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Diante da blasfêmia

Escrevi outro dia sobre a necessidade de cuidarmos do que lemos e quanto ao que nos alimentamos quando o assunto é nos informarmos na web, sobretudo nas redes sociais onde a loucura e a blasfêmia imperam. Reiterei a necessidade de apresentarmos em nossos comentários a essência que há nos ensinamentos bíblicos, em especial do Mestre Jesus, estimulando o crescimento dos frutos do espírito em nós, sobretudo em nossos leitores.

Hoje faço um adendo a esse posicionamento: Sim, alimente-se e busque sempre os frutos do espírito, contudo não se omita! Não se cale quando o assunto for o vilipêndio a tudo que represente as bases da fé em Cristo. Quando o fizer, entretanto, não use de palavras de ódio. Que a Palavra de Deus seja o seu único esteio. Ao herege, admoeste-o por uma, duas vezes. Depois disso, evita-o, sabendo que tal está pervertido e vive para o pecado. Por si mesmo está condenado. O Senhor pelejará por nós, e nós nos calaremos, ensinam as escrituras.

Por que digo isso? Não bastassem todas as blasfêmias que temos presenciado mundo afora, uma peça de teatro foi colocada em cartaz recentemente, retratando Jesus como homossexual. Houve censura. E neste fim de semana, um sujeito durante um show ocorrido em Garanhuns, diante de uma plateia em êxtase, reafirmou diversas vezes que Jesus é travesti e transexual. A nossa indignação, por certo, não tem tamanho diante de tal blasfêmia, contudo esse comportamento já era anunciado pelas escrituras. Admoeste, sem estimular o ódio e a violência, contaminações perigosas para quem almeja viver do amor de Deus. Não é fácil, mas fundamental.

A cada dia se vê mais o avanço de uma agenda satânica sendo implantada no mundo em nome de uma nova ordem mundial, alimentada por megaempresários internacionais e incensada por artistas e intelectuais, inclusive no Brasil, onde o cultivo dos valores judaico-cristãos são combatidos com veemência.

Vide a Europa que testemunha o caos em suas ruas. A Suécia, a Noruega e a Alemanha veem índices de violência e estupro aumentarem consideravelmente. Na Inglaterra, passeatas são feitas em nome de uma cultura oriental francamente desalinhada aos direitos humanos, haja vista defenderem o direito de bater em esposas e de matar os infiéis à sua religião. O Brasil dispensa comentários. É a própria expressão da decadência e da vergonha.

Estamos vivendo o fim dos tempos. A volta de Jesus é iminente e há apenas uma saída ao povo de Deus: buscar fortalecer-se na Palavra e viver por ela mediante a fé, orando e jejuando, refletindo o amor de Deus. Disse Jesus: “Quem faz a vontade de meu Pai que está nos céus, e pratica a palavra, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Orem pela humanidade que a cada dia se vê enredada pelas trevas. Revistam-se da armadura do Espírito para se protegerem no dia mal. Deus nos ajude, pois dele é essa batalha.

Sady Folch – O Peregrino da Palavra

Sady FolchDiante da blasfêmia
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Frutos do Testemunho

Hoje qualquer pessoa com acesso à internet pode se beneficiar do conhecimento do tema que desejar: educação a distância, estudar a palavra de Deus, tomar conhecimento de discussões políticas. Saber o que se passa no mundo em tempo real se tornou parte de nossas vidas. E isso é bom.

Contudo já percebeu como se perde tempo precioso nas redes sociais, sobretudo participando de seus discursos inflamados, sem dar bom testemunho? Se nos permitimos estar conectados, uma coisa é certa: podemos nos beneficiar do conhecimento e ao mundo com bom testemunho; do contrário, apenas nos desviamos das coisas do Reino, sendo contaminados por discursos pontuados pela linguagem do mundo.

Cumpre ressaltar que muitas das manifestações ali presentes são pertinentes, afinal, testemunhamos a todo momento atitudes vis que destoam sobremaneira da moral e dos bons costumes, causando-nos profunda indignação. No entanto, qual a atitude do discípulo do Cristo, senão aproveitar para acrescentar conteúdo que expresse a necessidade do perdão, da oração, do perfil de Cristo. Quem ao escrever ou comentar tais notícias, faz da essência de seus comentários o enaltecer do Reino de Deus? Acaso o cristão está sendo tomado de surpresa pelos acontecimentos recentes?

