Publicações com Fé

Definições

Qual seria a definição mais completa de fé? Bem, considerando que somos “justificados, pois, mediante a fé” (Romanos 5:1), está aí uma pergunta importante. O que, exatamente, é aquilo que pode nos justificar, nos fazer “ficar justos” perante Deus? Esta semana tropecei em uma passagem que me fez questionar aquela clássica definição encontrada em Hebreus 11:1 (“fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”) como sendo a “definição definitiva” de fé.

A passagem a que estou me referindo está em Lucas 17:11-19. Narra a cura miraculosa por parte de Jesus de 10 leprosos. Apenas um deles voltou para agradecer Jesus. Note o que Jesus lhe diz: “Não foram limpos os dez? E os nove, onde estão? Não se achou quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? Levanta-te e vai; a tua fé te salvou” (vs. 18 e 19).

Veja, se fé é algo associado exclusivamente a coisas que estão no futuro, se ela se limita à convicção de algo que se espera que vá acontecer, como entender que Jesus tenha elogiado a fé de um homem que simplesmente voltou para agradecer e dar glória a Deus? Ele já tinha o milagre concretizado, não esperava nada mais, não precisava exercitar aquela habilidade de simplesmente crer, somente queria agradecer, e a isso Jesus chamou fé; fé capaz de salvar e não apenas curar.

Matutando nisso cheguei a uma conclusão e espero em Deus que ela esteja certa para que eu possa dividi-la com você: os grandes elementos de nossa relação com Deus não conseguem ser encapsulados plenamente nas palavras de nosso vocabulário humano. Um outro exemplo disso é dizer que a definição de pecado é “transgressão da lei” segundo I João 3:4, quando passagens como Mateus 5:21 a 32 e Romanos 14:23 mostram claramente que essa não é a verdade completa. Assim como pecado é mais que simplesmente a transgressão física de um mandamento, fé é mais do que simplesmente crer que existe algo que não se pode provar empiricamente. Ambos os conceitos estão aproximados, na verdade, embora como antíteses: pecado tem a ver com separação de Deus, quebra de um relacionamento com Ele, e fé tem a ver com o seu oposto, uma relação de confiança e de interatividade. Fé envolve a esperança no futuro, mas também gratidão pulsante pelo que se obtém de bom no presente através dessa relação.

Os grandes elementos de nossa relação com Deus, portanto, são setas que apontam para o fato de que isso – nossa relação com Deus – é o que há de mais importante. Nosso Deus é um Deus de relacionamentos, que ama ouvir o que temos a dizer, ama ver depositado a Seus pés nossas alegrias grandes e pequenas, nossas tristezas, nossas angústias, nossas dúvidas, nossas convicções – tantas vezes erradas – nossas perplexidades e nossas afeições. Não se trata, portanto, de fazer coisas para atrair Seu favor, mas de se relacionar com Ele plenamente.

Relacionar-se com o Deus que não podemos ver, exercitando esperança, confiança e gratidão é, portanto, fé. É o que nos faz ficar justos. É no que deveríamos investir.

Marco Aurélio BrasilDefinições
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Fé x Ciência

Um dia você abre o jornal na folha de ciência e fica impressionado com descobertas espetaculares. Ou sai daquela aula de química com a cabeça fervendo. Ou se maravilha com o programa sobre microbiologia do Discovery Channel. Depois você abre a sua Bíblia e lê o relato da Criação, vê como Deus criou tudo do nada em seis dias, a forma como Ele criou Adão e Eva. E você fica tentado a seguir o curso materialista de nosso século e apagar Deus do mapa de suas crenças.

Você quer manter sua fé, mas culpa a Deus por não ter feito a Bíblia tão carregada de informações científicas como as matérias da revista Science e por ter escolhido colocar ali uma historinha mais parecida com lendas. Forma-se na sua cabeça um falso conflito entre Ciência e Fé, como se fossem antagônicas só porque os grandes expoentes daquela negam esta.

