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O milagre

Quando Paulo foi preso e envolvido numa conspiração política, teve a oportunidade de falar para as maiores autoridades da Palestina de então. Certa vez, o governador Felix e sua esposa o chamaram para que ele explanasse sua curiosa teologia. Extremamente curioso é o resumo que Lucas, o autor do livro de Atos, fez da pregação que Paulo lhes fez: “E, discorrendo ele sobre a justiça, o domínio próprio e o juízo vindouro…” (Atos 24:25). Justiça e juízo vindouro são elementos fáceis de se encontrar em uma pregação cristão, mas domínio próprio?

Nossa geração tem um problema sério com domínio próprio e a epidemia de obesidade está aí para não me deixar mentir. Não só ela, mas os números de mortos nas estradas a cada feriado, a questão da gravidez adolescente, a falência da instituição familiar e outros tantos distúrbios. Até mesmo a redução de acidentes pela aplicação de uma lei mais severa com o consumo de álcool e a direção o comprovam.
fat boy
Corolário da ética evolucionista, não faz muito sentido privar-se de um prazer por um imperativo moral qualquer, já que moral é algo artificial, inventado. Essa ética é mais palpável na questão do sexo. Já que somos animais e que o instinto sexual está associado exclusivamente a um impulso procriador, já que o macho, para procriar melhor, deve espalhar seu sêmen o mais que puder, já que a monogamia é uma criação artificial, cultural, não faz sentido não ceder aos impulsos e privar-se de sexo.

O triste para quem não partilha desse ética por não se sentir tão animal assim, mas criado à imagem e semelhança de Deus, é que não partilhar dessa escala de valores é visto como sendo inapetência ao próprio sexo. Em outras palavras: não querer ter relações com o maior número possível de parceiros ou pelo menos com alguns parceiros variados parece, aos olhos de quem assim o faz, como aversão ao sexo ou automutilação. Quando a verdade é o oposto. Advogar que se tem o direito de fazer sexo com várias pessoas é desprezar, é diminuir o valor dessa dádiva divina. O sexo é algo tão bom que nós, criaturas que o temos, deveríamos pasmar pelo simples fato de o ter.

Chesterton o disse assim: “Eu nunca consegui envolver-me no burburinho geral daquela nova geração contra a monogamia, porque nenhuma restrição ao sexo parecia-me tão estranha e inesperada quanto o sexo em si…. Queixar-me de que eu só poderia casar-me uma vez era como queixar-me de ter nascido uma só vez. Era algo desproporcionado em relação à terrível emoção de que se estava falando. Aquilo mostrava não uma sensibilidade exagerada, mas sim uma curiosa insensibilidade ao sexo. Louco é quem se queixa de não poder entrar no Éden por cinco portas ao mesmo tempo. A poligamia é a falta de realização do sexo; é como quem apanha cinco peras de uma só vez num mero gesto de insanidade”.

Quem é grato pelo milagre da existência não abusa dela. Ela é brilhante, cheia de encantos e prazeres, mas é frágil. E nosso Criador nos deu a liberdade de tratá-la como quisermos. Se não a
destruirmos, Ele garante que a teremos pela eternidade afora.

Marco Aurélio BrasilO milagre