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O preço

Para uma criança pobre pode ser motivo de perplexidade ver os brinquedos de uma criança rica. Brinquedos que a ela pareceriam o supra-sumo do gozo, que ela sonharia febrilmente em ter, estariam na casa da criança rica quebrados ou largados no ostracismo de alguma caixa empoeirada. Por que aquilo que é um tesouro para uns pode ser motivo de desprezo e descaso para outro?

Aquilo que se ganha com frequência e que cai no nosso colo sem esforço, tende a não valer muito para nós. E é assim que muitas vezes lidamos com a salvação em Jesus Cristo.

O próprio termo que designa a forma pela qual somos salvos insinua essa percepção: graça. Somos salvos pela graça, somos salvos de graça. Não existe nada que o Salvador espera que façamos antes de nos salvar, então a cruz está aí, como o destroço salvador de um naufrágio, só precisamos abraçar.

Só somos capazes de desprezar ou menosprezar a salvação porque escolhemos ignorá-la ou porque cultivamos essa ideia de graça barata, de algo que, de tão fácil, não tem grande valor, podemos dar a
atenção a isso mais tarde, vai estar sempre aí.

Acontece que a graça só é “barata” para quem recebe. Para Quem dá, ela custa tudo. Morris Venden, um entusiasta da graça e um dos expositores mais didáticos dela que eu conheço. Ele ilustra esse
ponto da seguinte forma: ele, um pastor, está trafegando por uma estrada em velocidade excessiva. É parado por um guarda, que aponta para seu erro. Ele tenta se explicar, fala do velório no qual precisa falar e para o qual está atrasado. O guarda compreende a situação, mas, ao invés de simplesmente deixar de multar o pastor, ele aplica a multa. Ele diz que a lei precisa ser respeitada e a lei exige que, ante uma tal infração, a pena seja cominada. Só que, por se compadecer da situação do pastor, ele mesmo leva a multa até a cidade e a paga.

A salvação não é um passar a mão na cabeça da criança bagunceira e dizer que está tudo bem. É um Deus que se doa e passa a sentir os espinhos e pregos em Sua própria pele, é o divino sentindo-se
desamparado, solitário, incompreendido e alquebrado, para que os desamparados, solitários, incompreendidos e alquebrados pudessem ter esperança e viver da forma como Ele idealizou para ser. A salvação tem um preço altíssimo. Desprezá-la é enfiar aqueles cravos um pouco mais fundo na agonia dEle.

Sempre que penso na enormidade da salvação, lembro de Paulo, que ao encontrar Jesus teve os olhos cobertos por um tipo de escamas. Conosco é o dia-a-dia e nossa propensão ao egoísmo mais extremo que nos tampa a vista. De quando em quando precisamos que as escamas caiam para que vejamos.

Marco Aurélio BrasilO preço

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