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Guardadores de irmãos

Há na Bíblia uma série de perguntas intrigantes de Deus. Hoje eu estava lembrando não exatamente de uma dessas intrigantes perguntas de Deus, mas da emblemática resposta de um homem a uma dessas perguntas.

A pergunta era esta: Caim, cadê o teu irmão? Pergunta intrigante, sem dúvida alguma, já que Caim havia acabado de matar a Abel e Deus sabia muito bem disso. Deus, com essa pergunta, levou Caim a ser confrontado com toda a barbaridade de seu ato. Mas o que ele respondeu? Ele retornou outra pergunta: “Acaso sou eu guardador do meu irmão?”
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Bela pergunta! Responda você: Caim era? Era guardador do irmão dele? Deveria saber onde Abel estava, o que fazia, se estava bem? Ele quis sair de fininho da sinuca em que o Senhor o havia posto, justificando sua “ignorância” a respeito do paradeiro do irmão com a desobrigação de cuidar dele e eu noto que o “por acaso eu sou guardador do meu irmão?” tem ecoado pelos séculos afora, repetido por mim mesmo e pelos meus semelhantes todo santo dia.

Responda você: você é o guardador do seu irmão?

Quando quis pintar-se a Si mesmo em tintas humanas, Jesus usou a imagem de um pai que todo dia passa horas perscrutando uma estrada deserta, a ver se seu filho volta. Ele é este, em contrapartida ao próprio filho, que despreza o convívio familiar e também ao outro filho, que menospreza o momento da recomposição do núcleo familiar. A despeito de haver dito que quem não largasse a família para segui-lO não seria digno de Seu reino (com isso querendo dizer que o Seu reino deveria ser prioridade absoluta), antes de expirar Ele se preocupa com o bem estar da própria mãe. Não perde tempo, em meio à profunda agonia de Sua paixão, fazendo um novo discurso, relembrando algo que houvesse dito ou apontando a profecias que em Si se cumpriam, mas faz questão de advertir a João que não esqueça de Maria.

Deus concedeu a cada um um tesouro fenomenal chamado família, algo a ser guardado, protegido, algo por que desvelar-se, mostrar o maior zelo possível, e no entanto damos de ombros e saímos com essa de “por acaso sou guardador do meu irmão?” Nós nos guardamos sob rótulos de atividades que cada um tem e ficamos sempre aquém disso. Na família nos moldes antigos, o pai é o provedor – e só – a mãe é a trabalhadora braçal – e só – o filho é o que tem que passar de ano e procurar não quebrar nada – e só. Entretanto, a família é o que temos de mais precioso e nos cabe preocupar-se substancialmente com o bem estar dos seus integrantes, algo que vá além do bem estar físico, que atinja o campo sentimental, emocional, social, buscando constantemente formas de ver os seus realizados, satisfeitos.

Digo isso porque essa velha instituição tem sido bombardeada de tudo que é lado. A mídia é a responsável pela artilharia pesada, que abre os maiores estragos, os rombos mais danosos. O corre-corre do dia-a-dia faz as vezes de infantaria, minando o que sobrou.

Houvesse genuíno interesse de parte a parte com o bem estar de todos, acho que não veríamos tanta aberração, tanta separação, tanto desinteresse, tanta solidão.

Marco Aurélio BrasilGuardadores de irmãos

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