Passei a questionar esse tipo de posicionamento no momento em que me deparei enredado por tais demandas, sentindo-me contaminado por toda essa celeuma. O que estou fazendo, ocupado com coisas que nada acrescentam, permitindo-me emaranhado a essas contendas? Não sei eu que a vinda de meu Senhor será em um piscar de olhos? Não sei eu que serei cobrado pelo o que disse, ao emitir opiniões mundanas para pessoas do mundo? Tal ocupação ou conteúdo é aprovado por meu Senhor?

Precisamos nos conscientizar do que estamos fazendo, com o que estamos alimentando a nossa mente, o nosso coração e o nosso espírito. Como podemos dizer que amamos se atacamos pessoas nos mostrando mais hostis ainda? Há alguém entre os que atacam tais atitudes vis, se ajoelhando em oração por essas pessoas?

Assim como uma passagem bíblica pode apresentar luzes diversas para um mesmo assunto, assim a nossa capacidade de nos observarmos constantemente, com isenção, sendo críticos em face de nossas ações. No mínimo traria mudanças em nosso comportamento, agradando a nosso Senhor que se ocupa nos preparando para o Seu reino. Os benefícios? Caridade, que é o amor divino colocado em prática; gozo, que é a própria manifestação da alegria; paz; longanimidade que é a expressão da tolerância tão esquecida; benignidade que é manifestação da gentileza; bondade, que é o ato de estender a mão a quem precise; fé que nada mais é que a constância em face da crença em toda promessa do Reino, venha o que vier sobre nossas vidas; mansidão, que é o sinônimo de doçura, serenidade e suavidade; e, por fim, temperança que é o domínio próprio tão necessário para não sermos vencidos pela carne.
Que a paz e a graça do Cristo estejam em sua mente e em seu coração. Feliz sábado.

Sady Folch – O Peregrino da Palavra

Sady FolchFrutos do Testemunho
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Burkas

Em 2002 os EUA enviaram tropas para o Afeganistão, na busca por Osama Bin Laden e então o mundo conheceu melhor o regime dos talebans, a forma mais radical de islamismo. A condição da mulher
talvez fosse o ponto mais chocante para os ocidentais. Elas são obrigadas a usar as pesadas burkas, mantas negras que só deixam os olhos aparecerem. Ficamos sabendo que uma mulher deixar entrever a ponta do nariz em público poderia ensejar linchamento. Mulheres que trabalham devem usar o computador de luvas e, como essa, milhões de outras regras que traduzem um mesmo sentimento: mulheres são objeto de tentação, instrumentos do demônio, portanto. Devem ficar ocultas.

Durante muito tempo, um sentimento parecido permeou a cristandade. Aqueles mais preocupados com sua salvação eterna desligavam-se da sociedade, iam para mosteiros no meio do nada ou buscavam a solidão de santuários esquecidos do resto do mundo (recomendo o belo filme Noites com Sol, dos irmãos Taviani, que conta uma história bem elucidativa a esse respeito). A ideia era que se eles se entregassem somente à oração e não pudessem ver as coisas que representam tentações para eles, deixariam de pecar e com isso seriam salvos.

Esse sentimento é muito raro entre nós hoje. Ninguém foge da tentação, mas não porque está preocupado com sua salvação eterna. É que os discursos libertários que tomaram força nos anos 60 do século passado nos ensinaram que tentação não se resiste. Temos que ceder a elas, temos que satisfazer nossos desejos, porque de outra forma não estamos vivendo.

A Bíblia me diz que de uma forma ou de outra estamos dizendo não a Deus. O asceta e o que cobre as mulheres de panos pretos estão esquecendo que nosso trabalho não é deixar de pecar, ou seja, não é abster-se de fazer o mal. Aliás, isso não adianta, Jesus deixou claro que precisamos mais que não fazer o mal, fazer o bem e para isso precisamos estar no meio das pessoas e também respeitar a liberdade delas, como Ele fez. Deixar de pecar é assunto para Deus, pois Ele é quem opera o querer e o efetuar. Nosso trabalho é permitir ser revestido de uma nova natureza, com uma nova disposição para agir como Cristo agiria nas situações em que nos encontrarmos. É isso o que o batismo simboliza.

E quem nega que exista pecado e acredita que não há como resistir à tentação está negligenciando o mesmo ponto, porque está dizendo que não existe um Deus, ou pelo menos que Ele não tem uma lei ou ainda ao menos que Ele não pode dar poder para fazer o bem.

