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Jesus Cristo, ato III: maravilhas

Está lá. Em cada um dos quatro evangelhos. Ele curou um homem com a mão atrofiada. Ele transformou água em vinho. Ele curou um paralítico de nascença, alguns cegos, alguns leprosos, multiplicou uns poucos pães e peixes a ponto de alimentar uma enorme multidão e sobrar comida e trouxe mortos de volta à vida. O terceiro ato desta composição sobre Jesus é refletir um pouco nos atos maravilhosos que a Bíblia diz que Ele fez, os milagres.

A modernidade não se sente confortável com milagres. Tentaram explicar o rio que se transformou em sangue como um fenômeno causado por algas, o Mar Vermelho aberto como um fenômeno meteorológico e outras coisas do gênero. O Museu Smithsonian, em Washington, DC tem o evangelho que Thomas Jefferson usava para ler. Ele é menor do que os normais, porque cada menção a um milagre havia sido removida. Jefferson gostava do mestre moral mas ficava embaraçado perante o fazedor de milagres. Há algo de profundamente perturbador em aceitar que os milagres podem ter acontecido de fato.

milagres

Existe uma discussão filosófica sobre milagres. Seriam eles subversões de leis da Física ou o emprego das próprias leis de maneiras que nós não conhecemos? Independente da ideia que lhe pareça mais adequada, o fato é que estão lá, na Bíblia toda e nos evangelhos em particular e se você não quiser usar uma tesoura, como Jefferson, se quiser ser intelectualmente honesto e aceitar a Bíblia como ela é, vai ter de refletir na razão pela qual uma das principais características do Cristo foi fazer milagres.

E apesar de serem numerosos, qualquer um reconheceria que eles são a exceção à regra, e nunca foram realizados como um show de mágica para pasmar a multidão. Como Philip Yancey escreveu em O Jesus que eu nunca conheci:

Sim, Jesus realizou milagres – cerca de três dúzias, dependendo de como os contemos – mas os evangelhos na realidade não os destacam. Com frequência Jesus pedia aos que vissem um milagre que não o contassem a ninguém mais. Alguns milagres, como a Transfiguração ou a ressurreição da menina de doze anos de idade, ele permitiu que apenas os discípulos mais íntimos presenciassem, com ordens estritas para que não os divulgassem. Embora nunca se negasse a alguém que pedia cura física, sempre se recusou a atender pedidos de demonstração para maravilhar as multidões e impressionar pessoas importantes. Jesus reconheceu logo que a empolgação gerada pelos milagres não se convertia rapidamente em fé transformadora de vida.

João, o apóstolo, apontou a razão pela qual os milagres são registrados nos evangelhos: “Jesus realizou muitos outros sinais na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:30).

O propósito dos milagres, portanto, é nos faz crer. Porque essa é a nossa principal necessidade. Crer. E então confiar nEle.

Curiosamente, crer parece ser um pré-requisito para os milagres. Cada milagre que Jesus fez foi precedido por uma demonstração de fé em relação à meta do milagre. “Vá em paz, a tua fé te salvou” – foi a fórmula que Jesus repetiu antes de quase todo milagre.

A coisa parece funcionar desta forma: nós lemos sobre os milagres que Ele fez – então nós acreditamos -, então somos capazes de ser alvos de milagres também. E o primeiro milagre é este: confiar nele, e ser salvo por Ele.

Agora mesmo você está sendo confrontado (talvez pela quingentésima vez na vida) com a pergunta: vou crer que aquele homem realmente andou sobre as águas, que Ele realmente ressuscitou mortos e multiplicou os pães?

Admitir que as maravilhas aconteceram de fato é o primeiro passo para reconhecer que Ele está vivo, interessado em você. E com o mesmo poder em Suas mãos.

 

Marco Aurélio BrasilJesus Cristo, ato III: maravilhas