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Depois da benção

Certo dia Jesus foi procurado por dez leprosos, pedindo-Lhe misericórdia. Ele pediu para eles irem mostrar-se ao sacerdote. Naquela época um leproso só tinha direito de voltar a viver em
sociedade quando o sacerdote atestasse que ele fora curado, hipótese de resto bastante improvável. No caminho eles perceberam que estavam curados, então um deles, que pertencia à desprezada raça dos samaritanos, deu meia volta e, glorificando a Deus “em alta voz” (Lucas 17:15), jogou-se ao chão na frente de Jesus e o agradeceu. A história prossegue dizendo que Jesus observou que apenas um havia sido capaz dessa atitude, então o despediu com uma declaração que valia por duas curas: tua fé te salvou.

Não sei dizer se esse homem será salvo para a eternidade, pois isso dependerá da forma como viveu seus outros dias, mas dá para afirmar com toda certeza que naquele momento ele estava salvo, ao passo que seus companheiros de lepra estavam “apenas” curados. Já era uma grande coisa, claro, mas na escala de coisas boas que podem acontecer a um ser humano, salvação do pecado está em primeiríssimo lugar.

A história revela uma dinâmica padrão de Deus: Ele distribui bênçãos comedidamente, embora Sua vontade pareça ser dar tudo e muito mais. Ele dá aos poucos e observa. O que fazemos com as bênçãos recebidas determina a recepção de novas e melhores alegrias ou não.

Embora curado por Jesus, aquele samaritano deu glórias a Deus, reconhecendo assim que o poder que operava naquele judeu era divino. O gozo das benesses daquela benção poderia ficar para depois; depois ele iria até o sacerdote, depois iria ver sua família, depois retomaria sua vida de volta; naquele momento, o mais urgente era louvar a Deus – e louvar em alta voz, para o mundo todo ouvir – e
agradecer.

Lembro de meus primeiros aniversários, quando meus pais brigavam comigo porque ao receber um presente eu esquecia quem os havia dado e ficava vidrado no papel de presente, querendo logo abrir tudo e descobrir o que é. Somos crianças grandes: pedimos bênçãos a Deus e quando as recebemos damos pulos de alegria – quando não esquecemos totalmente que havíamos feito um pedido, considerando termos dado “muita sorte” – sem atinar em dar-lhe as glórias e a gratidão.

Curioso o paralelo traçado por Jesus. Ele disse ao agradecido ex-leproso que o que o havia salvado fora sua fé. Fé, portanto, é mais do que crer que Deus pode resolver nossos problemas e ir até Ele com esse sentimento. É estar preparado para ao primeiro sinal, louvar a Quem merece todo louvor. A benção na verdade é o pretexto para o louvor. Podemos até dispensá-la, porque a maior de todas já foi garantida na cruz. Que vida sem ansiedade e angústia leva aquele que, assim fazendo, pode ouvir “a tua fé te salvou”!

Marco Aurélio BrasilDepois da benção

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