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O Espelho Divino

Se eu perguntasse para o que serve um espelho teria várias respostas, mas a maioria esmagadora delas seria a de que serve para “nos vermos”.

Ao longo dos anos foram realizadas diversas pesquisas afim de se determinar o tempo médio que passamos em frente a um espelho e elas mostram que as mulheres são as que mais gastam tempo diante do espelho, embora venha aumentando o tempo que os homens passam diante do espelho.

Mas ninguém, em todo o Universo, passa mais tempo olhando “espelhos”, que o Eterno. Antes que me acuse de heresia quero dizer que os “espelhos” para os quais Ele olha são bem diferentes daqueles que utilizamos.

Criado à imagem e semelhança do Eterno (Gênesis 1:26), o homem pecou e, desde os dias de Caim e Abel, sempre existiram duas classes de pessoas, as que tem prazer na lei do Senhor e nela meditam dia e noite e os que andam por caminhos tortuosos (Salmo 1:1 e 2).

Afim de que a humanidade não O perdesse de vista e soubesse como andar em Seus caminhos o Eterno escolheu, e capacitou, um povo para ser um exemplo aos demais, um povo que refletisse Seu Caráter e Bondade. Eles falharam e a missão foi dada a nós, somos os responsáveis por espelhar o Eterno a todos os que nos rodeiam. É nesse contexto que coloco você e eu como os “espelhos” para os quais o Eterno olha diária e incessantemente.

Mas pergunto, quando olha você o que Ele vê, Sua imagem retratada de forma fiel ou distorcida? Ninguém usa um espelho imperfeito, se está sujo o limpa, se está estragado ou quebrado o joga fora, o Eterno é diferente com Seus “espelhos”, Ele nunca desiste de um filho Seu e sempre busca restaurá-lo e melhorá-los

Não importa o tipo de espelho que você tem sido, o Eterno quer fazer de você um espelho fiel e para isso promete estar todos os dias ao seu lado (Mateus 28:20). Seja um espelho divino, Ele conta com isso e o mundo precisa disso.

Gelson De Almeida Jr.O Espelho Divino
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Quem poderá nos socorrer?

Não vivenciei as muitas experiências semelhantes anteriores, mas recordo vividamente a gigantesca esperança que foi depositada sobre Tancredo Neves. Depois a que foi jogada sobre Collor, FHC e Lula. Ficava essa expectativa crepitando no ar, de que agora as coisas iam encontrar o trilho que nos levaria a nossa vocação para constituir uma enorme Noruega dos trópicos, um país próspero, justo, seguro.

Se Moisés Naim está certo, qualquer tipo de esperança desse quilate está fadada a ser frustrada. Segundo ele, “o poder está em degradação. […] No século XXI, o poder é mais fácil de obter, mais difícil de utilizar e mais fácil de perder” (em “O fim do poder”, editora Leya). Por outras palavras, os chefes de Estado (assim como os presidentes de empresa, líderes de Sindicato, anciãos de igreja, etc) têm uma possibilidade real de fazer e acontecer cada vez mais limitada. O poder para impor a sua visão e controlar os acontecimentos é cada vez mais fraco. A informação abundante torna os liderados menos dóceis, mais complexos, com interesses cada vez mais difusos e agendas cada vez mais diversas.

Quando Davi escreveu as famosas palavras do Salmo 121, “elevo os olhos para os montes; de onde me virá o socorro?”, estava afirmando que não esperava salvação de onde as pessoas em geral costumavam esperar. Os altos dos montes eram os locais onde se sacrificava aos ídolos. Não. “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda”.

Nada disso nos isenta do imperativo de lutar pelos caminhos que nos conduzam à justiça e à prosperidade, mas se a maioria parece ter uma outra visão a respeito de qual é esse caminho, não há razão para arrancar os cabelos. É, sem dúvida, mais difícil para os que não conhecem esse Deus ter esperança no futuro. Para nós, contudo, os que cremos, os que vemos nas profecias de Daniel um Deus sereno no comando dos destinos deste mundo que insiste em O rejeitar e expulsar, os que vemos no belo que ainda lateja ao nosso redor as Suas digitais e os ecos de Seu poder intacto e incrivelmente grande… bem, nós não precisamos olhar para os montes. Ou para as urnas. E podemos sorrir.

Marco Aurélio BrasilQuem poderá nos socorrer?
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Nova série no Programa Começos

Nova série do Programa Começos: Evangelhos. Vai ser uma série de 5 semanas, focado do estudo dos evangelhos com ênfase nos elementos fundamentais da fé cristã. De 6/OUT à 17/NOV (sempre aos sábados), às 17h na Nova Semente.

