Últimas Publicações

Fide

Na semana passada comemoramos os 500 anos da Reforma Protestante, apontado como o mais importante fenômeno responsável pelo fim da idade média e como o originador de ideias hoje caras até mesmo nos meios seculares, como a separação entre igreja e Estado, o movimento de defesa dos direitos humanos, as lutas contra racismo e sexismo, a ética do trabalho (Weber tem um trabalho magistral sobre esse ponto) e o impulsionador-mor do incentivo à leitura e à educação (bastando para confirmar isso comparar o desenvolvimento econômico das nações que abraçaram a Reforma com as demais no mundo ocidental). E no epicentro de toda essa revolução, está uma frase de cinco palavrinhas: “o justo viverá pela fé” (Romanos 1:17).

Foi esta a frase que veio como um raio à mente de Lutero enquanto ele subia aquela escadaria da Basílica de São João Latrão em 1511, fazendo com que ele se levantasse no meio da penitência e descesse envergonhado por ter estado tentando de alguma forma melhorar ou completar o sacrifício perfeito e acabado que Jesus havia feito em seu favor na cruz. Aquele insight foi que fermentou e, iluminado pelo estudo diligente da Bíblia e muita oração, desaguou nas 95 teses que pregou na porta da catedral de Witemberg em 31/10/1517.
Portanto, bem no centro do 5 solas da Reforma protestante, uma vez estabelecido o sola scriptura e o sola gratia, está o sola fides. Somos justificados pela fé e salvos pela graça. Ou nas palavras de Ellen White, “se alguém pode merecer a salvação por alguma coisa que faça, encontra-se, então, na mesma posição que os católicos para fazer penitência por seus pecados. […] Se o homem não pode, por qualquer de suas boas obras, merecer a salvação, então ela tem de ser inteiramente pela graça, recebida pelo homem como pecador, porque ele aceita a Jesus e crê nEle. A salvação é inteiramente um dom gratuito. A justificação pela fé está fora de controvérsia.” (Fé e Obras, p. 17).
 
Por aí se vê que teoricamente o sola fides é agasalhado na íntegra pelos adventistas e com isso estabelece-se que a única coisa que é requerida do ser humano para ser considerado salvo e filho de Deus é a fé. A fé é o braço que se apropria da graça e a traz para si. A fé torna eficaz ao que crê a salvação que Cristo já completou na cruz e o que vem na sequência, do jeito e no tempo dEle, é obra do Espírito de Deus em nós. 
 
Por que então relutamos tanto em tratar como irmãos aos que manifestaram crer? Por que só o fazemos quando essas pessoas respondem “sim” a uma dezena de perguntas e esperamos ver conformações comportamentais para aí as recebermos?
 
Ao atrair a lupa do evangelho para nossa prática religiosa, concluímos sem qualquer sombra de dúvida: precisamos de uma nova reforma urgente, para que nossa teoria se faça prática.
Marco Aurélio BrasilFide

Artigos Relacionados