Não devemos ficar contemplando a tentação mas também não devemos tentar criar um mundo onde ela não exista. Devemos focar os olhos em Cristo e deixar o resto com Ele.

Marco Aurélio BrasilBurkas
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Quem irá por nós?

O meu candidato presidencial é o líder nas pesquisas. É o tal de “indecisos/brancos/nulos”. O porcentual de jovens com vontade de deixar o país atinge suas marcas mais expressivas na História. A situação é tão desanimadora que ansiamos por um salvador da pátria, o que torna as perspectivas ainda mais sombrias, já que a maior parte dos eleitores pode acreditar que algum dos postulantes efetivamente se encaixa nesse perfil. Nesse cenário, ler Isaías 6 esta manhã foi iluiminador.

É um capítulo curtinho, mas notável. Ele começa dizendo que Isaías teve uma visão no ano da porte do rei Uzias. Uzias governou por 52 anos sobre Judá. A arqueologia demonstrou que ele foi a grande pedra na sandália de Tiglate-Pileser, o feroz rei assírio, que dominou Babilônia e boa parte da Mesopotâmia. Uzias, contudo, o escorraçou em todas as suas investidas, mas agora ele estava morto e o povo estava aflito. A subjugação assíria parecia inexorável. Em suma, o sentimento geral deles era parecido com o meu assistindo ao jornal matinal e a cobertura das eleições deste ano.

É nesse contexto que Isaías vê o Senhor “num alto e sublime trono”. Sua voz faz as paredes do templo estremecerem, há querubins cantando “Santo, santo, santo”, Sua glória preenche tudo. É que quando o cenário geopolítico se mostra soturno, Deus reafirma Sua soberania sobre os reinos deste mundo. Não exatamente para nos confortar, mas para nos fazer ver as coisas pela perspectiva correta. Deus é Santo e está acima de tudo isso. Independente dos caminhos que seguirmos, os planos dEle não serão frustrados.

Ele conclama Isaías a falar em Seu nome, mas na sequência prevê que esse esforço será vão. Ainda assim, Ele faz a sua parte, anunciando, falando, convidando, apelando.

Reafirmei hoje, então, a decisão de ouvir a voz dEle acima do noticiário agourento, e de ser um porta-voz do Reino dEle, mais do que de qualquer visão política humana. Ainda que poucos o façam, que eu esteja entre eles.

Marco Aurélio BrasilQuem irá por nós?
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Quem me tem

“O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o Meu povo não entende” (Isa. 1:3). Isaías 1 segue ressoando para mim, cerca de 2.750 anos depois de haver sido escrito. E ele começa dizendo que eu posso ser pior do que um boi ou um jumento.

A primeira visão de Isaías descreve uma nação oprimida por nações estrangeiras. “A vossa terra está assolada, as vossas cidades, consumidas pelo fogo; a vossa lavoura os estranhos devoram em vossa presença; e a terra se acha devastada como numa subversão de estranhos” (7). Em seguida, Deus pergunta: “De que me serve a Mim a multidão de vossos sacrifícios?… Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não Me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes.” (11). Em outras palavras, ao sentirem o gosto da bota dos seus inimigos, ao terem suas filhas estupradas, suas colheitas saqueadas e ao terem de viver sob o signo do medo, Israel aumentou seus rituais religiosos. Ofereceu mais sacrifícios. Tentou comprar a proteção divina com mais cultos.

O caminho, contudo, não era esse. “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos Meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (16 e 17). Venham conversar comigo, apela o Senhor. Se me ouvirem, “comereis o melhor desta terra” (19).

Quando as coisas ruem, preciso resistir à tentação de parecer religioso e piedoso, porque o meu culto será ofensivo a Deus. Preciso ir conversar com Deus. Preciso deixar que Ele me ensine a olhar a viúva e o órfão mesmo antes de as coisas melhorarem, mesmo porque, a verdade é que quando as coisas estavam melhores, eu não os notava.

No fim das contas, Isaías está me dizendo hoje: lembre-se de a Quem você pertence e as implicações práticas disso. Nunca se esqueça Quem é seu dono.

