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Fale dela

Após os incidentes envolvendo revoluções em presídios e ataques terroristas orquestrados pelo crime organizado em São Paulo, acaloradas discussões tem sido mantidas em todo canto. O curioso é
que na opinião da maior parte das pessoas que escuto, o verdadeiro vilão da história não é o crime organizado, nem o governo, mas “aquele povo dos direitos humanos”.

De uma forma geral, contudo, assegurar direitos universais do homem parece uma coisa boa. Sempre que assistimos a um filme que trata de racismo ou do holocausto perpetrado na II Grande Guerra, respondemos com indignação. Portanto, ao manifestarmos ódio aos que pregam tais direitos por aqui, estamos dizendo que são direitos muito bons se para defenderem os negros do sul dos EUA e da África do Sul ou os judeus da Europa, mas não se aplicam a quem nos incomoda aqui.

Alguns poderiam dizer que não se pode comparar negros e judeus a criminosos, e de fato a comparação é injusta. Por favor, entenda que estou opondo dois grupos que em algum momento da história recente foram tidos como indignos de serem considerados seres humanos, com um grupo que boa parte da opinião pública de aqui e agora deseja tratar como menos que gente.

Afinal de contas, somos favoráveis aos direitos humanos ou não? Nossa defesa deles não resiste ao momento em que alguém nos incomoda?

Desculpe, estou usando este exemplo mas a intenção não é falar de direitos humanos propriamente ditos. Estou falando daquilo no que cremos e nas raízes de nossas crenças. Por que cremos no que cremos? Por que defendemos este ou aquele estilo de vida em detrimento de tantos outros? Por que nossa fé aponta nesta direção e não naquela ou em tantas outras direções possíveis? Ela resiste a algum incômodo? Se alguém opõe uma ressalva a algo que temos como um axioma principiológico, nossa fé vacila e cai?

Só há um meio de conhecer os fundamentos reais de nossas crenças: falar delas. Whitaker Penteado diz que “começamos falando o que pensamos e acabamos pensando o que falamos”. É preciso verbalizar, passar adiante, ensinar, para aprender. Nesse exercício as ideias tomam corpo, se encaixam, sedimentam e adquirem a consistência necessária para resistirem às tempestades.

Portanto “Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15) “e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da 
esperança que há em vós” (I Pedro 3:15).

Marco Aurélio BrasilFale dela

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