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Desenvolvimento sustentado

Pouca coisa pode ser mais cheia de surpresas, encantamentos e alegrias do que acompanhar o crescimento de uma criança. Eu já estou na quarta e não canso disso.

No começo eles são aquele pacotinho sossegado que não se manifesta; pouco chora, não aparenta ter vontade nenhuma, só bem de vez em quando dá uma reclamadinha. Ele precisa que a gente faça tudo, claro, e a gente faz: põe de barriga pra baixo na hora da cólica, troca quando a coisa fede ou molha e alimenta (isso é exclusividade da mãe). Alguma interação, só quando eu coloco meu dedo na palma da sua minúscula mão, aí ele fechava um pouco a mão por alguns instantes, meio que por reflexo.shutterstock_127815176

Do estágio pacotinho passamos ao estágio “olha! Eu já sei que você é uma pessoa!” caracterizado por começar a fixar os olhos nos nossos. Acelerando um pouco o processo, chegamos ao estágio em que ele fala. Sim, fala, naquele idioma misterioso dele. Depois de só olhar nos olhos começa a comunicação de fato. Mãozinha nos cabelos, mãozinha no rosto e (glória das glórias!) sorrisos.

O autor de Hebreus compara nossa vida ao lado de Cristo com o desenvolvimento de uma criança. Ele diz que há o tempo de tomar o só leitinho e há o tempo para buscar alimento sólido (Hebreus 5:12 a 14).

Na verdade, toda pessoa que vem a Cristo precisa conhecer a fase “pacotinho”; passar um tempo sendo alimentado e cuidado, sem espernear, sem querer determinar o que comer, aonde comer e quando comer. Muitos não se desenvolvem porque evitam essa fase, querem estar sempre no comando de tudo e confiam demais na sua própria capacidade de determinar que verdade é boa e qual não é, que enfoque é saudável e qual não vale. É absolutamente imprescindível que nós, como seres alijados da glória divina, separados dEle e da Sua paz, nos larguemos pelo tempo que for necessário, só sentindo o calor do Seu abraço; isso faz com que nossas baterias emocionais e espirituais sejam carregadas, isso vai dar energia para, mais adiante, engatinhar.

Mas já podemos olhar nos olhos das pessoas e comunicar-lhes a felicidade, a glória das glórias, nosso sorriso satisfeito de quem conheceu salvação eterna.

Não há virtude em estacionar em qualquer das fases. Aí atrofia-se, interrompe-se o ciclo que quer nos levar “à estatura de homens feitos”. No momento em que sentimos forças para passar ao estágio seguinte devemos nos jogar nele com a volúpia de um bebê que quer conhecer o mundo, as cores, formas, texturas, sabores, temperaturas e cheiros.

Que Deus abençoe seus passos ou suas engatinhadas; ou quem sabe, sua decisão de se jogar nos braços dEle pela primeira vez, para que experimente a delícia de sentir seus pés firmando no chão, sustentados pela mão forte, precisa e infalível do Pai.

Marco Aurélio BrasilDesenvolvimento sustentado

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