Mas atenção, nos dias 03 e 10/NOV, não acontecerá o programa Começos, porque acontecerá nesses dias o VivaWeek com o pastor Kleber Gonçalves na Nova Semente. Serão mas sessões, uma às 17h e outra às 19h. Saiba mais sobre VivaWeek

ComunicaçãoNova série no Programa Começos
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Porque me ufano da cruz

Esta manhã um texto bem conhecido me deixou cismado: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gal. 6:14). Foi remoendo essas palavras que fiz meu caminho matinal até o metrô. Eu tentava entender porque alguém diz que se gloria, que se ufana, num instrumento bárbaro de tortura. Ok, não é uma cruz qualquer, é a cruz onde Jesus foi pregado, mas ainda assim por que razão a tortura específica de um inocente seria a fonte de glória?

O apóstolo poderia dizer que tem na cruz o símbolo de sua salvação, da redenção de Cristo em substituí-lo na morte, mas isso é diferente de dizer que se ele se pavoneia de algo, é da cruz. Por que razão a cruz seria uma fonte de glória?

Cheguei ao metrô, entrei o vagão e a muito custo consegui achar um espacinho para abrir o livro que eu levava. Poucos minutos depois eu lia: “Quando olhamos para a cruz, vemos a justiça, o amor, a sabedoria e o poder de Deus. Não é fácil determinar qual desses aspectos é mais brilhantemente revelado, se a justiça de Deus ao julgar o pecado, se o amor de Deus ao levar o castigo em nosso lugar, se a sabedoria de Deus em combinar com perfeição as duas coisas, ou se o poder de Deus em salvar aqueles que crêem” (John Stott, Cristianismo Autêntico, editora Vida, p. 75).

A ideéia do famoso teólogo inglês pareceu suprir as lacunas de minhas cismas à perfeição. Afinal, eu posso, sim, me ufanar de haver sido justificado perante os olhos de outras pessoas. Eu posso também me gloriar do fato de ser muito amado; na verdade, as fotos de minha família aqui na minha mesa de trabalho são exatamente isso, o que dizer então da maior de todas expressões de amor feitas por Jesus na cruz em meu favor? Eu também posso me gloriar de haver sido beneficiado com justiça e com amor de forma tão sábia.

Mas de todos os aspectos que Stott vê na cruz, acredito que o poder é que fez Paulo escrever aquele texto. A explicação ele mesmo dá: a cruz o crucificou para o mundo e o mundo para ele. Ou seja, a cruz fez com que o mundo – aqui entendido como todos os apelos por condescendência, concupiscência, leniência, orgulho, auto-satisfação a qualquer custo, ou seja, o exato contrário do que pode ser chamado em melhor grau de amor, justiça e sabedoria! – perdesse completamente seu poder sedutor. O poder da cruz é maior do que o do mundo, porque a cruz anula o mundo. A cruz confere a Paulo o poder de não se sujeitar a tudo o que o mundo representa.

Esse poder está longe, muito longe de ser pequeno. Ele é sobrenatural, raro e de impacto inignorável, primeiramente para quem dele se aproveita, e em segundo lugar para quem rodeia essa pessoa. A cruz é fonte de poder. E, superada minha cisma matinal, vivo meus dias porvir me gloriando na cruz de Cristo, cujo poder sinto pulsar dentro de mim.

Marco Aurélio BrasilPorque me ufano da cruz
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Revisionistas

Você sabe o que motivou a guerra do Paraguai? A resposta depende de quando você estudou o assunto. A versão oficial era que Argentina, Uruguai e Brasil reagiram às provocações de Solano López, o ditador paraguaio, que, depois de um monte de bravatas, invadiu o Mato Grosso. Teria sido, portanto, uma iniciativa para frear o expansionismo do paraguaio. Mas uns 40 ou 50 anos depois do conflito, historiadores paraguaios começaram a divulgar a tese de que o estopim da crise teriam sido as iniciativas de López para fechar suas fronteiras aos produtos ingleses, numa ilusão de criar um estado autossuficiente. A tese se alastrou e ganhou ares de verdade, até que nos anos 80 novos estudos demonstraram que a ideia era absurda e sem qualquer fundamento. E isso ilustra aquilo que conhecemos sobre o que passou: tudo depende da agenda de quem nos conta a história.

Vamos pensar na sua história pessoal (você olhando para o espelho). Você não é candidato, não precisa higieniza-la. Você não precisa deletar fatos, transferir culpas, distorcer acontecidos, ressignificar escolhas e opções. Você pode ser honesto sobre quem você é. O problema é determinar nossa real capacidade de fazê-lo.

