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Guerra e Paz

guerra-e-pazO que poderia livrá-lo daquele desencanto geral? Seu rosto expressava tamanho abatimento, que era nítida a tradução de sentidos entorpecidos. Parecia que nada poderia movê-lo daquela apatia. Não havia brilho nos olhos, tampouco lágrimas. Seu estado nem mesmo denotava uma tristeza profunda, condizente à situação. De repente, ele passa a mão sobre o seu rosto e olha para a palma ensanguentada. Nem isso o fez mudar seu semblante. Apenas cinco anos de idade e a vida não tem sentido.

O que será ele espera da vida? Com tão pouca idade e nenhuma referência de alegria, ele talvez nem mesmo saiba o que seja sorrir. Naquele instante se potencializa nele o acúmulo de sentimentos distorcidos e confusos, resultado daquilo que entende por realidade. É onde vive e tudo o que tem. Um mundo caótico e violento. Injusto e desequilibrado. Alguns os homens de sua comunidade surgem para acudi-lo. Esse é o seu ambiente desde que Omran nasceu em 2011, ano em que começou a guerra na Síria.

O que difere a vida de muitas pessoas ao redor do mundo à de Omran é apenas a forma como a violência se instala e desenvolve, respeitadas, é claro, as devidas proporções. Quanta gente anda pelo mundo sem brilho nos olhos, com os sentimentos confusos, algumas vezes causados por seus pares, outras por desconhecer outra realidade. Mesmo aos que conhecem a riqueza das escrituras e delas puderam beber água limpa um dia.

Muitas das guerras que assolam nossas vidas estão instaladas dentro das igrejas, nos lares, nos governos, nas escolas e universidades, sustentadas por munições como desprezo, ciúme, rancores, orgulhos e vaidades. O homem tem maltratado a si mesmo quando age dessa forma em relação ao seu próximo. Os conhecedores do evangelho, sobretudo, não deveriam agir de outra forma senão unindo-se ao seu próximo, por ele se preocupando e a ele amparando. Mas essa não é a realidade, e por isso mesmo também de maneira distorcida, não raro o evangelho é desacreditado, a fé se esfria e a igreja que é o corpo de Cristo deixa de cumprir sua missão, que é a de amparar uns aos outros.

Cumpre ressaltar que a razão do evangelho é o encontro com Cristo e a volta aos caminhos do Eterno, contudo, é diante do homem que vivenciamos a sua prática, efetivando o conhecimento que dele se depreende. Pouco ou nada podemos fazer para que guerras como a que assola a Síria possam cessar, no entanto, muito podemos a partir de nossas comunidades, permitindo que transformações se deem de dentro para fora, alcançando nossos irmãos que por um motivo ou outro se encontram apáticos, confusos, e repletos de sentimentos totalmente diversos aos resultantes de uma vida entregue aos caminhos do evangelho. O que dirá então àqueles que nem mesmo conheceram esse resgate.

Amar sem julgar, de forma incondicional, é o que nos resta. E que Deus nos ajude, pois nele podemos todas as coisas, inclusive cessar as guerras internas e externas. Que a paz do Senhor esteja com todos ao longo desta nova semana, proporcionando transformações para um mundo melhor.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

 

Sady FolchGuerra e Paz

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