Publicações com Crônicas

# O Governante Supremo

o-governante-supremoEleições americanas terminam e entre os principais candidatos venceu aquele que era menos considerado pela mídia mundial. O mundo ficou em estado de choque, afinal, ao que parece, por tudo o que se ouviu ao longo da campanha, o mais desequilibrado homem agora determinaria as diretrizes de um país poderoso, sobretudo pelo poder bélico.

De fato, não causa espanto perceber a reação das pessoas nos dias que se seguiram ao resultado, tanto no ambiente interno quanto no mundial, afinal, o sujeito, de fato, expressara as mais arrogantes opiniões, parecendo um lunático, haja vista os próprios integrantes de seu partido deixarem de o apoiar. Análises políticas à parte, surpreendeu-me, contudo, a opinião de cristãos que se levantaram assustados para dizer que o fim do mundo poderia estar próximo.

Pouco ou quase nada se lê no sentido de que o resultado das urnas o tenha feito repensar seu discurso e atitudes. Explico. Para quem não assistiu, há um vídeo na internet que mostra o candidato, ainda no início de sua campanha, recebendo a visita de cristãos para expressar apoio a ele, finalizando com orações que foram feitas em nome de Jesus, para que, se ele vencesse, tivesse temor a Deus em todas as suas atitudes como presidente.

Por que, afinal, não considerar que o homem tenha sentido temor a Deus diante do resultado das urnas? Digo isso, sobretudo pela repentina mudança em seu comportamento desde o momento em que soube do resultado.

Certezas à parte, todo esse contexto me fez lembrar das atitudes do rei Nabucodonosor e da postura de Daniel e dos sábios judeus que viviam na Babilônia. Especificamente quando Daniel, depois de interpretar o segundo sonho do rei, o adverte a admitir que o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer, devendo, portanto, renunciar aos seus pecados e à sua maldade, praticar a justiça e ter compaixão dos necessitados. Sabemos que ele não ouviu o conselho de Daniel, por isso, enlouquecera, restando em estado deplorável.

Por certo que aquela profecia era específica ao caso concreto, contudo, a atitude que teve o rei segue através dos tempos para servir de realinhamento à atitude dos homens, sobretudo dos arrogantes. Apenas quando Nabucodonosor, em determinado momento, percebeu retornar-lhe algum entendimento, e nesse instante não pensara duas vezes em honrar e glorificar o Altíssimo, confessando que o Seu domínio é eterno, e que os povos da terra são como nada diante dele, é que recuperou a honra, a majestade e a glória do seu reino, sendo sua grandeza ainda maior.

E assim ele terminou seus dias, confessando: “Agora eu, Nabucodonosor, louvo e exalto e glorifico o Rei dos céus, porque tudo o que ele faz é certo, e todos os seus caminhos são justos. E ele tem poder para humilhar aqueles que vivem com arrogância”.

Portanto, que nossas atitudes se respaldem nas escrituras, afinal, no dia em que estivermos diante do fim do mundo, tanto melhor, pois Jesus terá voltado, e resistindo até o fim como Daniel e os judeus que não se curvaram, vivenciaremos o governo do Eterno, a quem demos o nosso voto para que governasse o nosso destino essencial.

Sadi – O Peregrino da Palavra

Sady Folch# O Governante Supremo
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# Viver no Espírito

viver-no-espiritoO que fazer quando tudo o que você realiza não seja compreendido por quem esteja ao seu lado? Que seja bem compreendido, tudo o que viermos a fazer por alguém não deve ser realizado esperando retorno algum. Contudo, cumpre dizer, é difícil lidarmos com situações que se apresentem pelo diapasão da ingratidão ou da distorção de valores. Pior em uma relação como essa é quando a reação venha de quem se diga discípulo de Cristo. Não raro encontramos pessoas que, ainda que saibam da necessidade da transformação pelo Espírito de Deus, agem sem qualquer alinhamento à Palavra.

A transformação é uma necessidade para o revestimento da nova criatura. Só assim poderá de fato crescer espiritualmente. E esse crescimento passa pelo repensar a vida, os comportamentos, os conceitos, os pensamentos e os valores. Ninguém que passe por uma transformação pelo Espírito de Deus continuará a ser a mesma pessoa de antes, agindo em desalinho à Palavra do Eterno. Sede santos, como eu sou santo, ensinou-nos o Mestre.

