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# O querer e o efetuar

aguiaPor certo que diante dos horrores que presenciamos com as guerras sentimos profunda tristeza, mas, nesse instante me permito um questionamento: quanto desse sentimento se move em direção à minha transformação? Quanto dela me faz movimentar rumo à lapidação de meu próprio comportamento, porquanto não raro permaneço inerte diante do sofrimento alheio ao meu redor?

Quanto de mim, entre o acordar e o dormir, está de fato, desperto e descansando? Quanto de mim está disposto a não reclamar, mas, a compreender; a não levantar a voz, mas responder com um sorriso que transmita a paz que desejo; a não se exasperar diante das injustiças, mas perdoar verdadeiramente ao que me persegue ou me ofende? Quanto de mim consegue refletir o comportamento de Madre Tereza, de Gandhi, de Mandela, de Cristo, enfim?

Nestes dias da semana que passou, eu conversava com minha esposa e propus a ela que pensássemos o quanto nos impressionam homens capazes de bondades e humildades extremas, tornando-se diante de nossos olhos um ideal que buscamos ao modelo de Cristo, mas não tomamos com a devida profundidade a própria bondade e a humildade inigualável do Messias.

Parece-me, às vezes, que a verdade é que nos acostumamos com o que é ruim, imperfeito e limitado, sem conseguirmos dar um passo verdadeiro em direção ao bom, ao perfeito e ao ilimitado. Jesus nos afirmou, e confiamos nele, que sua vinda foi para que tivéssemos vida e vida em abundância.

Por que, então, não buscamos essa transformação definitivamente? Por que ainda sou parte de uma civilização, que mesmo conhecedora e seguidora da palavra de Deus, ainda assim não consegue vivê-la por completo? Será que no fundo não confiamos na verdade? Será que estou tão contaminado pelo pecado e pela dúvida e pela carne que não consigo me desvencilhar desses aspectos, tornando-me de fato criatura santa, ou seja, separada para a obra?

A palavra que me chega à mente como resposta, e que me permite continuar rumo ao alvo é uma só, a de Paulo que afirma: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim”.

E, continua o apóstolo após compreender a essência da lei em Cristo: “se faço o que não desejo, admito que a lei é boa. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado”.

E que Deus nos ajude, como o tem feito até aqui, a nos desvencilharmos da vida pela carne, e nos transformarmos verdadeiramente em um espírito que se liberta a cada dia, pois é Deus quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele que sabemos, também é perfeita e agradável.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# O querer e o efetuar

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