Publicações com Confiança

Quando os dias são maus

Quando os dias são maus, pisar a rua representa uma descarga de adrenalina. Os sentidos se aguçam, o medo, que estava agachado, se levanta. Quando os dias são maus você é obrigado a andar olhando tudo o que acontece ao redor, a encarar passantes, a manter os vidros fechados, a fechar as travas, o rosto e o coração.

Quando os dias são maus você não dorme totalmente em paz. Checa se todas as portas e janelas estão trancadas, acorda sobressaltado ao mínimo ruído.baddays5

Quando os dias são maus você desconfia de tudo e de todos, qualquer um pode estar te passando a perna e você fica com a sensação de que geralmente está mesmo.

Quando os dias são maus as contas não dão trégua embora as entradas estejam minguando e você não sabe como será o próximo mês e você não consegue, simplesmente não consegue deixar de andar ansioso quanto ao que haverá de comer ou de vestir.

Quando os dias são maus o emprego e o ofício não preenchem, fica faltando algo, e eles bambeiam, e você não tem segurança.

Quando os dias são maus – e eles são! – as notícias ruins se acumulam, os relacionamentos ficam doentes e alguns, muitas vezes os mais importantes, caem de podre, e você nem tem tempo de pensar de onde veio o disparo.

Quando os dias são maus os amigos estão sofrendo, seja porque a morte lhes bateu à porta mais cedo do que se podia esperar, seja porque os terremotos abalaram aquilo em que confiavam e de onde lhes vinha o consolo e o prazer. E você nem sabe o que dizer e você só pensa que o próximo pode ser você.

“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensato, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus” (Efésios 5:15 e 16).

Porque os dias são maus é preciso sabedoria. Aproveitar ao máximo cada oportunidade para dizer que ama. Aproveitar ao máximo cada oportunidade para multiplicar a certeza de que um dia Jesus Cristo os fará bons. Aproveitar ao máximo a oportunidade de viver como quem sabe que, no relógio dEle, os dias maus estão com os dias contados.

Marco Aurélio BrasilQuando os dias são maus
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Visão Divina X Visão humana – Parte I

(…) Os homens julgam pela aparência exterior, mas Eu examino os pensamentos e as intenções” I Samuel 16:7 (Bíblia Viva)

Inicio hoje uma série de reflexões comparativas entre o modo divino e o humano de olhar as pessoas, principalmente aquelas que erram ou são motivo de escárnio e desdém na sociedade. Em Zacarias 9:1 lemos que: “(…) os olhos do Senhor estão sobre toda a humanidade”, esta certeza, aliada à de que o Eterno nos olha com Seus olhos de amor, como mostra o texto base desta série, nos dá segurança e nos enche de esperança.

O Senhor enviara o profeta Samuel a Belém afim de ungir como rei o Seu escolhido, em lugar de Saul, que há muito de afastara de Seus caminhos. Lá chegando convida Jessé a participar do sacrifício que faria. Quando chegam Jessé e seus filhos Samuel vê o primogênito, alto, forte, bonito e um oficial do exército, tem certeza que era o escolhido, nesse instante, porém, ouve do Eterno que Seu olhar era diferente do nosso, pois via o interior e não se preocupava com o exterior. Samuel vê então passar um a um os filhos de Jessé e serem rejeitados pelo Eterno, até que lhe trazem o caçula, que estava esquecido no meio das ovelhas. Recebe então a ordem para que o unja rei.

Como o próximo rei de Israel era tão diferente do estereótipo humano! Apesar de ser ruivo, de boa aparência e belos olhos Davi não seria o escolhido das pessoas, era um pastor de ovelhas. Tinha o cheiro do campo e dos animais com os quais lidava o dia todo. Para piorar a situação era o caçula, em uma família de oito filhos homens ele não teria nenhuma chance de liderar nada, mas foi o escolhido do Senhor e, como tal, até hoje é considerado o maior rei que reinou em Israel, pois Ele não vê como o homem.

