito de si próprio.

Mas existe um perigoso extremo oposto, também. Lembro de meu último estágio no período da faculdade. Foi em uma repartição pública que até que pagava uma bolsa auxílio razoável, dava para comprar alguns CDs e livros e de quando em quando até uma roupinha. O problema é que ali eu não aprendi absolutamente nada, o trabalho era braçal e automático. Lembrar agora de como desperdicei meu último ano de preparação dá até raiva, eu deveria ter procurado outra coisa logo no segundo, terceiro mês, pedindo a ajuda de Deus para achar. Entretanto, por confiar nEle, eu achava que poderia deixar a maré me levar. Confundi confiança com imobilismo.

Ele pede que entreguemos o caminho mas não paremos de caminhar. É importante desenvolver um espírito de gratidão e estar satisfeito com o que temos, mas a estagnação não é desejo de Deus. Jacó, por exemplo, não se conformou com ser um servo de seu sogro e ser por ele expoliado, ao contrário, encontrou maneiras de reverter a situação sem quebrar o contrato que tinha com Labão.

Eis aí o tipo de exemplo que eu gostaria de dar para as pessoas: alguém que confia e caminha sem parar.

Marco Aurélio BrasilConfiar e andar

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