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Inteligência artificial

E depois da impressionante revolução causada pelo advento da sociedade da informação, o pânico apocalíptico tem a ver com o advento da revolução da inteligência artificial. Dizem que minha profissão (sou advogado) será uma das primeiras a sofrer um enorme baque, já que uma inteligência artificial conectada à Internet poderá fazer um trabalho muito mais rápido e preciso que qualquer advogado. Da mesma forma muitas outras ocupações tradicionais estariam em xeque, nem a medicina fica de fora. E, para muito além da simples perda de empregos, teme-se o que algo praticamente onisciente pode fazer sem o elemento humanidade a conduzir suas ações.

Grandes e boas ficções científicas têm a inteligência artificial como um vilão sinistro do futuro. Em “Exterminador do Futuro”, “2001 — Uma odisseia no espaço”, “Alien, o 8o passageiro”, “Neuromancer”, “Ex-Machina” e tantas obras importantes da cultura recente, a inteligência artificial é um grande vilão, seja porque se convence de que a humanidade faz mal ao planeta, seja porque tem uma visão muito pragmática do valor (ou falta de) de uma vida humana.

A pergunta que me faço honestamente é: a inteligência artificial é mais temível do que a inteligência natural? Existe algo na nossa humanidade que nos faz menos temíveis que uma inteligência sem esse algo?

Em “Memórias póstumas de Brás Cubas”, Machado de Assis afirma que “o homem, ainda a engraxar botas, é sublime”, e é verdade. Contudo, não se pode fechar os olhos para o gigantesco lado obscuro da humanidade. Em um dos mais memoráveis diálogos de “Irmãos Karamázovi”, os personagens de Tolstoi estão enumerando casos de atrocidades medonhas, crimes de guerra, atos de crueldade coletiva absurdos, quando um deles conclui: “Penso que, se o diabo não existe, e por conseguinte foi criado pelo homem, este deve tê-lo feito à sua imagem e semelhança”. Davi parecia concordar com isso. Quando ele convocou um censo militar em Israel e isso desagradou a Deus, entre ser derrotado por seus inimigos e sofrer uma praga, ele prefere a praga, explicando mais ou menos assim: “qualquer coisa, menos cair nas mãos dos homens”.

É que o que há de sublime no homem, Machado, meu querido, foi emprestado por Aquele à imagem e semelhança de Quem ele foi criado. E esse algo parece estar cada dia mais fraco. Honestamente, tenho razões de sobra pra descrer que uma inteligência desumana seja mais temível do que tem se mostrado a inteligência humana.

A Bíblia diz que há algo de podre no reino dos homens (sim, mesmo nos homens da Dinamarca!). Temos razões históricas suficientes para desconfiar dessa humanidade que tememos se esvair. Se formos honestos por um minuto, teremos iguais razões para chegar à mesma conclusão olhando para nossa experiência pessoal, para nossas próprias escolhas e para nossa agenda mais oculta. E quando concluo assim, não estou advogando em favor da inteligência artificial, mas da humanidade humilhada perante seu Criador suplicando: “toma as rédeas, Pai, porque se eu comandar os meus caminhos eles poderão dar em destruição e morte”.

Duvide da pessoa no espelho. Confie na Pessoa na cruz.

Marco Aurélio BrasilInteligência artificial

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