Nem imagino quem seja você ou pelo que tem passado, mas com certeza já passou por momentos difíceis onde o julgamento humano o colocou em situação de desconforto. Talvez, para alguns, você tenha merecido, mas não se preocupe, não interessa o que digam a seu respeito, ou como o julguem, pois para Aquele que sonda as mentes e o coração (Salmo 7:9) você sempre será o escolhido. Assim como escolheu Davi e o capacitou para a obra que tinha em mente, Ele fará com você. Sorria, você é um escolhido dEle.

Gelson De Almeida Jr.Visão Divina X Visão humana – Parte I
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Se a tempestade vier…

A palavra tempestade vem do latim ‘tempestate’ e significa tormenta, agitação. Normalmente dura no máximo algumas dezenas de minutos e é acompanhada de ventos e chuvas fortes, raios , relâmpagos e trovões. Em nossa vida, de forma figurada, vez por outra passamos por tempestades. São eventos rápidos, mas que, em muitos casos, deixam marcas duradouras. Podem surgir do nada ou serem “anunciados”.

O capítulo 3 do livro de Daniel relata o momento em que três jovens hebreus são lançados na fornalha por causa de sua fé e fidelidade ao Altíssimo. Dias antes tudo estava sob controle em sua vida, moravam na capital do maior império da época e tinham acesso ao palácio real, até que o rei resolveu se auto-homenagear com uma estátua em tamanho colossal, diante da qual, sob pena de morte, todos deveriam se prostrar. Como não se prostraram os jovens hebreus foram condenados à morte na fornalha. A tempestade chegara em sua vida de uma forma jamais imaginada.

Deus poderia ter providenciado para que não estivessem presentes naquele dia, podia ter impedido que fossem lançados na fornalha, mas não fez nada disso. Deixou que fossem lançados na fornalha, mas não os abandonou, pelo contrário, desceu do Seu trono e se colocou dentro da fornalha ao lados daqueles jovens.

Do mesmo modo que agiu no passado o Eterno age em nossa vida. Portanto, quando a tempestade se abater sobre você, não perca a fé e a confiança nEle. Ele poderá deixar que a tempestade se abata sobre você, mas não deixará que passe sozinho por ela, assim como esteve ao lado de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego estará ao seu lado também, pois Ele nunca abandona um filho Seu.

Gelson De Almeida Jr.Se a tempestade vier…
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# Aba, Pai

encarando-a-tempestade1Com essa expressão – Aba – os povos de língua semítica referem-se ao pai, ao genitor. E é dito de forma que expresse carinho, sobretudo confiança. Pai. Significado que ultrapassa o sentido de genitor. Encontra-se inserido a um contexto, para o pai, de responsabilidade que se lhe atribuiu diante dos filhos que tenha.

Os filhos são uma grande responsabilidade que recaem sobre a vida dos pais, pois um dia também serão pais, e como tal, necessitarão de solidez de caráter e personalidade para que sejam homens igualmente corretos e transfiram bons ensinamentos a seus próprios filhos, e estes igualmente de geração em geração.

Quando um pai se preocupa com a educação que queira dar a seus filhos, deve inicialmente olhar para si próprio, afinal ações falam muito mais do que muitas palavras. Filhos observam seus pais e querem imitá-los, pois enxergam neles a única referência de proteção, cuidado e providência.

Jesus sempre se referia à sabedoria e aos ensinamentos que transmitia ao povo, como provindos de seu Pai, daquilo que ele escutara de seu Pai, não falando por ele próprio. O filho quer imitar Seu Pai, se espelha nele e quer viver segundo o padrão pelo qual viveu desde o início. É assim com os filhos dos homens. Foi assim com o filho de Deus.

Um Pai amoroso, provedor, justo, bom, fiel, perdoador, galardoador, entre tantas outras qualidades que só Ele possui, assim é o Pai Eterno. Um pai para toda a humanidade, não apenas porque nos criou à Sua imagem e semelhança, mas, sobretudo porque provou Seu amor pelo homem, resgatando a todos ao entregar o que lhe era mais precioso: Seu único filho. O filho perfeito, para nos referirmos a ele com a mínima justeza, foi entregue ao sofrimento em nosso lugar, e isso por decisão de seu Pai.