A Bíblia diz que temos essa estranha tendência de, sendo pobres, cegos, miseráveis e nus, olhar no espelho e ver a opulência encarnada. “De nada tenho falta”. “Uma coisa te falta”, contudo, é o vaticínio daquele que olha fundo nos olhos e extrai a verdade.

Se vamos revisar nossa história, que seja para enfim casa-la com a verdade, já que estivemos com Aquele que é a verdade, e que prova que ela de fato existe. Para reconhecer que não sabemos nada. Para confessar nossa miopia. Para admitir nossa miserabilidade. Para depender como só quem se sabe um verme egoísta quer quer desesperadamente deixar de sê-lo consegue fazer.

Marco Aurélio BrasilRevisionistas
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A Oração de Dorotéia

Dorotéia ajoelhou-se junto à cama para, junto com sua mãe, orar antes de dormir. Mal iniciou a sua oração ela se levantou e correu até outro cômodo da casa. Instantes depois voltou e se ajoelhou para continuar sua oração, mas a mãe a interrompeu indagando o quê, de tão importante, a fizera interromper a oração. Olhando fixamente para a mãe ela respondeu: “Sabe mamãe, eu havia escondido alguns blocos do meu irmão e resolvi devolver para ele antes de continuar a oração, acho que Jesus ficará muito mais satisfeito com minha oração agora que acertei as coisas”.

Do seu jeito, Dorotéia entendera que, o mais prudente e sábio a fazer antes de falar ao Pai em oração, é não ter erros conhecidos, pecados não confessados.

Disse alguém certa vez que os que guardam pecado em seu íntimo (pecado acariciado), perdem seu tempo orando ao Pai. Salomão é enfático ao dizer: “Deus despreza as orações de quem se recusa a ouvir a sua lei” (Provérbios 28:9, BV), já o salmista tinha uma certeza: “Se eu atender à iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá” (Salmo 66:18, ACF).

Isso não quer dizer que o Eterno nunca atenderá a prece de um filho Seu, mas que devemos, do melhor modo possível, ordenar nossa vida de acordo com Seus ensinamentos, pois, sendo um Deus Justo, Puro, Reto e Íntegro, não espera nada menos que isso de Seus filhos. Nosso acesso a Ele depende, em grande medida de nossa comunhão com Ele e, quando estamos em pecado, quebramos essa comunhão.

Prestem atenção! O braço do Senhor não está encolhido para que não possa salvar! Ele não é surdo para que não possa ouvir. O problema são os seus pecados… Por causa dos seus pecados, Deus desviou o seu rosto de vocês e não ouve mais o que vocês pedem” (Isaías 59:1 e 2, BV).

Por que não faz, agora, uma oração de entrega completa ao Eterno?

Gelson De Almeida Jr.A Oração de Dorotéia
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Guerra e Paz

A experiência de servir no exército alemão durante a primeira guerra mundial deixou cicatrizes profundas em Erich Maria Remarque. Muitos anos depois do último estampido de granada nos ouvidos, ele ainda lutava com a insônia e com fantasmas. Foi para exorcizá-los que começou a anotar memórias do que viria a ser mais tarde o mais importante romance pacifista do século XX, Nada de novo no front, que lhe valeu a perseguição pelo regime nazista e o fez fugir para os Estados Unidos.

Entre as muitas cenas impressionantes descritas pelo autor, ele, dado momento, narra o grupo de soldados recém chegados da frente de batalha, após haverem vivenciado os mais repulsivos acontecimentos e haverem assistido à morte de dezenas de companheiros, parando frente a um cartaz de uma companhia teatral que havia passado por ali há muito tempo e que mostra uma garota bonita num vestido simples com um mar azul atrás.

Ele escreve: “a garota do cartaz constitui, para nós, um milagre. Havíamos esquecido totalmente que no mundo existem coisas assim, e, mesmo agora, quase não acreditamos em nossos olhos. Há anos que não vemos nada parecido, nem qualquer coisa que de longe mostre tanta beleza, tanta felicidade e tanta calma.”

Ao deixarem a paz e mergulharem na lama, cercados pela violência e pela dor; ao acostumarem-se à aparente morte da esperança e ao considerarem o viver ou morrer como obra do acaso, dar de cara com um pedaço de mar azul e uma bela mulher a sorrir estampados no papel lhes parece inverossímil. O mundo não é aquilo, pelo menos não mais. É preciso uma longa contemplação até resgatarem dentre de si o conceito de paz, de tranqüilidade, de segurança.

