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Não há pessoas más

Um amigo adventista das terras de África me apresentou nesta sexta uma frase que afirmava o seguinte: “as pessoas não são más, tão somente estão perdidas”. Não há dúvida de que seja uma frase que demonstre a visão de quem acredita no amor, na compaixão, sobretudo em uma segunda chance. Se partirmos de um contexto em que a maldade fora exercitada, e havendo uma chance para um aconselhamento profundo e paciente, é possível levar com que o autor da ação enxergue seus atos maus, as consequências deles decorrentes e assim se arrependa, transformando-se.

É uma atitude nobre, convenhamos, ao que bastaria conceituá-la por cristã. A propósito, como discípulo de Cristo você se permitiria estender a mão a quem lhe faça uma maldade? Afinal, não diz o mandamento que devemos amar nossos inimigos e orar por quem nos persegue? E tendo a oportunidade de expor um viés positivo, transformador, a quem se mostre pautar por atos de maldade, você o faria? Lembre-se do que disse Paulo: “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”. Ao mesmo tempo, destaque-se o que se encontra escrito na carta aos Hebreus, segundo o Eterno Deus: “Porque Eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados”.

Uma coisa é preciso que se diga. A cada ato, sua responsabilidade. Se a maldade faz com que uma vida se perca, um bem seja tomado injustamente, tal ato, por certo, deve ser reparado pela justiça. Contudo isso não quer dizer que o agente deva ser deixado fora do alcance de atitudes que possam transformá-lo. Há quem se valha de especialidades como a psicologia para reparar tal caráter. Um bom caminho a ser apresentado ao homem mau, depois da revelação do caráter e da missão de Jesus Cristo, é o conteúdo do sermão da montanha. Há ali razões o suficiente para se manter um diálogo profícuo, em que pese boa parte dos homens “bons” desconsiderá-lo. Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.

Importa sabermos que mesmo que todos nasçam pecadores, e segundo as escrituras citadas por Paulo não haja um justo sequer, nem todos se tornam maus. A maldade, sabemos, pode advir de um desvio de caráter, contudo pode ser apenas uma reação do indivíduo diante do mundo, motivado pelo que possa ter vivenciado em seu passado. Um filho, por exemplo, que passou a infância e/ou adolescência apanhando, sendo injustiçado ou mesmo renegado por seus pais, pode muito bem reagir dessa forma quando adulto.

A maldade pode ser uma atitude com a qual a pessoa desconte no mundo algo que no passado tenha lhe atribuído dor e sofrimento profundos. Identificada tal limitação, é preciso trabalhá-la, mostrando o quanto a vida pode ser boa e o bem deve ser praticado, sem olhar a quem, pois até mesmo indivíduos maus podem estar sofrendo e precisando de um ato de bondade para que se transformem, encontrando-se como pessoa humana. Pensemos nisso. Feliz sábado.

Sadi – O Peregrino da Palavra

Sady FolchNão há pessoas más

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