Paulo afirma na carta aos efésios que Ele nos elegeu para Si próprio antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor, nos predestinando a sermos Seus filhos de adoção, por meio de Cristo. E assim somos reconhecidos quando guiados pelo Seu Espírito. Por isso clamamos – Aba, Pai! –, pois em nós, dessa forma, não há temor, segundo a carta de Paulo aos romanos.

Temos tudo para crescermos filhos saudáveis em todos os aspectos, fortalecidos em santidade, pois há um Pai Criador, Santo, bendito seja o Seu nome, exemplo único a que devemos seguir e em quem podemos confiar inclusive nossos próprios filhos.

Que os pais possam sentir que todos os dias sejam o seu dia, tamanha a honra com que seus filhos vivem a vida e cumprem o mandamento que diz: honra teu pai. Que o Pai Eterno possa sentir orgulho de seus filhos.

Sady Folch# Aba, Pai
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Benção disfarçada

“(…) o Senhor era com ele, e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava”. Gênesis 39: 23b


Uma frase maravilhosa para se falar acerca de alguém. Talvez, como eu, você já sentiu vontade de ocupar um cargo importante como José, que foi governante do Egito Antigo. É interessante que todos os que já tiveram esse desejo jamais gostariam de pagar o preço que ele pagou até chegar lá. Antes de se tornar o segundo homem mais poderoso de sua época José viu sua mãe morrer quando tinha aproximadamente 15 anos. Seus irmãos, que o odiavam, venderam-no como escravo aos 17 anos. Serviu fielmente seu senhor egípcio por 10 anos, mas foi mandado injustamente para a cadeia, onde ficou três anos.

Mesmo nos momentos difíceis José tinha certeza que Deus estava com ele, só não imaginava o que o Eterno lhe preparava. Ele conhecia Deus, mas não conhecia o “melhor de Deus”. O Eterno superou todas as suas mais otimistas expectativas.

Talvez, em meio a dor e sofrimento, você já tenha se perguntado onde está Deus, o Deus a quem procura servir e que parece não se importar com sua situação. Já imaginou esse Deus abençoar alguém porque você está por perto e sua situação permanecer inalterada? Muitas coisas acontecem em nosso dia a dia para as quais não temos explicação, mas é o meio que o Eterno utilizará para nos conceder sua verdadeira benção. Por confiar, José nunca se queixou ou duvidou do Eterno. Ele sempre esteve ao seu lado e a benção invisível um dia tornou-se visível, saiu do buraco da masmorra e foi direto para a Corte egípcia.

O Deus de José ainda é o mesmo (Malaquias 3:6). Nunca duvide do poder do Pai nem de Seu amor pelos Seus filhos. Com certeza você está sendo abençoado agora, pode ser que sua benção, como a de José, esteja disfarçada, mas não desanime, confie, pois um dia tudo mudará e você conhecerá o melhor de Deus.

Gelson De Almeida Jr.Benção disfarçada
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A parábola dos javalis

Torno a falar-lhes por parábolas: diz que, com o perdão do trocadilho, o bicho pegou na floresta. Os macacos apareceram apavorados dizendo que uma manada de javalis estava a caminho. O desespero se espalhou rapidamente, os perus do mato fizeram um barulhão, as pernas dos veados batiam umas nas outras, até a onça passou a roer as unhas nervosamente. Todos sabiam o poder destruidor de uma manada de javalis.

Imediatamente cada animal buscou o lugar onde costumava passar mais tempo: o coelho se enfiou na toca, o macaco subiu o máximo que pôde na árvore, a onça procurou a caverna.

Um tatu, contudo, sentiu-se iluminado quando já ia entrando no seu buraco. Pensou: “javali não voa, javali não sobe em árvore nem pula. Ele vai destruir tudo o que está no rés do chão, onde eu fico. O negócio é subir numa árvore. Claro que o tatu não tinha muito costume na coisa e não conseguiu subir na árvore. E então acabou atropelado pela manada de javalis selvagens.

