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Consoladores

Um dia você sofre. Já pensou nisso? A maioria esmagadora das pessoas lida com o sofrimento como se ele fosse um intruso, um corpo estranho no curso de suas vidas, que foram planejadas sem qualquer atenção ao dia em que elas sofrerão. O sofrimento é tratado como algo improvável quando não há nada mais certo: um dia você sofre. “No mundo tereis aflições”, diz Jesus e não há nessa frase
nenhum “talvez”.
Philip Yancey afirma que nas andanças por diversos países do mundo, notou uma tônica bastante diferente nas orações relacionadas ao sofrimento. Enquanto os cristãos de países ricos oram pedindo para que Deus afaste aquela provação, os irmãos de países sofridos pedem forças para lidar com ela.

Nós não vivemos em um país rico, mas absorvemos o estilo de vida deles, o tipo de preocupações, os objetos de desejo, e tudo isso nos molda a sua imagem e semelhança. Por outras palavras, estamos nos tornando despreparados absolutos para a dor, e, como ela é certa, quando chegar tem tudo para nos roubar o chão de sob os pés. Vamos nos confrontar com as velhas perguntas-armadilha: por que Deus permite que soframos? Por que Ele não intervém?

Quando somos crianças e estamos sofrendo, vem a mãe com o remédio na mão e tudo melhora. Se a dor é emocional, ela tem as palavras certas. Temos um tratamento pessoal, individualizado e extremamente eficaz para nossas mazelas e acabamos esperando isso de Deus quando crescemos e de repente o remédio ou as palavras de consolo não estão mais à mão ou não se mostram mais tão eficazes assim. Por que razão Deus não aparece, não diz o que temos de ouvir, e assim podemos continuar nossas vidas em paz? O quê O segura?

Paulo conhecia bem o sofrimento. Viveu todo tipo de privação, foi apedrejado e dado como morto, foi preso duas vezes em lúgubres prisões romanas, experimentou naufrágios, um problema crônico de visão e traição e abandono de companheiros. Em muitas de suas cartas compiladas na Bíblia ele suplica a presença de algum amigo para consolá-lo ou agradece a Deus pelo consolo enviado através de alguém. São dele estas palavras: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para 
podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus” (II Coríntios 1: 3 e 4).

Assim, Deus consola a alguns para que esses alguns consolem outros tantos. A nossa dor nem sempre vai ser resolvida para podermos continuar em nossa vida social com a máscara de alegria constante. Vai ser preciso abrir a guarda, mostrar-nos frágeis, contar a amigos os problemas que passamos, porque ali estará o consolo exato.

Deus arquitetou essa dinâmica porque sabe que é apenas através dessa ajuda mútua que crescemos, que aprendemos com os espinhos do caminho e que nos tornamos aptos a sermos multiplicadores do perdão, da misericórdia e do consolo que um dia recebemos dEle.

Marco Aurélio BrasilConsoladores

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