Diante dessas dificuldades cumpre-nos estarmos preparados, vigiando o que pensar ou o que falar. Ou seja, também apresentarmos a real transformação em nossas vidas. Sem isso, é bastante complicado, ou mesmo impossível suportar com amor situações como essas. Só transformados podemos reagir de forma totalmente contrária como reagiria o mundo diante de ingratidões e transformação de valores. A isto se mostra o verdadeiro viver pelo Espírito.

É por essas e outras que o conselho do Mestre é tesouro para todo aquele que crê – Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. Por isso tudo, que nós possamos alcançar nossa salvação agindo em alinhamento com o Espírito de Deus. Se estamos nele, encontramos equilíbrio que o mundo desconhece. Vivemos no Espírito e pelo Espírito. Se agimos por nós, afastando-nos dele por razões que a carne nos imponha defesas, a queda, a tristeza, o desequilíbrio serão uma realidade mais difícil de se viver do que propriamente a ofensa recebida.

Que a paz e a graça do Cristo revista a todos ao longo desta nova semana.

Sadi – O Peregrino da Palavra

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# Palavras que nutrem

palavras-que-nutremSe você tivesse que comer suas palavras, elas o nutririam ou o envenenariam? Para bem responder a esta pergunta, com real justiça à verdade, permita-se estar consciente do peso de cada palavra que pronuncia. Se seu coração está alinhado ao do Cristo, haverá de se lembrar da passagem do evangelho de Mateus em que ele mesmo, o Mestre, aconselha que se bem considere toda a palavra dita, afinal, haverá um dia em que os homens darão conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Considere que pelas palavras que houver dito, será absolvido ou condenado.

Se por ventura pense como boas as suas considerações, sem avaliar de fato se suas palavras afetam vidas ao seu redor, ou a você mesmo, não tomando ao Cristo como o teu diapasão, que se considere então pelos frutos de uma árvore. Ainda assim deverá contemplar a verdade para julgar com retidão. Entende que a árvore boa não pode dar um fruto ruim, e da mesma forma uma árvore ruim dar bons frutos? A boca, segundo Jesus, fala do que está cheio o coração. Eis a realidade das palavras que nutrem ou envenenam o interior do homem e o seu redor. O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, e o homem mau, do seu mau tesouro tira coisas más.

Compreende ao menos que se tuas palavras te nutrem e não te envenenam, é porque nelas há amor? Afinal, como, sem amor, poderia amar a si mesmo? Como, sem amar a si mesmo, poderia amar ao seu próximo? O Mestre, conhecendo os pensamentos humanos, disse que todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. Quanto mais o homem, pequena porção, se lhe faltar o amor.

Antes de dizer algo, que possa te nutrir ou envenenar, lembre-se do que por fim disse o Cristo, posto que o céu e a terra passarão, mas as palavras dele permanecerão. A Palavra que ele pronunciou, esta nutre e permanecerá, porque ela é a Verdade, o Caminho e a Vida.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

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# Alô, Senhor! Eis-me aqui!

alo-senhor-eis-me-aquiHá um vídeo na internet muito interessante, que retrata um telefone público marcado na parte externa com os dizeres – Ouça a voz de Deus. Muitos passam diante de dele e quase ninguém tem a curiosidade de ao menos olhar para dentro do orelhão, a fim de observar se algo ali seja tão diferente quanto o que esteja escrito na parte em que constaria o nome da operadora. Os que o fizeram e dele se aproximaram, se depararam com uma mensagem gravada em que uma voz é reproduzida como se fosse o próprio Deus chamando ao que lhe dá ouvidos.

A mensagem inicia dizendo que o Senhor estava com saudades de conversar com aquele que se aproximou. Eis uma realidade. Se há uma coisa que Deus espera de nós é que nos aproximemos dele, com tempo e sem reservas. Ele quer restabelecer a convivência conosco, haja vista a obra que vem transpondo milênios apenas para chegar nestes últimos dias, quando seu filho voltará para conduzir a todos os que ouviram a sua voz e atenderam ao seu chamado.

Na gravação da cabine telefônica a voz reproduz a síntese do chamado de Deus, registrado em diversas passagens das escrituras. As pessoas que param para ouvir ficam ali, atentos, muitos até mesmo se emocionando, afinal, como a maioria dos seres humanos, estão carregados com os pesos desta vida. Todos são filmados pela câmera que registra as reações. Concluo que alguns se alegrem, pois têm intimidade com Deus; outros sintam que precisam restaurar o seu convívio, e também haja os que se nunca o fizeram, são tocados por verdades eternas e inquestionáveis.