Bem, vale lembrar que a Bíblia foi escrita para conduzir você à salvação. E, para ser salvo, para viver eternamente e poder aprofundar-se o quanto quiser na ciência, você não precisa ser um
cientista. Você só precisa crer. Se a Bíblia fosse um compêndio de ciência, para ingresso na eternidade seria feita uma prova de múltipla escolha, mas em lugar disso é feito uma única pergunta, com duas opções de resposta apenas: você aceita Jesus como seu Salvador pessoal? Sim ou não?

A Bíblia foi inspirada por Deus para que ela testifique da existência dEle e de Sua descomunal obra para nos tirar da enrascada em que nos enfiamos. Foi inspirada para que, pela influência dela, respondamos sim à pergunta que eu escrevi acima. E, para crer e dizer sim, precisamos, muito mais do que conhecer os detalhes do átomo, saber que o átomo foi criado do nada por um Ser
transcendente. Que para Sua criação Ele não utilizou nenhum material eterno como Ele. Que Sua criação foi pensada para nos levar a adorá-lO. Que Ele merece essa adoração.

Ele não deu ali informações a que poderíamos chegar pelo nosso próprio esforço intelectual. Deu apenas verdades inspiradas, vindas de uma realidade na qual não podemos penetrar por sermos
infinitamente menores do que ela. Deu verdades para podermos posicionar os pés bem acima das incertezas com ares definitivos da ciência desse século.

Marco Aurélio BrasilFé x Ciência
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O Estranho “Sim” de Deus – Parte II

Deixem com Ele todas as vossas preocupações e ansiedades, pois ele está sempre cuidando de vocês” (I Pedro 5:7 – BV).


Quero recordar uma história conhecida de muitos, a do homem, cujo navio naufragara e estava sozinho numa ilha deserta. Para aguardar o resgate construiu uma cabana, onde se sentia abrigado e seguro. Diariamente clamava ao Pai pedindo pelo resgate. Certa manhã saiu pela ilha em busca de alimento, quando voltava, de longe viu uma fumaça, em desespero correu, pois vinha da direção de sua cabana, mas, quando chegou, não pode salvar absolutamente nada, o fogo consumira tudo. Sentiu-se o pior dos humanos, ficou chateado com o Eterno, nem sua cabana protegera!

No dia seguinte, ainda afundado em seus pensamentos, ouviu vozes vindas da praia, olhou e viu uma pequena embarcação que se aproximava, dentro dela um grupo de marinheiros viera até a ilha ver se precisava de ajuda. Surpreso com tudo aquilo perguntou como souberam que ele estava ali, eles disseram que o capitão do seu navio vira o sinal de fumaça e os enviara para ajudá-lo.

Além de nem sempre responder nossa oração do modo como desejamos, em algumas ocasiões o Eterno permite que o objeto de nosso maior amor, ou nossa maior devoção, seja tirado, afim de que Ele possa agir de modo mais completo por nós e em nós.

Muitas vezes somos míopes, até mesmo completamente cegos, quando se trata de enxergar o futuro, mas isso não deve nos deixar desanimados, pelo contrário, devemos confiar nEle, pois sabe o que é melhor para nós e, se não o atrapalharmos, Ele fará muito mais, e melhor, do que possamos imaginar.

Talvez, há muito, você peça algo ao Pai, não perca a fé, pode ser que exatamente agora Ele esteja se movimentando para atender sua súplica. Não desanime nunca, apenas confie e se entregue em Suas mãos, no devido tempo receberá muito mais do que pediu ou imaginou.