Eles estão a caminho

Eles estão a caminho

A história termina e, como toda história de bichos que falam e pensam, tem uma moral: na hora do perigo, a primeira reação é correr para onde temos nos sentido seguros. A árvore sempre esteve ali e o tatu deveria ter praticado escalada antevendo dias de perigo (vá lá, dê um desconto para a minha ilustração). Até ali o seu buraco lhe parecia ótimo, é ou não é?

A moral da moral é: onde você tem passado seu tempo? Onde você tem se sentido seguro? Você vai correr para os braços de Deus (que é Quem resolve as coisas) quando o perigo aparecer se você estiver afeito a eles, se estiver acostumado a aninhar sua cabeça no Seu peito, ouvir Sua voz, conversar com Ele. Se você não estimular essa familiaridade com a proximidade de Jesus, quando precisar recorrer a Ele o seu passado de negligência vai interferir, vai te dar a impressão de “agora é tarde”, “fui longe demais”, ou então você vai ficar com um pé atrás, pensando: “será que esse ‘negócio’ funciona mesmo?” Essa desconfiança é fatal, porque não permite que nos ponhamos em sintonia com o Céu. Um Pai louco para dar boas coisas a Seus filhos, e eles desconfiando, titubeando…

Ora, por isso é que a Bíblia diz: “é imprescindível que aquele que se achega a Deus creia que Ele existe e premia a quem O busca” (Hb. 11,6). Como crer na hora da maior necessidade se antes você não vivenciou o “prêmio” nas coisas minúsculas?

Eu hoje escrevo para quem não enfrenta um grande problema. Se está assim a tua vida, pense que é hora de aprender a subir em árvores, porque a tempestade vem para todos, mais dia, menos dia, e não manda avisos.

Se, contudo, é um daqueles dias cinzas, e já dá pra sentir a respiração e ouvir o tropel dos implacáveis javalis, é hora de aprender a subir em árvores, mesmo contra a lógica. Outros fizeram isso antes de você e embora boa parte tenha fracassado, alguns se despiram de seus preconceitos e acreditaram que Jesus Cristo é mesmo o Deus de braços abertos, pronto a receber Seus filhos pródigos, mesmo que eles a Ele vão AGORA. Esses venceram e por entre o rugir de javalis, tiveram paz

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Marco Aurélio BrasilA parábola dos javalis
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Mais sublime

Suspeito que se eu tivesse acabado de escrever “Ouse Crer” hoje, e não há dois anos e meio como foi, o livro teria umas cem páginas a mais. É que para todo lado que olho e especialmente a cada nova página da Bíblia que releio, vejo evidências do acerto da conclusão a que cheguei e que me impeliu a escrever.

A conclusão, resumidamente, foi: o objetivo supremo de nossa trajetória neste mundo é desenvolver uma relação de confiança com Deus. É isso que determina nosso destino eterno. Logo, tudo que nos acontece é uma oportunidade para chegarmos nesse fim.
Eu estava no trânsito parado, então peguei minha Bíblia Viva para dar uma lida e o que li me trouxe outra confirmação dessa conclusão.
Em Efésios 3, Paulo está dizendo aos cristãos de Éfeso tudo o que eles têm depois de haverem aceitado o evangelho de Jesus. Agora eles estão em pé de igualdade com os judeus, podem se sentir honrados e animados (verso 13), podem experimentar “as riquezas gloriosas e ilimitadas”  e o “fortalecimento interior por meio do Espírito Santo” (verso 16). São todas coisas fantásticas, mas o melhor vem na sequência: “E oro para que Cristo habite em seus corações, à medida que confiarem nele, e que vocês aprofundem suas raízes no solo do amor maravilhoso de Deus; e que vocês, junto com todos os filhos de Deus, possam compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo; e por si mesmos possam experimentar esse amor, embora seja ele tão grande que vocês nunca verão o seu fim, nem o poderão conhecer ou compreender completamente. E dessa maneira, vocês ficarão cheios de toda a plenitude do próprio Deus” (versos 17-19).
Note você que experimentar toda a extensão do amor de Deus, ficar cheio da plenitude dEle, são um subproduto de ter Cristo habitando nosso coração. E, para a coisa não ficar abstrata demais, o método para ter Cristo habitando em nosso coração não é envolve outra coisa senão confiar nEle. Ele habita no seu coração “à medida que confiarem nele”.
O Espírito Santo saiu cedo da cama hoje e espalhou pelo seu caminho um bilhete que diz: a sua existência pode ser muito, muito mais sublime do que essa luta vã e inglória para não perder as coisas que você acumulou, ou do que essa sua luta por sobreviver, ou do que esse esforço estafante por uma esmola de carinho e atenção. Você pode ter nada menos que a plenitude do próprio Deus. Você pode ter um amor tão imensurável que não dá para entender, mas dá, ah, sim dá, para experimentar. Você só precisa desarmar suas defesas, jogar a toalha, abdicar do controle. Você só precisa olhar para cima e sorrir. E confiar.
Marco Aurélio BrasilMais sublime
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Casa da misericórdia

