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Mais coisas que a distância faz com o relacionamento

Os pronomes possessivos na parábola do filho pródigo* são chave para sua compreensão. O pai que age de uma forma inesperada e surpreendente para com o filho que partiu explica sua atitude dizendo: “este meu filho estava morto e reviveu”. Ainda que pródigo, desrespeitoso, cruel, ele o via como seu filho. Bem, na sequência vamos encontrar o filho mais velho, também desrespeitoso, também deixando claro que não dava a mínima para os sentimentos do pai, fazendo um discurso mimizístico de como se sacrificou a vida toda sem ganhar nada em troca e termina assim: “…vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para o bezerro cevado” (Lucas 15:30).
Note que o filho mais velho não menciona o seu irmão. Menciona o filho do pai. Na cabeça dele, ao dar uma banana para o pai e para sua casa, com tudo o que ela simboliza, aquele rapaz havia deixado de ser seu irmão. Igualzinho eu faço quando vejo as pessoas que deram uma banana para Deus e Sua casa. Eles vão longe, ficam diferentes, adquirem um cheiro diferente, um sotaque diferente, uma escala de valores que eu simplesmente não entendo e que me escandaliza. Não quero esse tipo de gente na festa do pai. E é curioso, porque irmãos não podem deserdar irmãos, apenas o pai pode deserdar um filho.
Mas na parábola o pai corrige com muito amor o filho mais velho, aquele que acha que tem direito a um tratamento diferenciado pelo fato de ter feito tudo como manda o figurino. “Era justo alegrarmo-nos e festejarmos, porque este teu irmão estava morto e reviveu…” (verso 32).
Assim como o Pai se recusa a deserdar o filho rebelde, Ele reprova com amor quando eu, que não tenho legitimidade para o fazer, faço.
O que mostra claramente que, da perspectiva do Pai, a distância não afeta em nada o relacionamento. E, que sendo objeto de um tal amor, eu sou desafiado a  também não permitir que haja variação no meu julgamento de meus irmãos. Mesmo os esquisitos.
*concordo com Timothy Keller que esse nome é inadequado. Ele sugere “parábola dos dois filhos perdidos”
Marco Aurélio BrasilMais coisas que a distância faz com o relacionamento

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