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# Silêncios e respostas

jhEm uma madrugada a voz daquele escritor rompeu o silêncio em direção ao Eterno sem qualquer compromisso, como se soubesse que o silêncio permaneceria: “o que queres que eu escreva Senhor?”. Então, de alguma forma que não conseguiu explicar, de imediato compreendeu a seguinte resposta: “discorra sobre o Meu amor, filho”.

Entre os limites de sua crença, circunscrita aos versos comuns ao conhecimento religioso, e a sugestão racional que a resposta pudesse ter vindo de sua mente, por um instante percebeu que aquela “consciência” o havia tocado fundo, indo à sua condição humana como nunca antes experimentara. Assim, arriscou perguntar – “Senhor, como eu posso testemunhar sobre o Seu amor se sou um pobre e miserável a vagar por este mundo de dores? Quando foi que vivi o Seu amor?”.

“Todas as vezes que retirar os olhos dos acontecimentos que alardeiam a pobreza e a miséria humana e silenciar a sua atenção nos detalhes que constantemente ocorrem dentro de ti e ao teu redor, compreenderá o que é e quando viveu o Meu amor”, respondeu-lhe dentro de um instante que parecia de completo silêncio… até que percebeu que o silêncio de fato se fez.

Aquela situação o deixou confuso… faria algum sentido a situação ou mesmo a resposta, perguntava-se. Vagueou em seus pensamentos, pois sentia que aquela orientação não poderia ter vindo de sua experiência como ser humano, e nem tampouco por seus limitados conhecimentos restritos à união de livros divididos em capítulos e versos.

Se perguntado, não saberia responder sobre o amor de Deus. Algo havia ocorrido. Pensou: “terá sido este momento o próprio detalhe a que a resposta se referiu? Afinal, havia silêncio em meu coração…”.

Recordou a semana que antecedeu àquele silêncio e encontrou algumas situações que naqueles dias pareciam pequenas demais para ser o que daria equilíbrio a tantas situações difíceis. A certeza dos fatos o fez esboçar um sorriso. E então o homem-escritor reescreveu com calma o seu coração, entregando os seus olhos a detalhes que surgiam no dia a dia, sem que praticamente alguém os percebesse.

E desde aquele silêncio a palavra se fez vida em resposta à sua história.

Feliz sábado!

Sadi –Um peregrino da palavra

Sady Folch# Silêncios e respostas

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