O título acima nada mais é que o significado do nome do tanque (Betesda) onde Cristo realizou um  de seus muitos milagres. Segundo o relato de João (5:1-9), passando por ali o Mestre viu um paralítico, doente há trinta e oito anos. Parando, perguntou-lhe se queria ser curado. Sem saber quem lhe falava o homem respondeu: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me ponha no tanque… (v.7). O Criador de todas as coisas, o Doador da vida, manda que ele se levante tome o seu leito e siga seu caminho. O milagre que tanto queria se realizara, alcançara a benção que procurara por trinta e oito anos.

Aos olhos humanos aquele homem não era o melhor candidato a receber um milagre, pois não conhecia Jesus, quando foi perguntado se queria ser curado reclamou que não tinha quem o colocasse no tanque e, após ser curado, não se interessou em saber quem o curara. Só uma coisa importava, alcançara o milagre. Somente mais tarde, quando encontrou Cristo no templo, soube quem realizara o milagre.

O relato desse milagre mostra que não importa quão miserável seja nossa vida, quão decadente seja nossa aparência ou o tamanho do abandono pelo qual estejamos passando, ainda existe uma esperança, Cristo. Mostra ainda que no momento de maior dor ou sofrimento, quando não existir mais ninguém disposto a ajudar Cristo ali estará. Por fim, mostra que mesmo não sendo merecedores de coisa alguma o amor do Pai nos alcançará. Não sei qual é sua situação, o tamanho do milagre que necessita, ou há quanto tempo espera por ele, mas de uma coisa estou certo, o Eterno, neste exato instante, está ao seu lado para ajudar.

Gelson De Almeida Jr.Casa da misericórdia
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…a espinha ereta e o coração tranquilo

Aquela mãe de amigos meus se incomodava profundamente com minha postura desleixada na adolescência e achou um jeito bastante interessante de me fazer conscientizar sobre a necessidade de vigiar minha postura: toda vez que me via emulando Quasímodo, com os ombros projetados pra frente e a cabeça entre eles, ela vinha por trás e empurrava com o nó do indicador a base de minha coluna lombar. Num passe de mágica minha postura se emendava.

Por alguma razão lembrei disso lendo Atos 4. Os apóstolos pregavam sobre Jesus, dizendo que Ele havia ressuscitado quando foram chamados perante os líderes judaicos para responder com que autoridade falavam aquelas coisas. Aparentemente, naquele tempo você precisava necessariamente ter autoridade vinda de cima para fazer qualquer coisa. Eles queriam saber qual era a escola rabínica à qual estavam afiliados e que lhes permitia a ousadia de pretender ensinar quem quer que fosse.

confidentPedro responde com poucas palavras, sem rodeios: falamos em nome de Jesus Cristo, aquele que vocês mataram, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Não existe outro nome capaz de salvar. Essa resposta me lembra muito alguém com a coluna muito ereta, o peito estufado. Ousadia. Coragem. Confiança. Como está na Bíblia Viva, “Quando os membros do Sinédrio viram a coragem de Pedro e João, e percebendo que eles eram evidentemente homens simples e sem cultura, ficaram admirados e reconheceram o que a convivência com Jesus havia feito neles” (verso 13).