Gelson De Almeida Jr.O Estranho “Sim” de Deus – Parte II
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Remando contra a maré

Certa vez fui assistir a uma partida da seleção de futebol no estádio do Morumbi. Todos ganharam umas bandeiras brasileiras de plástico na entrada e o espetáculo daquelas milhares de bandeirolas se agitando estava muito bonito. Bem diferente do que acontecia em campo. O time estava jogando mal, embora o adversário fosse muito fraco. De repente, os torcedores, em protesto, começaram a atirar as bandeirolas abaixo. Uma cascata de bandeiras verde-amarelas tomou conta do enorme estádio. Eu achei aquilo divertido, também estava indignado e, sem pensar muito, atirei minha bandeirinha para fazer parte do protesto da multidão.

Mais tarde, lembrando do episódio, refleti que em condições normais eu talvez jamais atirasse uma bandeira do meu país ao chão. Tenho meus pudores patrióticos e não creio que seja uma atitude correta. Se o fiz, foi movido pela massa, condicionado pela coletividade. É muito difícil agir diferentemente do que parece a unanimidade, por isso admiro pessoas que remam conscientemente contra a maré.

Um exemplo desses iluminados homens de personalidade é Calebe. No episódio dos espias de Canaã, quando juntamente com outros onze ele foi à frente do povo para dar uma olhada na terra que deveriam conquistar (Números 13), enquanto a maioria esmagadora de seus companheiros de expedição vinha com um discurso afinado e cheio de medo, dizendo ao povo que seria impossível conquistar aquela terra, Calebe fez com que todos se calassem e disse exatamente o contrário. Tinha em mente uma promessa feita por Deus, capaz de transformar qualquer gigante em algo incapaz de meter medo.

A mesma capacidade de se diferenciar Calebe demonstrou quarenta e cinco anos mais tarde. Aproximou-se de Josué, o líder da invasão israelita em Canaã, e o lembrou que naquele primeiro episódio Deus havia orientado a Moisés de que justamente a montanha cheia de gigantes deveria pertencer a Calebe, que havia se posicionado valentemente ao lado da promessa. Suas palavras chegam a ser engraçadas: “Por isso aqui estou hoje, com oitenta e cinco anos de idade! Ainda estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; tenho agora tanto vigor para ir à guerra como tinha naquela época. Dê-me pois a região montanhosa que naquela ocasião o Senhor me prometeu. Na época, você ficou sabendo que os enaquins lá viviam com suas cidades grandes e fortificadas; mas, se o Senhor estiver comigo, eu os expulsarei de lá, como ele prometeu” (Josué 14:10-12).

E o vovozinho expulsou mesmo. Botou os tais gigantes para correr. Aonde todos travariam de medo ele fez maravilhas. Seu segredo? Calebe foi capaz de não esquecer da promessa de Deus durante quarenta e cinco anos. Todos os dias, lembrava-se daquela promessa e tirava dela a energia para esperar remando firme contra a maré.

Para remar contra a maré e ser capaz de maravilhas quando todos correm, não podemos esquecer da promessa. Ela é fiel. Pode demorar anos, mas quem a fez não se atrasa.

Marco Aurélio BrasilRemando contra a maré
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Pela fé…

Discorrendo sobre a fé (Hebreus 11), Paulo cita dezenas de “heróis da fé” e o termo “pela fé” aparece cerca de 20 vezes. Os “heróis da fé” são assim chamados, pois, em algum momento de sua vida, avançaram rumo ao desconhecido confiando apenas na palavra do Eterno.

Fé não é agir tendo por base experiências vividas, por você ou outrem, fé é marchar rumo ao desconhecido confiando apenas na palavra do Eterno. É confiar e se entregar à Sua vontade de modo completo, não pela metade.

A mulher de Ló é um exemplo de alguém que seguiu as ordens do Pai “pela metade”. Obedeceu ao sair de Sodoma e Gomorra, mas desobedeceu ao olhar para trás, resultado, virou uma estátua de sal. Quando pequeno achava que Deus havia sido rigoroso com ela, morrera apenas por olhar para trás! Seu pecado não foi “olhar para trás”, foi olhar para trás com saudades da vida naqueles centros de impiedade e pecaminosidade. Não foi um olhar de curiosidade, foi um olhar de desobediência a uma ordem clara do Eterno, foi um olhar de tristeza por haver saído de lá, um olhar de vontade de estar lá e não onde Deus a colocara naquele instante.

