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Por que?

A Guerra do Vietnã popularizou uma estampa de camisetas em que se via um soldado de joelhos, chorando, os braços levantados, os punhos fechados e acima dele uma única palavra, em letras garrafais: “Why?” Por que aquilo tinha que acontecer? Os historiadores, analistas, jornalistas, comentaristas e intelectuais teriam diversas respostas,
mas a pergunta persiste: Afinal de contas, por que? Detalhes estratégicos transformando o mapa múndi num complexo tabuleiro de xadrez chinês, mil e um motivos, políticos, bélicos, hegemônicos, econômicos. Sim, mas POR QUE? Veja aquelas pessoas todas, sem casas, sem braços, sem familiares, sem vida. Em face disso, por que? Em face disso não há nada que possa explicar, entende?

Não só o ápice da estupidez humana, a guerra, suscita a pergunta, mas há neste exato momento milhões de pessoas que não estão necessariamente voltados para o Oriente Médio ou outra zona de conflito qualquer e que, no entanto, têm reboando de um lado para o outro de suas mentes a pergunta Por que?
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Pessoas que indagam se já não sofreram bastante. Ao sentirem em suas peles a dor outra vez, encaram o Céu e suplicam por uma resposta que satisfaça sua sede de lógica e justiça nisso tudo. Pessoas que se sentem, num repente, o alvo exclusivo de todas as desgraças do mundo, problemas sobre problemas, um labirinto sem saída dentro do outro.

Gostaria de poder sentar ao lado de cada uma dessas pessoas e lembrar-lhes o principal representante dessa classe de sofredores dentre seres humanos; alguém que também encarou o Céu com perguntas angustiadas por muitos e muitos dias; ele, que costurou uma interminável lista de perguntas na busca do entendimento. Ele, Jó, que num único dia perdeu tudo o que tinha, incluindo aí família, propriedades e saúde. E ele tinha abundância disso tudo, o que só agrava a dor.

O relato bíblico explica que ele estava no meio de uma verdadeira disputa teológica, um conflito de caracteres entre Deus e Satanás. Mas Jó não sabia de nada disso, e perguntava. Perguntou tanto e tanto, que Deus veio e… não respondeu. Ao contrário, soterrou Jó com ainda muito mais perguntas. Perguntou a Jó onde ele estivera quando Ele lançara os fundamentos da Terra, se Jó sabia como acontecia a gestação das cabras montesas, se era Jó quem ensinava o cavalo a pular, quem é que havia fixado os limites do mar e por aí afora.

Jó não entendeu. Deus não lhe explicou. Ele não alcançou em vida a razão de todo aquele sofrimento. Simplesmente, no meio de sua dor, Deus lhe fez perguntas e um milagre aconteceu, porque diz a Bíblia que Jó creu, que Ele confiou na guia divina e o período de provações terminou, ele voltou aos dias áureos, mais áureos que nunca.

O que o ser humano precisa não é dos porquês, mas olhar nos olhos de Deus. Desesperadamente.

Enquanto não percebe essa necessidade urgente, meu Deus, não canse de olhar na nossa direção! Não desista ainda! Não tomes mais essa prova de estupidez como a final. Não tomes nossa insistência em se angustiar com os problemas comezinhos que nos afligem como definitiva!

Olha, Pai. Olha.

Marco Aurélio BrasilPor que?

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