Últimas Publicações

Revoluções

Em 1979 o Dr. Alvin Silverstein, Ph.D. (como os americanos dessa seleta casta fazem questão de se identificar), publicou um livro denominado A conquista da morte, no qual profetizava: “Por volta de 1983 inicia-se a interrupção do processo de envelhecimento; 1989 -– duração de vida prolongada indefinidamente; 1999 –- conquista da doença e da morte”.

Os movimentos libertários dos anos 60 formaram uma geração disposta a buscar em qualquer campo de conhecimento humano as respostas que julgavam não achar nos esquemas da maioria. Assim, experiências com LSD, ópio e haxixe tornaram-se válidas, no seu entender, para alcançar a expansão da mente e atingir níveis ainda não palmilhados de “iluminação”. Eles entendiam que durante milênios o homem esteve buscando as respostas do lado da espiritualidade, e elas não vieram, o estado religioso não havia tornado o homem feliz e completo. Foi a vez, então, de os cientistas saírem em sua busca pela tal da felicidade, mas eles voltaram com uma série de inventos e descobertas estimulantes, contudo ineficazes para o fim maior: felicidade, senso de propósito, sentido para a existência.

Agora, quando a evolução do gênero humano atingiu um grau satisfatório, o homem poderia enfim juntar as duas escolas, unindo fé e razão, e colocando experiências outrora tratadas como místicas no campo da razão e da ciência. Uma nova era, um novo homem estaria pronto para nascer. Um homem capaz de mudar todos os paradigmas, não mais se conformar com a morte, com a fome, com falhas da comunicação, enfim, um homem pronto para viver em uma nova escala de existência, um novo patamar de consciência, sem dor, sem preconceitos, sem mágoas, sem traumas.

A realidade parece sempre dar um banho de água fria nos otimistas. 1999 passou e, salvo ledo engano deste leigo que vos fala, nem a conquista projetada para 1983 foi alcançada, embora haja gurus místico-científicos apregoando fórmulas de interrupção da velhice. Os adeptos da Era de Aquarius devem andar macambúzios com a velocidade
de instalação da dita. Ela insiste em não vir. O conhecimento científico continua a se multiplicar em escala geométrica, mas o homem permanece o mesquinho e preconceituoso de sempre, aferrado a sua realidade, a sua verdade míope.

Vivemos num momento, pois, de morte das ideologias. O termo “fundamentalista” é visto com o horror pela grande massa. Os pregoeiros da nova era parecem ter errado tanto quanto qualquer grupo que supõe ter uma verdade. Nesses momentos de apatia ideológica, então, é que revoluções acontecem. Qual será a próxima? Se a união
ciência-misticismo, mas tendendo para a ciência, não deu certo, creio que a próxima revolução há de ser um misticismo-ciência: aceita-se as grandes conquistas e luzes que a ciência trouxe, mas volta-se a um estado de governo da voz mística, a voz do grande pai espiritual; ele é quem há de conduzir o rebanho.

Ora, toda revolução coloca em situação desconfortável os seus contrários. Os céticos e os fundamentalistas, então, hão de ser marginalizados. Ora, como seres sociais que somos, ninguém gostaria de ser marginalizado. A menos que exista, de fato, uma “verdade” e ela seja diferente da postulada por mais essa revolução.

E é. “Eu sou a Verdade”, disse Jesus. Nenhum outro “guru” jamais ousou afirmar algo assim. O tipo de relacionamento que você desenvolve com Ele determina em que lado do estouro da boiada você está.

O dia vem em que aquele que se posiciona ao lado da Verdade e que alimenta seu tipo peculiar de otimismo não há de ser frustrado. Só 01quero estar lá para ver.

Marco Aurélio BrasilRevoluções

Artigos Relacionados