Essa experiência mostra como a humanidade nega a existência de Deus, a relativiza, e mesmo alguns que dele se aproximam, deixam de se entregar por inteiro, tamanha é força que o mundo exerce sobre os homens, fazendo com que seus sofrimentos e pesos continuem constantes sobre sua alma e seus ombros.

A convivência com Deus é como a atitude dos transeuntes diante daquele telefone. Ele está ao nosso redor o tempo todo, chamando a nossa atenção para perto dele, mas poucos o ouvem ou mesmo se atentam à sua presença, tamanha é a descrença, relativização ou falta de intimidade com Deus. Há até mesmo os que acreditam precisarem de rituais e formas predeterminadas para dEle se aproximarem e dele obterem a atenção. Ledo engano.

A exemplo do que disse o profeta Isaías, seja a nossa resposta ao chamado – “Eis-me aqui” – ele que pelo diapasão divino exortou aos de seu tempo para que compreendessem a essência do chamado e dos mandamentos. Assim também Paulo, quando escreve ao gálatas dizendo que depois de ter ouvido o chamado, não mais vivia ele, mas Cristo em seu interior, justificando sua fé dessa forma e não pela lei.

Que possamos tirar o telefone do gancho, seja para atender ao chamado de Deus, seja para termos a coragem de ligar para Ele e dizer “Eis-me aqui, Senhor! Eu quero ouvir a Sua voz!”

Sadi – O Peregrino da Palavra

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# Responsabilidades e Transformações

responsabilidades-e-transformacoesTendo passado nestes tempos por uma situação em que me vi obrigado a contribuir com aconselhamentos a uma pessoa diretamente ligada a mim, percebi sua insistente reação em se manter sob o mesmo patamar, irredutível.

A sabedoria nesses casos é fundamental, pois não raro estamos diante de alguém movido por conceitos que freiam seu avanço, tais como – “Eu não sou capaz”. Contudo, se faz necessário identificar a presença de maus hábitos conscientes que se movem pelo conforto, situação onde esse alguém costuma se esconder da realidade, agindo conscientemente por pensamentos tais como – “Eu não preciso fazer nada disso” ou “Faço quando quiser”.

Por essa experiência, passei a meditar sobre a forma como algumas pessoas se comportam diante da necessidade de mudança, seja porque saiu da adolescência, seja porque se casou, seja porque assumiu compromissos profissionais, seja porque ouviu o chamado de Deus e se dispôs a andar em Seus caminhos.

Muitos entram para a fase adulta e permanecem no conforto de seus velhos hábitos, vividos a um tempo em que os pais não cobravam deles a responsabilidade de trabalhar. Não raro esses sujeitos se acostumaram a não responder com responsabilidade às advertências de seus pais durante a adolescência, se acostumando a receberem tudo de mão beijada. Por certo eles estarão sujeitos a grandes dificuldades na vida, a não ser que os pais continuem a lhes mimar a vida, tornando-se irresponsáveis em conjunto.

Outros se voltam para o casamento e querem manter os antigos costumes que pautavam a vida individual, enquanto, sabe-se bem, a vida conjugal requer constantemente abrirmos mão de nós mesmos para que o equilíbrio da vida a dois seja o bom reflexo da experiência a que se propôs viver um dia. Nesse diapasão requer-se atitudes em que se faz necessário priorizar o outro em detrimento de nossos próprios interesses, sejam eles quais forem. Se não agem nessa direção, normalmente se submetem a situações de desequilíbrio conjugal, consequentemente, infelicidades.

Da mesma forma aquele que ao iniciar sua vida profissional deixe de se submeter às adequações que se façam necessárias, porquanto cumprimento de metas, profissionalismo, ética, responsabilidade social entre muitas outras vertentes desenham a postura esperada. Neste caso, não raro suas atitudes profissionais serão o reflexo de suas próprias atitudes pessoais, em que pese ser natural e aceitável certas diferenças nestes universos distintos.

Nesse mesmo alinhamento de transformações movidas por responsabilidades conscientes, também o momento em que aceitamos o chamado de Deus, voltando-nos a Ele e caminhando a vida toda em Sua direção. Sabemos que aqui estamos sujeitos a um processo de transformação em todos os sentidos, e diga-se de passagem, muito maior, afinal, sem isso é impossível compreender uma realidade tão distinta das anteriores, sobretudo por transcender aos conceitos do mundo.

