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Sempre fui santo

O título do texto de hoje é uma brincadeira com a expressão “nunca fui santo” e deve ser entendido assim: “sempre fui santo; pelo menos desde o instante em que Deus me declarou assim”.

Na última semana prometi voltar a esse assunto, mas confesso para você que estou ainda processando uma mudança de entendimento profundo sobre o que significa a palavra “santificação”. O entendimento tradicional, que ouvi de púlpitos minha vida inteira e tantas vezes ensinei também, prega que a justificação é um processo instantâneo, operado na nossa conversão, ao passo que santificação é a obra de uma vida inteira. Devemos seguir a santificação, devemos buscar ser santos como Santo é nosso Deus.
Curiosamente, as evidências típicas dessa santificação que se prolonga pela vida toda são todas comportamentais. A pessoa aos poucos vai deixando “as coisas do mundo”, vai deixando de mentir, roubar e adulterar, vai se abstendo de certas comidas e abdicando a qualquer produto cultural parido por um não converso.
E, no entanto, a Bíblia afirma que no momento da conversão nos tornamos novas criaturas. O texto de II Coríntios 5:17 está no presente. Quem está em Cristo, é nova criatura. Não diz que “será um dia”… Atos 26:18, I Coríntios 1:2, Hebreus 10:10, são todos textos que se referem à santificação no passado, como já havendo acontecido. E isso vale até para a igreja de Corinto, que estava cheio de problemas, inclusive de ordem sexual. Por outro lado, há textos que apontam para a obra da justificação como se prolongando no tempo.
Talvez eu precise corrigir o que entendo sobre esse assunto.
Bem, a primeira coisa que vemos Deus santificar é o sábado. O sábado é um dia igualzinho todos os outros, com a única exceção de que Deus o declarou santo. Deus o declarou diferente e então ele passou a ser diferente. Nós não podemos roubar a santidade do sábado, só podemos deixar de lembrar dela, tanto que o mandamento é “lembra-te do dia de sábado”. Portanto, o sábado é santo porque Deus o faz assim.
E Deus disse que eu sou santo. Disse que eu pertenço a uma geração eleita, um sacerdócio real, uma nação santa (I Pedro 2:9). Eu não sou diferente dos outros e a maior evidência de que estou me lembrando disso todos os dias é se reproduzo, pelo poder do Espírito que age em mim, a mente de Cristo. “Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:35), e não “se vocês se comportarem como as pessoas que parecem ser santas”.
Seguir a santidade depende de eu lembrar de e confiar naquilo que Deus falou a meu respeito. Eu abdico do homem que sei que sou e confio no homem em quem Ele me transforma conforme Sua boa vontade, na velocidade que Ele achar melhor. E a melhor evidência disso não tem nada a ver com minha dieta ou que instrumentos compõem a música que escuto. A melhor evidência exterior disso está em eu não tripudiar da morte de uma pessoa de quem não gosto, ao contrário, me solidarizar com sua família. A melhor evidência está em enxergar nas pessoas radicalmente diferentes de mim candidatos ao Reino, e buscar amá-las. A melhor evidência está em ser Cristo para o mundo ao meu redor.
Foi para isso que Ele me santificou e toda glória é dEle.
Marco Aurélio BrasilSempre fui santo