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Você sabe o que motivou a guerra do Paraguai? A resposta depende de quando você estudou o assunto. A versão oficial era que Argentina, Uruguai e Brasil reagiram às provocações de Solano López, o ditador paraguaio, que, depois de um monte de bravatas, invadiu o Mato Grosso. Teria sido, portanto, uma iniciativa para frear o expansionismo do paraguaio. Mas uns 40 ou 50 anos depois do conflito, historiadores paraguaios começaram a divulgar a tese de que o estopim da crise teriam sido as iniciativas de López para fechar suas fronteiras aos produtos ingleses, numa ilusão de criar um estado autossuficiente. A tese se alastrou e ganhou ares de verdade, até que nos anos 80 novos estudos demonstraram que a ideia era absurda e sem qualquer fundamento. E isso ilustra aquilo que conhecemos sobre o que passou: tudo depende da agenda de quem nos conta a história.

Vamos pensar na sua história pessoal (você olhando para o espelho). Você não é candidato, não precisa higieniza-la. Você não precisa deletar fatos, transferir culpas, distorcer acontecidos, ressignificar escolhas e opções. Você pode ser honesto sobre quem você é. O problema é determinar nossa real capacidade de fazê-lo.

A Bíblia diz que temos essa estranha tendência de, sendo pobres, cegos, miseráveis e nus, olhar no espelho e ver a opulência encarnada. “De nada tenho falta”. “Uma coisa te falta”, contudo, é o vaticínio daquele que olha fundo nos olhos e extrai a verdade.

Se vamos revisar nossa história, que seja para enfim casa-la com a verdade, já que estivemos com Aquele que é a verdade, e que prova que ela de fato existe. Para reconhecer que não sabemos nada. Para confessar nossa miopia. Para admitir nossa miserabilidade. Para depender como só quem se sabe um verme egoísta quer quer desesperadamente deixar de sê-lo consegue fazer.

Marco Aurélio BrasilRevisionistas

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