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E habitarei no meio de vós

A primeira tentativa de ler a Bíblia pode ser bem problemática. O Gênesis anda bem, tem muitas histórias, embora precisemos confessar que algumas delas são um pouco estranhas. Mas então chega o Êxodo e da metade do livro pra frente é um amontoado de regras e ritos que tornam a leitura muito difícil.

Essas regras e ritos orbitam em torno do santuário que Deus ordenou a Moisés construir no meio do arraial do povo que havia acabado de ser liberto do Egito. A idéia dEle era suprir uma velha carência. Principalmente nossa, mas dEle também. Ele queria habitar no meio de nós.

Muitas das regras e ritos que são passadas a Moisés minuciosamente têm que ver com a preservação desses homens pecadores que de repente estariam vivendo em torno de um Deus santo. Como um grande pedagogo, Deus usa os ritos e formas para ensinar Seus filhos.

Ele traçou as medidas exatas do santuário e quis que houvesse um pátio cercado em torno da tenda do santuário. Nesse pátio, dois móveis: um altar, onde seriam feitos os sacrifícios, e então uma pia,
onde os sacerdotes precisavam lavar-se antes de adentrar a tenda.

Esta tenda deveria sempre ser armada com a porta voltada para o leste. Por que era assim? Quem sabe um recado divino de que, para aproximar-se dEle, o primeiro mandamento era virar as costas para os ídolos e divindades pagãs? O deus maior dos egípcios era o sol (que nasce ao leste, claro). Como em toda relação de amor genuíno, a proximidade das pessoas pressupõe fidelidade. Nesse caso específico, como no amor entre homem e mulher, a proximidade, o “habitar no meio” de nós, pressupunha mais que apenas fidelidade: pressupunha exclusividade. Deus não pode dividir o trono do coração de Seus filhos, porque Deus sabe os efeitos desastrosos que tem a ideia de que a adoração pode ser divida e de que qualquer pessoa ou coisa fora dEle pode ser digno dela.

Aproximar-se de Deus, rumar na direção dEle, é desvencilhar-se de tudo o que disputa lugar com Ele em nossos afetos. Muitas vezes essas coisas continuam atraindo nossa atenção, como Sodoma em chamas atraiu os olhares da mulher de Ló, mas a Sua promessa é de que Ele opera em nós o querer não amar mais nada além dEle e o efetuar essa vontade. A promessa é de que ao aproximar-nos dEle, ao contemplarmos a beleza de Seu caráter e a extensão infinita de Seu amor, essas outras coisas perderão o brilho naturalmente. Nosso trabalho é, portanto, ir.

Há muitos mais recados divinos escondidos nessa porção aparentemente inóspita da Bíblia e eu gostaria de comentar com vocês. Fica pra semana que vem.

Marco Aurélio BrasilE habitarei no meio de vós

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