Creio que seja por uma razão análoga que ao encontrarmos um desvão do Céu, uma imagem de ruas de ouro com pessoas vivendo em paz perfeita, custamos a acreditar. A primeira reação é achar tolice, pois nós também estamos imersos na violência, na falta de caráter, desviando de bombas e vendo os queridos despedaçados há muito tempo.

Mas o fato é que existe o mar azul, como existe um mar de vidro misturado com fogo. E para tornar à trincheira tendo dentro do peito o mais valioso que um soldado pode ter, a esperança, é preciso contemplar o desvão do Céu que nos é dado com avidez, longamente, sem pressa, buscando respirar aquela atmosfera. É preciso familiarizar-nos com a paz para que ela não nos machuque quando o último tiro houver sido dado e ecoar pelo Universo o “está consumado”.

Graças a Deus, que fez questão de nos mostrar os desvãos do Céu e de garantir que eles nos fossem mostrados de tempos em tempos. Olhe em volta. Não há nenhum aí, agora?

Marco Aurélio BrasilGuerra e Paz
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Benção Pequena?

Gosto da lenda do homem que passava seus dias mendigando pelas ruas de uma cidade na Índia e que acalentava o sonho de um dia encontrar alguém com muitas posses, que se apiedasse dele e desse uma soma suficiente para sair de sua miserável situação.

Certo dia ouviu um tropel de cavalos, mesmo de longe, percebeu tratar-se de alguém importante, correu para a estrada e se postou no meio do caminho. O cavaleiro freou seu cavalo bem perto dele, quando ele levantou a cabeça viu tratar-se do rei, que lhe perguntou: Deseja uma dádiva do seu rei? Sim, disse ele. O rei então lhe perguntou: Mas o que você tem para dar ao seu rei? Não querendo se desfazer de nada e imaginando também não ter nada para dar, pegou os dois menores grãos de arroz de sua tigela, colocou na palma da mão e ofereceu ao rei. O rei pegou-os, jogou de volta na tigela e foi embora. Com pesar e raiva viu o rei se afastar, mas, ao olhar para a tigela viu que os dois grãos de arroz haviam se tornado em duas moedas de ouro. Pensou: Que pena não dei tudo para o rei.

Muitas vezes nos comparamos a outras pessoas e achamos que o Eterno tem sido injusto conosco. Olhamos ao redor, vemos outros com benção muito maior que a nossa e pensamos: Não existe justiça nesse mundo! Dias atrás conversei com uma pessoa que listou uma série de pessoas, próximas a ela, que não passavam pelas provas que ela passava. Disse que não era justo ela, uma cristã, passar por coisas que os outros, que não professavam religião alguma, não passavam.

Deus não é obrigado a nos abençoar, mas nos abençoa porque nos ama, mas Suas bênçãos, em muitos casos, são condicionais e vem na medida de nossa entrega e dedicação a Ele e no modo como “abençoamos” os que nos cercam. Ele pede apenas que dediquemos o nosso melhor para Ele (Provérbios 23:26) e, se assim procedermos, tudo o mais nos será acrescentado (Mateus 6:33).

Não reclame nem murmure, apenas se entregue e confie, Ele fará o melhor para você.

Gelson De Almeida Jr.Benção Pequena?
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Yom Kipur

Duas datas especiais foram comemoradas essa semana, o Dia da Compreensão Mundial (17 de setembro), criado pela ONU e o Yom Kipur, Dia do Perdão (18 de setembro), comemorado pelo povo judeu. As duas comemorações mostram que o melhor caminho para o entendimento entre as pessoas é o perdão.

Infelizmente praticamos o perdão temporário. Muito diferente do perdão vitalício, o perdão temporário é aquele onde não há o esquecimento do erro cometido pelo outro. Como é comum nos defrontarmos, anos a fio, com algum erro cometido! Quando nem nos lembramos mais do fato, do nada, surge alguém, geralmente do nosso convívio mais íntimo, e nos lembra que um dia, geralmente há muito tempo, cometemos um erro. Anos atrás, lendo sobre o perdão, me deparei com a seguinte frase, dita por um terapeuta: “Deus sempre perdoa, os homens às vezes perdoam, a Natureza nunca perdoa”.

É triste ver que a grande maioria daqueles que se dizem seguidores de Cristo não está disposta a conceder aos outros o perdão que deseja para si, se esquecem que no Pai Nosso, a Oração Modelo, deixada por Ele, diz: “… perdoa-nos as nossas ofensas, tal como temos perdoado aqueles que nos ofenderam” (Mateus 6:12, BV). O que seria de nós se o Eterno nos perdoasse desse modo?