Marco Aurélio BrasilQuem me tem
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Fugindo da depressão

Os dois exemplos de personagens bíblicos que sofreram de depressão citados na semana passada têm como causas da enfermidade um fato assemelhado. Elias viveu um pico emocional e espiritual no monte Carmelo, foi usado por Deus de forma espetacular perante todo o povo reunido. Decerto ele esperava que aquele evento fosse o despertar de um grande reavivamento nacional, um grande movimento de retorno ao culto a Deus, mas em lugar disso o povo voltou para suas casas e a rainha mandou dizer que ia matá-lo. Elias pulou do pico do monte para uma depressão profunda (a propósito, as depressões logo após grandes ápices espirituais são mais comuns do que se diz por aí).

Jonas, por sua vez, tinha idéias muito rigorosas de justiça e quando viu Nínive ser salva, embora houvesse de certo modo trabalhado para isso, pregado na cidade por três dias chamando-a ao arrependimento, caiu também ele na depressão profunda. Talvez estivesse preocupado com sua reputação, porque havia pregado que a cidade seria destruída. De qualquer forma, assim como foi com Elias, a depressão de Jonas nasceu da contrariedade. Eles esperavam que as coisas andassem num sentido, mas viram ela dar um pinote em direção diferente.

Nem preciso dizer que estamos todos sujeitos a contrariedades. Mesmo em coisas que são vitais para nós, não temos qualquer garantia de que elas vão acontecer e do jeito que sonhamos. O quê, então, precisamos fazer para quando esse dia chegar não cairmos numa caverna qualquer e pedir a morte a Deus, espalhando tristeza e desesperança também ao nosso redor?

É preciso confiar. “Entrega teu caminho ao Senhor, confia nEle e o mais Ele fará” (Salmo 37:5). Precisamos desenvolver agora, antes dos momentos de contrariedade, um espírito de confiança. Isso é o tipo de coisa que não aparece do nada e nem com relação a estranhos. Você só confia em quem conhece, por isso é preciso soltar nas mãos dEle hoje as coisas pequenas, depois as médias, para estarmos aptos a soltar as grandes quando elas não saírem do jeito que sonhávamos. É preciso ser capaz de falar com a boca cheia que temos um pastor e que nada nos faltará, nem que atravessemos vales sombrios. É preciso alimentar a mente de coisas positivas e luminosas.

Mas hoje em dia um gatilho muito comum da depressão é o stress. É de vital importância respeitarmos os limites do corpo. Dar-lhe descanso. E para vencer a tentação de se encher de atividades e
obrigações, de trabalhar excessivamente ou de relaxar assistindo um pouco de TV altas horas da noite ao invés de descansar é preciso colocar seu corpo como prioridade. Outra coisa interessante que as pesquisas apontam: apenas uma minoria das pessoas que sofrem de depressão tinham hábitos de exercícios físicos. Atividades físicas liberam endorfinas e mantém as defesas do organismo contra a depressão bem altas. Se essas atividades forem realizadas ao ar livre, muito melhor, o efeito será duplo.

O bem estar de amanhã depende de escolhas que precisam ser feitas hoje. Pense nisso.

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Depressão

Num momento Elias está sobre o monte Carmelo ridicularizando os 400 profetas de Baal e conduzindo seu morticínio. No instante seguinte nós o vemos fugindo desesperadamente, entrando dentro de um deserto e atirando-se embaixo de um zimbro, pedindo a morte a Deus. Foi preciso que um anjo o chacoalhasse duas vezes e o fizesse comer e continuar andando (I Reis 19).

Num momento Jonas está compondo um lindo salmo de louvor a Deus pela salvação operada através do peixe que o engoliu. “Eu te oferecei sacrifícios com a voz de ação de graças. O que votei, pagarei”, diz ele (Jon. 2:9), mas no instante seguinte ele está assentado do lado de fora de Nínive, pedindo a morte a Deus. “Desejou com toda sua alma morrer” (3:8)… Então Deus aparece e tenta fazê-lo ver como era irrazoável que ele estivesse naquele estado de espírito.

Quando promovíamos lá na igreja oficinas sobre estudos bíblicos, aparecia meia dúzia de gatos pingados. Quando, entretanto, promovemos uma palestra sobre depressão, tivemos que, às pressas, mudar para um auditório maior porque apareceu uma pequena multidão. Ali aprendi que a depressão tem uma causa física, a baixa de serotonina, mas geralmente tem um gatilho emocional. No caso dos exemplos bíblicos, Elias e Jonas desanimaram da vida e suplicaram a morte porque as coisas não saíram da forma como eles gostariam, como eles achariam mais correta. Elias esperava que após o incidente do Carmelo o povo o carregasse nos ombros e promovesse uma reforma profunda em Israel, defenestrando a ímpia rainha Jezabel. Quando ele viu que todos voltaram para suas casas como se nada houvesse acontecido e que a tal rainha queria o pescoço dele, desabou. Jonas queria que Nínive, a cruel capital da Assíria, fosse consumida pelo fogo. A misericórdia divina lhe parecia injusta. Ao testemunhá-la, desabou.

