Últimas Publicações

# Imagem e semelhança

Depois que o conclave da Igreja Católica escolheu seu novo papa, tenho ouvido opiniões diversas a respeito de Francisco I, ou como ele próprio prefere ser chamado, Francisco. Segundo as reportagens realizadas, aqueles que conviveram com ele durante sua vida eclesiástica, e mesmo o rebanho portenho, todos afirmam que sua principal característica é a simplicidade diante das necessidades materiais, tendo estado, inclusive, sempre muito próximo ao povo a fim de conhecer suas necessidades. Segundo consta, também a humildade o define, pois entende ele ser esta uma particularidade marcante de Cristo, e dessa forma tem buscado ao longo de sua vida entender e viver o ministério e a salvação revelados pelo Mestre.

As opiniões que não têm se mostrado muito positivas tendem a um julgamento externo, por meio de valores que nada representam para a vida voltada a Cristo. Mesmo obedecendo a alguns limites que lhe são impostos pelo cargo de ser o bispo de Roma, as primeiras decisões que ele tomou para manter a coerência com seus hábitos simples que sempre cultivou, a exemplo do momento em que dispensou as vestes talares usadas para a sua apresentação ao povo, ou mesmo o crucifixo de ouro e a limusine papal, em favor de substitutos mais simples, foi para alguns algo que não agradou, pois acreditam que sejam heranças centenárias, verdadeiros tesouros que devem ser mantidos pelo que representam.

Trago este contexto a lume não para aprovar ou desaprovar as atitudes que dizem ao seu respeito, pois só Deus conhece o coração do homem e suas intenções, mas o faço para ressaltar uma passagem de Paulo, utilizada nestes dias pelo pastor Fabiano Mendes ao endereçar-nos um chamado que, mesmo simples e com poucas palavras, creio se tornou alimento e meditação profundos para a igreja esta semana. Escreveu ele que ao observar as pessoas em nossa comunidade e perceber suas buscas por respostas, isso o fez entender a necessidade que teve o apóstolo Paulo quando advertiu aos primeiros convertidos de que somos todos vasos de barro, sem nada de especial em nós mesmos. Ou seja, nada podemos, somos ou entendemos sem a presença das mãos do Oleiro em nós.

A dependência do poder de Deus em nós é o que nos constitui a cada dia mais conscientes da obra feita em nosso favor, qual seja a salvação por meio da cruz de Cristo, tanto quanto é ela que nos conduz à transformação da mente e espírito para a realidade do reino de Deus, e o percurso que nos leva até Ele. Hoje não é apenas a igreja de Roma que vive dependente do poder mundano que criou em torno de si, a ponto de se assustar quando seu dirigente resolve ser mais parecido a Cristo. Também protestantes e evangélicos têm se mostrado pendentes a esperar por um poder que está diametralmente distante da cruz de nosso Senhor e Salvador.

O mundo exerce um poder bastante manipulador, e que não poucas vezes nos confunde, ainda mais dentro das igrejas com suas doutrinas de homens que tornam a verdade em sofismas, e por isso, como bem afirmou o pastor Fabiano em sua chamada à realidade do que seja existirmos como igreja (corpo de Cristo), o cristianismo vive debaixo de uma crise, que a meu ver, diria ser quase institucional.

Para entendermos as respostas que buscamos, ou atingirmos a consciência do que seja viver o agora com Jesus como único intercessor entre nós e o Pai, a fim de atingirmos o alvo que é a nossa salvação pela eternidade, coisas simples precisam ser feitas. Ler, meditar e se deixar transformar apenas pela Palavra de Deus, e orar; orar sempre por meio da Palavra para que mediante a dependência e a obediência a Deus, sejamos transformados em Seus vasos de honra, a conterem mais do que todo ouro e joias de reis e príncipes que se foram um dia; mas, a conterem a certeza da eternidade com o Pai e todo seu reino.

Shabbat Shalom

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Imagem e semelhança

Artigos Relacionados