O Yom Kipur é comemorado, no calendário judaico, na mesma data em que o antigo Israel comemorava o Dia da Expiação, era o dia em que todo o arraial do povo de Deus, inclusive o santuário, deveria ser limpo de todo e qualquer pecado. Torne hoje, e cada dia daqui para frente, o Dia do Perdão. Coloque sua vida em ordem diante do Pai e perdoe, por completo, todos os que lhe causaram algum mal.

Nunca mais me lembrarei dos seus pecados nem das suas maldades” (Hebreus 10:17, BV), essa é a promessa do Eterno a nós e que seja nossa prática diária com todos os que nos cercam.

Gelson De Almeida Jr.Yom Kipur
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O essencial é

Minha Bíblia narra eventos ocorridos na vida de duas pessoas fundamentalmente diferentes uma da outra. Enquanto a primeira é caricatural, bonachona, explosiva capaz de fazer as promessas mais
estapafúrdias que depois não cumprirá, capaz de às vezes sacar uma espada e arrancar umas orelhas, sempre o primeiro a falar e metido a líder, a outra é uma pessoa sensata, corajosa, mais apta a agir do que a falar que vai agir, capaz de correr enormes riscos para defender a causa em que acredita e de proclamá-la mesmo em face de castigos físicos extremamente dolorosos e até da própria morte, enfim, um dos maiores líderes de igreja de que há registro. Sim, ambas as pessoas atendem pelo nome de Pedro.

O primeiro Pedro dá a impressão de estar profundamente satisfeito consigo mesmo e com sua vida espiritual. Ele não era mais um simples pescador, era um dos milhares de seguidores daquele líder
extraordinário que surgiu na Galiléia. Ele estava feliz com a causa que abraçava, fazia parte de uma comunidade interessante, participava mesmo da cúpula dessa comunidade. Sua vida tinha
sentido, ele sentia suas necessidades de aprovação, de direcionamento e de aceitação satisfeitas e tinha suas ambiçõezinhas, já: planejava agora dar voos muito mais altos do que seus sonhos de pescador permitiriam.

Pedro acompanhou Jesus por aproximadamente três anos e meio, mas por que razão ele continuava tão distante do Pedro que aparece mais à frente, no livro de Atos, aquele líder religioso realmente confiável, um mártir e do qual só se tem notícia de um único deslize? Não preciso tergiversar, Jesus tem a resposta a essa pergunta. Está em Lucas 22:32: “mas eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos”. Simples: embora Pedro fosse comprometido com a causa, embora tivesse sido guindado a um posto de destaque nela (Jesus sempre o chamava quando queria um grupo diminuto de pessoas para testemunhar coisas como a ressurreição da filha de Jairo ou Sua transfiguração), embora Pedro houvesse testemunhado dezenas de milagres, ouvido centenas de sermões eloquentes de Jesus, embora ele estivesse literalmente muito próximo da pessoa de Cristo, ele ainda não era convertido. Jesus estava orando para que aquilo acontecesse.

Isso me ensina que é plenamente possível ser um rato de igreja, ser mesmo um líder nela, defendê-la renhidamente, conhecer todo mínimo detalhe teológico-bíblico, sentir-se bem em sua igreja, sentir que sua vida tem sentido e que a comunidade da igreja satisfaz suas carências sociais e lhe dá ambições boas e nobres e no entanto não ser uma pessoa convertida. E, no entanto, o diferencial entre os dois Pedros é a conversão, o Pedro a ser imitado é o segundo. Jesus não deixa margem a dúvidas: o essencial é ser convertido.

Parafraseando Morris Venden, a gente pode até não saber quando e como se converteu, mas dificilmente consegue se enganar quanto a isso haver acontecido ou não. E embora a gente não possa operar a nossa própria conversão, pode pavimentar o caminho ou preparar o ambiente para que isso aconteça.

Para Pedro, preparar o ambiente para a conversão envolveu um grande fracasso – quando ele negou a Jesus, mas depois disso ele simplesmente parou de raciocinar nas palavras de Jesus como sendo
passíveis de submeterem-se a suas próprias noções de certo e errado, de bom e mau. Ele passou a admitir o que Jesus falava como verdade e o que Ele ordenava como precisando ser obedecido. A lembrança do triste olhar do Jesus espancado mas cheio de amor sobre ele derrubou as ambições mesquinhas de Pedor e colocou no lugar o desejo de servi-lo. A partir daí, e só então, em algum momento naquele período de cinqüenta dias entre a morte de Jesus e o Pentecostes, foi que Pedro converteu-se e passou a confirmar seus irmãos.

Jesus está rogando pela sua conversão hoje, porque ainda é tempo. Porque o essencial é ser mais que meramente comprometido, é ser convertido.

Marco Aurélio BrasilO essencial é
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