Hoje em dia uma das causas mais freqüentes da depressão é a estafa, o excesso de trabalho e atividades, mas também é comum ver pessoas em depressão após que os filhos deixam a casa, quando se perde alguém querido, quando sonhos são desfeitos e por aí afora. A experiência de Jonas e de Elias, contudo, me mostram que Deus não gosta nada disso. Ele manda anjos nos chacoalharem e arrazoa conosco nos chamando à razão.

Sendo a Vida, Ele quer que nós amemos viver. Na verdade, Ele morreu para garantir isso. Na próxima semana vou tentar falar sobre atitudes que podem nos ajudar a fugir da depressão.

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Os temperos da vida

Em “A solidão segundo Solano López”, excelente romance que narra a Guerra do Paraguai, Carlos de Oliveira Gomes descreve o ataque a um vilarejo paraguaio sob a ótica de um soldado adolescente. Ele está ansioso para poder fazer duas coisas que nunca fez: comer açúcar e fazer sexo. Imagine a explosão de sensações no cérebro de alguém que passou toda a vida sem sentir o sabor do açúcar refinado. Bem, o autor relata pessoas comendo quilos e quilos de açúcar saqueados aos seus inimigos.

Deus polvilhou esse mundo agora maculado de pecado de temperos que tornam a vida cheia de cor e sabor e escreveu a advertência da moderação não na embalagem de cada um desses elementos, mas no interior de nosso coração. Mas quem liga para advertências, não? Para milhões de pessoas, a vida é norteada por demorar-se nos temperos como se eles fossem fins em si mesmos: comer quilos de açúcar de uma só vez, o maior número de vezes possível, por exemplo. E um dos problemas dessa atitude exagerada é que ela desperta a reação dos moderados atacando os temperos como se eles não tivessem vindo das mãos do Criador.

O livro de Cantares, por exemplo, tem uma série de referências ao prazer sexual que boa parte dos eruditos teológicos se esforçam para simplesmente não ver, tentando espiritualizar o texto para que ele se refira exclusivamente ao relacionamento de Cristo com a igreja. Quando a mulher do poema afirma “qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; com grande gozo sentei-me à sua sombra e o seu fruto era doce ao meu paladar” (2:3), o comentário adventista afirma: “estas palavras têm sido utilizadas para ilustrar o descanso da alma à sombra do amor de Cristo, desfrutando um abençoado companheirismo com o Senhor”. Mas por que o texto não pode estar celebrando aquilo que obviamente está? Onde está o mal de compor um poema celebrando o amor consumado?

O problema real não está aí. Está na forma como milhões de pessoas buscam o tempero (no caso, o sexo), descartando a comida (no caso, o relacionamento de amor, responsável e comprometido) e no seu total oposto: a negação da legitimidade do prazer que o Criador espalhou pela existência e que funciona como setas para o Céu.

Não devemos morar nas setas. Devemos rumar para onde elas apontam. Mas podemos – e devemos! – celebrar Aquele que as colocou ali cada vez que as encontramos pelo caminho.

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Encruzilhadas

Lembro o dia em que estava a trabalho em uma cidade extremamente quente, com ainda duas ou três horas para meu voo de volta. O calor desaconselhava andar pela cidade, meu passatempo preferido quando estou em um lugar desconhecido, então o jeito foi zapear pela TV do hotel, que tinha poucos canais. Achei um filme de aventura, desses em que se gasta milhões de dólares e que eu não assistiria nem por decreto em condições normais, e fiquei ali assistindo. Depois de terminado, arrumando minhas coisas para sair, além de ter a sensação de perda total de tempo, fiquei me perguntando o quê no filme parecia tão deslocado. Claro, o roteiro era absurdo, cheio de furos, de personagens inúteis, mal dirigido, com um final bobo, mas havia alguma outra coisa. Ah, sim. Localizei a fonte de meu estranhamento: a heroína, nas piores situações, estava sempre com uma expressão de que sabia exatamente o que fazer. E sempre fazia a coisa certa, na hora certa, do jeito certo e sem desarrumar o cabelo. Impressionante.

