Últimas Publicações

O ruído do templo

Esdras 3 relata os primeiros esforços da comitiva que voltou a Jerusalém depois do exílio em Babilônia e Medo-Pérsia no sentido de reconstruir o templo. Ele havia sido completamente destruído por Nabucodonosor quando tomou Jerusalém.

O final do capítulo é interessantíssimo. Conta que quando os encarregados da reconstrução acabaram os alicerces, o povo todo veio. Havia sacerdotes tocando trombetas e uma enorme algazarra. O curioso da tal algazarra é que no meio dela estava uma série de velhinhos que haviam conhecido o templo que Salomão construíra e que agora choravam em altos brados, bem à moda oriental, e Esdras diz que a coisa era de tal modo escandalosa que era difícil distinguir quem gritava por júbilo dos que o faziam de tristeza

A cena da mais extrema alegria convivendo com tão extravagante tristeza causa estranheza. Decerto os que haviam visto o primeiro templo choravam por ver que o novo, mesmo estando ainda só nos alicerces, não seria mais que uma pálida sombra daquele. Claro, o primeiro fora construído no momento de ápice do reino de Israel. Davi passou boa parte de sua vida acumulando materiais finíssimos para que seu filho Salomão erigisse um belo edifício, um dos mais gloriosos do Oriente, e assim foi. Daí a dor dos saudosistas. Foi profetizado, contudo, que a glória do segundo superaria a do primeiro. Dito e feito, Cristo andou foi pelo segundo, conferindo a ele um tipo de glória diferente, menos visível, mas mais real. Infinitamente mais glória!

Dirigindo com o rádio desligado para pensar um pouco no que havia acabado de ler, lembrei da minha igreja. Da minha igreja e do seu barulho. Também ali misturam-se duas sortes distintas de ruído: júbilo e tristeza. Há muita gente feliz, animada, olhando o futuro, certos de que a glória que está por vir há de superar em muito a que se perdeu. Há, contudo, muita gente clamando em alta voz e chorando copiosamente porque um dia viu uma outra igreja, mais pura, com maior conhecimento da Bíblia, mais contrastante com o mundo ao redor. O escopo desse choro é, no mais das vezes, não frisando as vantagens daquela sobre esta em que são agora obrigados a viver, mas apontando o dedo para o que consideram errado, podre e distorcido. Dias há, devo dizer, em que o clamor destes é bastante mais forte que o dos outros.

Não creio que um grupo esteja certo e outro errado. Acho legítimo o choro, embora reprove o método com que o externam muitas vezes. Mas que é legítimo suspirar por algo mais substancioso, isso é. Prefiro, contudo, ser contado entre os que confiam na glória que está por vir e se regozijam. Nesse aspecto estou com Vinícius: “é melhor ser alegre que ser triste”.

850_400_oracaopoderosacuraQuando estou nesse dilema volto sempre a João 4:35. É Jesus quem diz que o que nos parece um campo ainda verde, longe de estar maduro, é para Ele um campo em flor, pronto para a sega. Ele diz:”levante os olhos”. Então levanto os meus e os coloco ali, naquele futuro que pode ser estupidamente próximo, já que depende não de minha força ou da dos meus irmãos, mas unicamente da ação dEle, que o prometeu.

Conhecer a profecia, conhecer a promessa, é imprescindível para escolher o tipo de clamor que você deve alçar. Deus o abençoe!

Marco Aurélio BrasilO ruído do templo

Artigos Relacionados