Importa dizer que no caminho de volta à Deus seja fundamental estarmos alinhados à Palavra, sobretudo ao modelo de Cristo, sabendo inclusive que, diferentemente das situações anteriores, há fraquezas em nós que só podem ser ajudadas pelo Espírito que passou habitar em nossos corações, se é que de fato o acolhemos. De toda forma, se estamos verdadeiramente em Cristo, e isso significa dizer despidos do velho homem, nenhuma condenação há, afinal, não andamos mais segundo a carne e os confortos do mundo, mas segundo o Espírito.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

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Guerra e Paz

guerra-e-pazO que poderia livrá-lo daquele desencanto geral? Seu rosto expressava tamanho abatimento, que era nítida a tradução de sentidos entorpecidos. Parecia que nada poderia movê-lo daquela apatia. Não havia brilho nos olhos, tampouco lágrimas. Seu estado nem mesmo denotava uma tristeza profunda, condizente à situação. De repente, ele passa a mão sobre o seu rosto e olha para a palma ensanguentada. Nem isso o fez mudar seu semblante. Apenas cinco anos de idade e a vida não tem sentido.

O que será ele espera da vida? Com tão pouca idade e nenhuma referência de alegria, ele talvez nem mesmo saiba o que seja sorrir. Naquele instante se potencializa nele o acúmulo de sentimentos distorcidos e confusos, resultado daquilo que entende por realidade. É onde vive e tudo o que tem. Um mundo caótico e violento. Injusto e desequilibrado. Alguns os homens de sua comunidade surgem para acudi-lo. Esse é o seu ambiente desde que Omran nasceu em 2011, ano em que começou a guerra na Síria.

O que difere a vida de muitas pessoas ao redor do mundo à de Omran é apenas a forma como a violência se instala e desenvolve, respeitadas, é claro, as devidas proporções. Quanta gente anda pelo mundo sem brilho nos olhos, com os sentimentos confusos, algumas vezes causados por seus pares, outras por desconhecer outra realidade. Mesmo aos que conhecem a riqueza das escrituras e delas puderam beber água limpa um dia.

Muitas das guerras que assolam nossas vidas estão instaladas dentro das igrejas, nos lares, nos governos, nas escolas e universidades, sustentadas por munições como desprezo, ciúme, rancores, orgulhos e vaidades. O homem tem maltratado a si mesmo quando age dessa forma em relação ao seu próximo. Os conhecedores do evangelho, sobretudo, não deveriam agir de outra forma senão unindo-se ao seu próximo, por ele se preocupando e a ele amparando. Mas essa não é a realidade, e por isso mesmo também de maneira distorcida, não raro o evangelho é desacreditado, a fé se esfria e a igreja que é o corpo de Cristo deixa de cumprir sua missão, que é a de amparar uns aos outros.

Cumpre ressaltar que a razão do evangelho é o encontro com Cristo e a volta aos caminhos do Eterno, contudo, é diante do homem que vivenciamos a sua prática, efetivando o conhecimento que dele se depreende. Pouco ou nada podemos fazer para que guerras como a que assola a Síria possam cessar, no entanto, muito podemos a partir de nossas comunidades, permitindo que transformações se deem de dentro para fora, alcançando nossos irmãos que por um motivo ou outro se encontram apáticos, confusos, e repletos de sentimentos totalmente diversos aos resultantes de uma vida entregue aos caminhos do evangelho. O que dirá então àqueles que nem mesmo conheceram esse resgate.

Amar sem julgar, de forma incondicional, é o que nos resta. E que Deus nos ajude, pois nele podemos todas as coisas, inclusive cessar as guerras internas e externas. Que a paz do Senhor esteja com todos ao longo desta nova semana, proporcionando transformações para um mundo melhor.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

 

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# Compreensão da Palavra

Compreensão da PalavraUma professora me enviou um vídeo em que estrangeiros de diversas nacionalidades tentam pronunciar palavras como “Otorrinolaringologista”, “cabeleireiro”, “exceção”, “paralelepípedo”, entre outras. São pessoas que estudam o nosso idioma por diversos motivos. Gostam de nossa música, da própria sonoridade da língua portuguesa falada no Brasil, etc. A dificuldade é notória para todos eles.

Com o tempo, apenas alguns alcançarão a boa pronúncia, mas certamente todos terão a correta compreensão do termo, necessária para o uso adequado nas frases, na comunicação, independente se com sotaque ou não.

Isso me fez pensar nas vezes em que sacerdotes se levantam para pregar a palavra de Deus, alimento fundamental aos fiéis. Por certo que a maioria dos ministradores podem fazê-lo a contento, afinal conhecem a estrutura de um sermão e sabem, portanto, como prepará-lo. No entanto, pergunto: isso bastaria? Alinham-se à vontade da manifestação da voz de Deus em determinado momento?

