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Ilegítimas defesas

Pessoas. Eis aí a fonte de nossos maiores traumas. São elas que nos deixam embaraçados; elas que parecem nos olhar como quem nos julga todo o tempo; elas que exigem de nós, desde muito cedo, atitudes frequentemente contrárias à nossa real vontade. Pessoas nos machucam muito fundo. São pessoas que nos rejeitam. São pessoas que nos ignoram. São pessoas que nos perseguem, atazanam, pressionam, subjugam. Desde muito cedo aprendemos, então, a definir pessoas como coisa perigosa.

Para nos protegermos e evitar toda sorte de dores acima e outras tantas, desde muito cedo é que aprendemos a arte dos rótulos. Portamo-nos para com elas de forma análoga à que adotamos andando por entre as gôndolas de supermercados. Olhamos os produtos, batemos o olho nos rótulos e não precisamos experimentar o conteúdo para saber que gosto ou utilidade tem.
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A diferença é que com as pessoas nós mesmos rotulamos. “Experimentar” pessoas, você sabe, pode ser muito, muito perigoso. Então, evitamos isso de forma muito acomodada e confortável, batendo o olho nelas e tacando algum rótulo que justifique nosso afastamento. Sempre em “legítima defesa”, of course. É melhor utilizarmos rótulos genéricos, tais como “ultrapassado”, “moderninho”, “cafona”, “japa”, “preto”, “playboy”, “branquelo”, “pé rapado”, “crente” e por aí afora, do que nos expor a riscos desnecessários.

Acontece que aquilo que é fonte de nossos maiores traumas é também a fonte de nossas únicas reais alegrias. Melhor colocando: é a fonte de nossas maiores alegrias. Já tive ocasião de escrever sobre o tipo de alegria do Céu, que é, basicamente, pessoas, relacionamentos. E os vislumbres que podemos ter da alegria eterna já aqui nesta Terra estão relacionados com pessoas.

Jesus odiava rótulos. Buscava a salvação de fariseus e prostitutas, indistintamente. Andava entre uns e outros com a mesma desenvoltura e lançando sobre todos o mesmo olhar transbordante de amor. Isaías 53:11 diz que, vendo o fruto de Seu trabalho, ou seja, vendo pessoas, pessoas redimidas, Jesus fica satisfeito. Ele sorri ao ver pessoas e espera languidamente que elas olhem para Ele. Lendo os evangelhos eu aprendo que nós podemos deixar passar muitas das maiores alegrias dessa vida, por puro preconceito. Por vaticinar que dessa e daquela pessoas não há de sair nenhuma coisa boa, antes mesmo de “experimentá-las”.

Entre aprender e praticar vai um longo caminho e peço a Deus que me ajude a trilhá-lo. Quer vir comigo?

Marco Aurélio BrasilIlegítimas defesas

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