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Hoje concluímos essa série de reflexões sobre os cinco lemas da Reforma Protestante e como nossa prática religiosa pode desdizer aquilo em que professamos crer. Olhando especificamente para o contexto em que estou inserido, a igreja adventista do sétimo dia, consegui identificar problemas com cada um dos quatro primeiros lemas. Temos problemas com o sola scriptura quando baseamos nossas crenças mais nos escritos de Ellen White do que na Bíblia. Temos problemas com o sola gratia quando afirmamos que certas atitudes são essenciais à salvação. Temos problemas com o sola fide quando adicionamos à fé, a única coisa que é requerida do ser humano para salvação, atitudes e comportamentos, quaisquer que sejam eles. E temos problemas com o solus Christus quando pensamos que de alguma forma nossos esforços por perfeição melhoram o sacrifício perfeito e acabado que Jesus fez na cruz. Ok, mas será que temos problemas com o soli Deo gloria, o último lema da Reforma?

Soli Deo gloria significa que toda glória pertence somente a Deus. E essa palavra, “somente”, é categórica. Crer no soli Deo gloria significa que Deus, e só Ele, pode ser glorificado por qualquer coisa certa, justa e boa que nós venhamos a fazer depois da salvação. É Ele quem opera o querer e o efetuar. 

Soli Deo gloria, portanto, como os outros três solas da Reforma que vêm depois do sola scriptura, está diretamente conectado à mensagem de salvação pela graça mediante a fé que revolucionou o cristianismo e o mundo e que está em perfeita consonância com o discurso e a prática de Jesus Cristo.

Adventistas têm problemas com isso? Bem, especialmente nesse último lema da Reforma, a verdade é que todo ser humano tem problemas com isso. Temos dificuldades congênitas em deixar que outra pessoa seja glorificada por algo que nós fizemos. De todos os ensinamentos de Jesus, talvez o mais radical e difícil, logo depois do mandamento para perdoar incondicionalmente qualquer pessoa, é Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita” (Mateus 6:3). Essa nossa sede por validação, reconhecimento e admiração nos distancia da pureza do evangelho do Reino. Se, tentar matar essa sede, bebermos da água viva dEle diariamente, o poder dEle, para glória dEle, tornará a luta contra o eu possível e, mais que isso, uma vitória certa.

Que a Reforma continue em cada um de nós e vá realmente até suas últimas consequências.

Marco Aurélio BrasilGloria

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