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Reações e ações

Existe no Evangelho uma série de axiomas e conceitos que causam estranheza às nossas mentes cartesianas, condicionadas pelos postulados científicos que nos são transmitidos na escola. Philip Yancey chama a atenção em um de seus livros para a esquisita matemática divina, em que, por exemplo, 1 (no caso, uma ovelha) causa maior impacto e alegria que 99. Outra aparente ilogicidade na dinâmica da salvação está na relativização da lei da ação e reação.
Ação-e-reação
Em II Crônicas 20 lê-se a história do reino de Judá recebendo a notícia de que um enorme exército marcha contra si, um exército com o qual medir forças é loucura. Apregoa-se uma reunião para oração, porque o rei Jeosafá percebeu que aquela situação só Deus poderia remediar. No meio da tal reunião um cidadão se levanta e diz pra todo mundo ficar tranquilo, porque no dia seguinte deveriam sair ao encontro do exército inimigo e nem precisariam levar armas, porque Deus cuidaria de desbaratá-lo. Ele fala só isso, sem maiores detalhes. Nós sabemos o final da história; sabemos que uma briga interna entre as diferentes etnias que compunham o exército fez com que ele implodisse. Mas eles não sabiam. Sabiam, no entanto, que exércitos não costumam auto-destruir-se. Sabiam que era – pela razão humana – impossível que alguma coisa freasse a marcha daquela multidão armada até os dentes. Mesmo assim, fizeram a coisa mais
esquisita: não, eles não jogaram nenhum sapato na cabeça do cidadão que falou aquilo; não, eles não ficaram ressabiados e disseram “bom, vamos ver então”. A Bíblia diz que eles começaram a louvar! Mesmo antes de receber a benção prometida, louvaram como se já a tivessem nas mãos. E o relato diz que no dia seguinte, quando saíram ao encontro do inimigo cantando, ou melhor, exatamente quando começaram a cantar e louvar foi que começou a briga que dizimou o exército.

Isso não faz sentido. Desculpe, mas não faz. Na lógica humana, a reação vem depois da ação. O mais razoável seria louvor depois de ver com os próprios olhos aqueles cadáveres cobrindo o vale. No entanto, por uma sobrenatural confiança no caráter dAquele que fez a promessa através de uma pessoa comum, eles anteciparam as coisas e isso foi a senha para que Deus agisse.

A inversão da ordem natural das coisas também vale quando se trata da atuação divina. O relato do filho pródigo diz que ao ver o filho apontando lá na estrada, aquele pai aflito pelos anos de separação sai correndo. Ao alguns libaneses ouvirem essa história estranharam o fato de um homem de posses, um homem de posição, sair correndo. Na mesopotâmia, homens nessa condição jamais correm, apenas caminham dignamente. Aquele pai, contudo, sai correndo e o abraça e antes que o filho possa esboçar qualquer explicação dá ordem para que preparem
um banquete. Tudo isso antes do louvor do filho pela bondade do pai! Não, o filho estava resolvido a mendigar um lugar entre os mais humildes servos, mas o pai não permite isso, ele coloca-lhe o anel no dedo, cobre de vestes o seu filho perdido e o restitui à condição da qual nunca deveria ter saído. A verdade é que Deus não espera o louvor para sorrir e se regozijar. Isso não é o mais importante para Ele, embora seja muito importante. Lá em II Crônicas, sua alegria começou ao ver Seus filhos reunindo-se em oração para buscar Sua ajuda. Ele sabe que aí não há nada no Universo que os pode fazer mal, pois eles estão sob Suas asas. Para um pai explodindo de amor, não há alegria maior. Aliás, o que se espera de um Deus que nos ama loucamente muito antes de lembrarmos que Ele existe?

A conclusão a que chego é singela: se você não está louvando a Deus agora, das duas uma: ou não conhece Suas promessas ou não conhece o caráter dAquele que fez as promessas. E também: se você não está olhando para Ele, está furtando da pessoa que mais te ama em todo o Universo a maior alegria que Ele pode ter.

Marco Aurélio BrasilReações e ações

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