Mais que todo o besteirol, é uma personagem assim que soa profundamente inverossímil. Não pelo cabelo, mas por ser senhora absoluta de todas as situações, mesmo as mais inusitadas. Porque
nós, seres humanos, não somos assim. Volta e meia nos vemos em impasses desconcertantes de dois tipos, basicamente. Podem ser encruzilhadas quanto a que caminho seguir na vida, grandes decisões que precisam ser tomadas e que, por desconhecermos o futuro ou o que envolve exatamente cada tomada de rumo, nos deixam angustiados. Podem, também, ser decisões que tenham repercussão
espiritual. Situações em que não conseguimos ter certeza de estar agindo certo.

Existem, de fato, ocasiões para as quais não fomos treinados. Por medo delas é que se perde tanto tempo discutindo em igrejas trivialidades. As pessoas querem um claro “isso pode” e “isso não
pode” na esperança de jamais se encontrarem no tal impasse moral. Participei um curto tempo de um grupo de discussão na internet que congregava pessoas de diversas confissões religiosas e me enfadei com uma discussão interminável sobre se as mulheres podiam cortar o cabelo e, se não, se podiam cortar ao menos as pontas. A coisa parecia ter reflexos morais sérios para os envolvidos na discussão.

Você pode não ter problema algum quanto a isso, mas chega um momento em que você realmente não sabe como proceder. Mostrar solidariedade a um amigo solitário indo a sua festa de aniversário apesar de ser no dia santo? Obedecer quando alguém lhe pede para dizer ao telefone que ele não está? Emprestar dinheiro? Sei lá, existem milhares de situações como esta.

E é por causa delas que Deus registra mais uma fantástica promessa em Sua palavra: “Os teus ouvidos ouvirão a voz do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele” (Isa.30:21). Faça a prova. Na próxima encruzilhada da sua vida, feche os olhos e dedique-se a ouvir a voz de Deus.

Marco Aurélio BrasilEncruzilhadas
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A Copa e a entrega

Esta semana apareceram ambulantes vendendo bandeiras do Brasil, vuvuzelas e camisetas falsificadas da seleção aqui na minha rua. Foi só na segunda semana de Copa do Mundo. A mística do mundial pode demorar, mas sempre chega. O que mais explicaria o fato de pessoas que não suportam futebol abrirem essa exceção de 20 dias a cada quatro anos?

Existe o componente patriótico envolvido, mas o fato é que os jogos de Copa do Mundo em geral costumam ser bem mais emocionantes que os jogos regulares de clubes, exceção feita às partidas eliminatórias de alguns campeonatos. Talvez pelo fato de estarem jogando pelas cores de seu país, mas mais provavelmente pelo fato de saberem que o mundo inteiro está olhando e que ali está a chance dos jogadores de conseguirem contratos melhores, fato é que existe uma presença de entrega nos jogos da Copa que comove. Você se pega sofrendo com pessoas nas quais nunca pensa: islandeses, senegaleses, tunisianos, iranianos e panamenhos.

A entrega continua comovendo, mesmo em tempos hipermodernos. Gilles Lipovetski, um dos melhores leitores de nosso tempo, observou que a globalização neoliberal tornou as sociedades permeadas de valores essencialmente individualistas e tornou absolutamente impopular a entrega, o auto-sacrifício, o endeusamento do dever. Aí você vê aqueles caras se atirando de peito aberto nas divididas, pretensamente pela glória de sua nação, e uma nostalgia de algo que você nem sabia que havia perdido lhe toma o peito. A mística do Mundial tem muito que ver com os valores de um tempo que se foi, trocado por outro com algumas coisas melhores, mas privado de algo essencial.

Aí precisamente reside a relevância do cristianismo. Contra o fluxo das coisas, Jesus Cristo continua requerendo a negação de si mesmo, a tomada da cruz, e o segui-lo. Contra a correnteza da sociedade, Jesus aponta para a maior de entregas já feita, a Sua na cruz, aponta para a vida eterna, e, entre uma coisa e outra, pede que o busquemos de todo o coração, que o amemos com todas as forças, toda a alma e todo o entendimento, que coloquemos Seu reino em primeiro lugar.

Eles tentam, mas não conseguem arrancar do cristianismo aquele algo essencial. Aquele algo que garante que a vida não é vã nem vazia.

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