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Crédulas crianças

A Bíblia fala de um sujeito chamado Calebe que, junto de Josué, deu um relatório favorável sobre as condições de Canaã a Moisés, contrariando os outros dez espiões, que fizeram o povo morrer de medo dos “gigantes da terra”. Ele não era de origem judaica, mas era “filho de Jefoné, o quenezeu”.

Calebe é dessas figuras simpáticas sobre a qual não se fala muito. Depois do relato da espionagem, fala-se bastante em Josué, mas de Calebe necas. O pouco que fala é elogioso.

No capítulo 14 de Josué ele reaparece, depois dum longo silêncio. O povo já cruzou o Jordão e está se espalhando por Canaã. Calebe chega para Josué e fala algo mais ou menos assim: “Josué, lembra o que Deus falou a nosso respeito, quando eu tinha só 40 anos e nós confiamos que Deus poderia nos dar esta terra? Moisés disse que a terra onde meu pé tinha pisado seria minha e dos meus filhos. Bom, passaram desde então 45 anos e eu continuo inteirinho, inclusive para dar umas bordoadas! Me dá o monte sobre o qual Moisés falou. Sei que lá tem umas cidades fortificadas onde moram os anaquins [a Bíblia diz que eram gigantes. Deviam ser uns caras grandes e mal encarados, no mínimo], mas o Senhor vai me ajudar a correr com eles.”

christmas-awe-little-girlDito e feito. O vovô subiu lá só com sua família e botou os tais gigantes pra correr.

Fiquei pensando nessa figura fantástica, filho de um estrangeiro no meio de um povo que já naquele tempo deveria ser um tanto exclusivista, que recebe a missão de andar por uma terra hostil, cheia de ameaças, mas ao invés disso só vê pescoços com a linha pontilhada do “corte aqui”. “Ah, isso tudo é fichinha perto do nosso Deus!” Aí, com 85, ele pensa: aquele monte cheio de cidades fortificadas foi prometido para mim pelo servo de Deus. Logo, Deus o prometeu. Logo, Ele estará comigo para o conquistar. Logo, a terra é minha! Mera questão de… tempo! E ele age conforme pensa.

O tempo em que vivemos desestimula a extrema credulidade; é inteligente quem de tudo desconfia. Mas as Escrituras estão polvilhadas de relatos de gente cuja maior virtude e trunfo estava exatamente na extrema credulidade. Seriam eles burrinhos? Seriam simplórios, ignorantes, inocentes?

A sutil sabedoria estava em que conheciam experimentalmente um Ser tão digno de confiança que, como um bebê que pula nos braços do pai sem nem imaginar a hipótese dele não agarrá-lo, soltam suas vidas em Suas mãos, fecham os olhos e seguem na direção indicada. A sutil sabedoria advinha do grau de conhecimento que tinham do Autor da promessa. Calebe parece uma criança falando “bom, Deus me prometeu, então deixa eu ir lá e dar uma coça naqueles gigantinhos”.

Justamente, uma criança.

“Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como criança, de modo algum entrará nele” (Lucas 18:17). Jesus é quem diz. Uma criança conhece bem o pai porque não tem muito mais gente pra conhecer, no mais das vezes. O convite desse princípio de sábado para você é: apague um pouco o mundo, abaixe o volume do som, da rua, do telefone, das pessoas e ouça a voz de Deus. O segundo passo: reivindique as promessas que receber dEle.

Você vai ver que não há como errar.

Marco Aurélio BrasilCrédulas crianças

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