Mas a coluna de Pedro nem sempre esteve assim retinha. No dia do aprisionamento de Jesus, quando perguntado se O conhecia, Pedro se encolheu todo e negou.

Anos atrás a revista Carta Capital publicou uma longa matéria sobre evangélicos no Brasil e chegou a uma curiosa constatação: a elite brasileira não gosta dos evangélicos porque há algo na fé deles que melhora sua autoestima, os faz empinar o peito e exigir seus direitos.

Que lindo paradoxo temos aqui: seguir o humilde galileu, assumir o tipo de humildade que Ele praticou, deveria melhorar, e não piorar nossa autoestima, deveria nos encher de uma santa ousadia e de um destemor sobrenatural.

A graça veio com seu dedo indicador e empurrou nossa coluna pra frente. A graça veio e nos mostrou quem somos e o que somos é muita coisa. Agora estufamos o peito, erguemos o pescoço não por nos sentirmos superiores a quem quer que seja, mas por saber que não somos inferiores a ninguém, nem mesmo aos que o mundo aplaude como vitoriosos. Acertamos nossa postura com a certeza de que somos valiosos porque somos filhos de Deus e que Ele nos viu dignos de enviar Seu próprio Filho para morrer em nosso lugar.

E o fato de estarmos sempre prontos a nos curvar e servir não significa que nos sentimos menores do que efetivamente somos. Antes, bem ao contrário.

Marco Aurélio Brasil…a espinha ereta e o coração tranquilo
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Zona de conforto

Um rei ganhou dois filhotes de aves de caça e mandou que fossem treinados para serem utilizados o mais rápido possível. Pouco tempo depois o treinador procurou o monarca e disse-lhe que uma das aves estava pronta. O rei ficou muito feliz com a demonstração que lhe foi feita. Perguntou então como estava a outra ave e soube que ela nem se mexia no galho, até a comida tinha que ser levada ao bico. O rei prometeu uma recompensa àquele que fizesse a ave voar. Muitos tentaram, mas sem sucesso, até que um dia o rei viu a ave voando. Quis saber quem conseguira tal proeza. Um modesto homem foi trazido e o rei perguntou-lhe o que tinha feito, disse-lhe  que queria aprender sua técnica mágica. Balançando a cabeça o homem disse que não fizera nada especial, apenas cortara o galho e o atirara longe.

Em nosso dia a dia ocorrem situações onde achamos que o Pai nos abandonou. Olhamos ao redor e parece que, tirando nós, todos estão bem. Vamos então buscar refúgio e alento na Bíblia e lemos que todas as coisas contribuem para o bem dos filhos de Deus (Romanos 8:28), que nunca virá sobre nós uma prova que não possamos suportar (I Coríntios 10:13) ou que devemos nos alegrar quando passarmos por provações (Tiago 4:13). Será que o Eterno gosta que Seus filhos sofram? Tem Ele prazer em nos ver sendo provados? Claro que não. Por que então permite certas coisas em nossa vida? Simples, Ele quer nos aperfeiçoar e nos preparar para coisas maiores, coisas que nem imaginamos existir. É como se nos dissesse: “Meu filho preparei algo grandioso para você, mas preciso que saia da ‘zona de conforto'”.

Não se entristeça ou se desespere se o Pai permitir que o galho onde você está confortavelmente instalado desapareça. Não se trata de um castigo, mas de uma benção, quer levá-lo a alçar voos maiores e talvez esta seja a única maneira de Ele conseguir. Apena confie nEle, pois tudo o que Ele faz é perfeito, justo e bom e a sua benignidade dura para sempre.

Gelson De Almeida Jr.Zona de conforto
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