Aos que ouvem a palavra e dela necessitam plena compreensão, destaco a lição de Paulo quando escreveu aos fiéis em Corinto, corroborando a necessidade de que esta seja pelo Espírito: “Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração”.

Este verso me faz recordar a ocasião em que um amigo, discípulo e adorador do Eterno, instruiu-me no seguinte sentido. Afirmou ele que não raro nós não conhecemos o idioma do Pai e também a Sua verdadeira comunicação. Sem que peçamos a Ele que nos ensine as Suas vogais, as suas consoantes e a formar as Suas frases, nós somos incapazes de transmitir a Sua mensagem, quanto mais realizá-la para que haja alguma transformação em nós ou em quem ouve.

Assim, portanto, como um aluno que aprende um novo idioma e pretende por ele se fazer compreender e também aos que com ele se comunicam, ao ministrarmos a palavra de Deus, que seja o Senhor que fale por nossa voz, dando entendimento a tudo, para que sejamos manejadores corretos da palavra, afinal, se Ele não falar, nada acontecerá.

Não se pode ou se consegue transmitir qualquer mensagem que de fato edifique segundo a vontade de Deus, se não for pelo Espírito. É como aprender uma palavra nova em outro idioma, sem que se saiba seu significado. Podemos até mesmo pronunciá-la perfeitamente, contudo a aplicarmos ao contexto correto só mesmo diante de sua compreensão.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

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Julgamentos superficiais

Julgamentos superficiaisUma publicação na rede social mostra uma pessoa totalmente tatuada afirmando não entender, ainda que se vista adequadamente, por que não consegue empregos de direção apenas por ter optado em se tatuar. Compreendidas as razões de muitas empresas, mas, ao julgar alguém segundo o estereótipo, estamos diante de uma ideia classificatória preconcebida sobre ele, resultante de expectativa, hábitos de julgamento ou falsas generalizações.

Os inúmeros comentários na publicação são de opiniões no sentido de pena por aquela ser uma pessoa perdida, entre outros absurdos resultantes de julgamentos preconcebidos, realizados a partir do exterior tão somente. Engraçado é ler naquelas linhas as opiniões de cristãos de toda sorte que se esquecem de que grandes nomes bíblicos eram pessoas com pouca ou nenhuma classificação para as missões a que foram chamados por ninguém menos do que Aquele que conhece o coração das pessoas e não faz acepção das mesmas.

Eis o limite estabelecido no mundo dos homens e que não raro separa as pessoas pela cor da pele, pela música que ouvem, tatuagens que usem, religiões que professem, etc. Uma atitude proveniente de um tempo na sociedade em que os padrões externos foram estabelecidos e pouquíssimas eram as pessoas que se destoavam deles.

Se nos aprofundarmos um pouco mais nessa seara de juízos, pergunto quantas igrejas cristãs pelo mundo julgam e agridem pessoas por decisões que possam ter tomado no passado, condenando-as para sempre? Quantos de nós está disposto, por exemplo, a acolher nas igrejas, criminosos conhecidos que assassinaram seus pais na última década e se tornaram famosos na mídia policial? São comuns as situações de condenação eterna dessas pessoas por parte de nossos próprios irmãos de fé.

Incontáveis são os cristãos de diversas denominações que, por exemplo, fazem o pior juízo do povo judeu, tomando-os por sua postura política que aqui não vem ao caso, até por que não representa a opinião de todos eles. Tomam a parte pelo todo. Até hoje há quem afirme serem os judeus os algozes do Cristo. Absurdo maior, só mesmo pelo desconhecimento da fala do próprio filho de Deus.

Eu mesmo quando passei a frequentar os cultos na igreja adventista, ouvia amigos de outras denominações dizendo que eu estava entrando em uma seita. Um dia apresentei um livro a uma dessas pessoas e sem que ela soubesse que o autor é um adventista, pude ouvi-la afirmar que aquela era uma obra maravilhosa. Imagine sua surpresa quando eu lhe disse do autor e que aquela era também a linha de pensamento da igreja adventista.

Por que não ouvimos mais as pessoas, buscando conhecê-las melhor e às suas razões, acolhendo-as? Permaneça o amor fraternal, escreveu Paulo aos hebreus. Por ele, alguns, sem que soubessem, acolheram anjos.

Sadi – O Peregrino da Palavra

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Qual a sua razão?

Qual a sua razãoNestes dias de competições olímpicas o mundo tem presenciado atitudes lamentavelmente destituídas de espírito olímpico. Trata-se de atletas que são orientados por seus países em boicotar ou nem mesmo cumprimentar os atletas israelenses. Primeiro se tratou dos competidores libaneses em não permitirem que israelenses viessem no mesmo ônibus que eles. Depois o judoca egípcio deu as costas ao seu adversário israelense, não o reverenciando nem mesmo no momento em que manda o judô, quando se inclinam um frente ao outro.

Não sendo uma novidade, houve outras ocasiões competitivas mundiais em que a tônica foi a mesma. A verdade é que há razões que movem atitudes como essas que desconhecemos, por ficarem ocultas ao mundo. E por isso mesmo o amor diminui cada vez mais, pois há mesmo entre os cristãos quem defenda tais atitudes, simplesmente por levar a questão política naquelas terras como algo injusto. Não os levarei aqui a uma reflexão política, pois que seja o amor a nossa prioridade.

Judeus não falavam com samaritanos, e quando Jesus fala com a mulher em Samaria, todos se escandalizam. Judeus execravam os coletores de impostos que, mesmo sendo judeus, estariam a serviço de Roma. Cristo não apenas senta-se à mesa com eles para cear, como convoca um deles para ser seu discípulo. Ou, porque aos meninos não era permitido estar entre os adultos, os discípulos os repreendem, mesmo quando trazidos para que o Cristo orasse por eles.

Qual a intenção de atitudes como essas, senão unir aos que estão separados, e de uma forma mais equilibrada, conseguirem conversar. Corações endurecidos é a matéria do que é feito toda a gente que torce pela desunião. Razões? Eles sempre as terão, contudo, aquela que importa, qual seja a que o Cristo teria, a essa nem mesmo se lembram, ainda que cristãos.

Orgulho e vaidade, a razão de todos os males. Certas estiveram as meninas das Coreias do Sul e do Norte, quase crianças, posto que ginastas, que ao final de uma competição fizeram uma selfie juntas. Como disse em seu Twitter, uma das empresas que realiza o evento – “Eis porque fazemos as Olimpíadas”. Precisamos da essência de atitudes como essa, pois, se de fato convertidos, o mundo e suas razões já não existem dentro de nós.

Sadi – O Peregrino da Palavra

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# Pódios

PódiosO apóstolo Paulo escreveu aos cristãos na cidade de Corínto, na Grécia, e em determinado momento usou de um costume do país para fazer uma analogia, a fim de lhes ensinar sobre a seriedade dos ensinamentos de Cristo. Para explicar o que significava a busca focada no prêmio da salvação eterna, comparou tal dedicação aos esforços empreendidos pelos atletas dos antigos jogos olímpicos, quando estes buscavam tão somente uma coroa perecível mediante rigoroso treinamento.

Segundo Paulo, o cristão precisa escravizar o corpo e seus desejos nocivos incentivados pelo mundo, a fim de que isto também lhe sirva como resultado de aprovação diante de Deus. Os jogos olímpicos da era moderna começaram. Atletas de diversas modalidades, preparados à exaustão, competem pela vitória, sobretudo focados em superar seus limites pessoais.

Foram aqueles competidores, tanto quanto os atuais, por mais subjugo de seus corpos à exaustação dos treinos, os melhores exemplos de vencedores? Certamente que não. Sejamos diretos. Cristo foi e é esse exemplo único a ser tomado por parâmetro. Ele que venceu o mundo, superando tentações, sustentado pela obediência e dependência de Deus, se tornou referência de beleza, força e poder. Tudo porque o próprio Pai o instruía enquanto esteve na terra. E por ter obedecido ao seu Treinador, recebeu a medalha incorruptível. Assim qualificou-se no tempo da eternidade.

Ele nos convida à linha de chegada, à mesma medalha incorruptível. Tal vitória não apresenta distância ou tempo conhecidos. Apenas menciona que se dará com a sua volta, ocasião em que será avaliada a vitória de cada um de nós. A salvação será o lugar mais alto do pódio. O treinador essencial para esta vitória continua sendo o Eterno. Portanto, se há algo a ser tomado de empréstimo dos bons exemplos dos competidores olímpicos, que seja pela adaptação à competição mais séria de nossas vidas, ela que se volta a nós mesmos diante da transformação pessoal que se faz necessária para alcançarmos o pódio eterno.

Sadi – O Peregrino da Palavra

 

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