Ela olhou para trás porque faltou fé no Eterno, não confiou que Ele faria o melhor para ela e sua família nuclear. Essa falta de confiança levou Adão a comer do fruto proibido, tinha medo de perder Eva. As Escrituras estão repletas de exemplos de pessoas que duvidaram do Eterno.

Paulo, porém, afirma que tudo o que ali está relatado é para aviso nosso (I Coríntios 10:11). Não devemos nos deter no passado, ele deve apenas servir de lição. Ao final de sua vida Paulo disse que completara a carreira e guardara a fé (II Timóteo 4:7), antes disso, escrevendo ao filipense disse qual era o segredo de sua vitória, deixava o passado para trás e prosseguia em frente, para o alvo (3:13 e14).

Você pode até olhar, de modo bem rápido, para o passado, mas o segredo da vitória é, pela fé, seguir sempre em frente, confiando nas promessas do Pai.

Gelson De Almeida Jr.Pela fé…
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Confesso que não sei

Durante muito tempo tive de vergonha de admitir que existem coisas que não sei, no que diz respeito à fé. Afinal de contas, “não sei” é uma resposta muito pouco frequente nos lábios dos cristãos. Parece haver resposta para tudo. Não me lembro de um pastor, por exemplo, capaz de dizer “não sei” a uma pergunta.

Admitir que tenho dúvidas, portanto, seria um auto-atestado de falta de fé ou de fraqueza espiritual. Eu não canto que “a fé expulsa as trevas d’alma”? Em um mundo racional como aquele no qual vivo, reconhecer que existem zonas cinzentas no campo de minhas convicções pode indicar que o edifício das minhas convicções mais importantes está firmado sobre a areia movediça e pode desabar ante um simples piparote.

Foi só mais recentemente que passei a conviver melhor com o fato de que tenho dúvidas sim e vou continuar a ter por um tempo indeterminado cujo fim só Deus sabe. De uma forma curiosa, foi ao
aceitar algumas dúvidas e seguir andando que isso aconteceu, porque dentre estas dúvidas que ficaram hibernando aqui dentro, muitas se dissiparam com o tempo ou alcançaram respostas que quando foram formuladas eu possivelmente não estaria maduro para apreender.

Concluí que fé não é antítese de dúvida. O conceito clássico de fé, cunhado em Hebreus 11:1, diz que ela é “o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se vêem”. Pois bem, se
tomarmos como conceito de dúvida a falta de comprovação científica quanto a algo, ou a falta de evidências cientificamente indiscutíveis, então teremos que concluir que fé pressupõe dúvida. A fé acontece quando não vemos, quando ainda estamos esperando acontecer. Para haver fé, portanto, é preciso haver dúvida ou algum elemento de incerteza, caso contrário não será fé.

Entender isso me ajudou a parar de me debater pedindo sinais inequívocos a Deus. Percebi pelos exemplos bíblicos que eles não ajudam a fomentar fé, mas muitas vezes são respostas a ela. Parei
também de julgar minha fé como indigna de muito crédito pelo fato de que há coisas que ainda não entendo, há coisas que são mistérios.

Acho que é por essa relação estreita entre fé e ausência de elementos inequívocos e palpáveis que o nosso mundo hoje se relaciona tão mal com a fé: ele tem certezas demais.

Ao longo da Bíblia toda vejo uma mesma dinâmica sendo repetida à exaustão: Deus pedindo não que eu tenha respostas, mas que tenha fé. É por isso que minha experiência pessoal passada, as evidências subjetivas que recebi além de todo o aspecto objetivo relacionado com a harmonia da Bíblia e o cumprimento exato de suas porções proféticas, tudo isso são indicativos suficientes de que estou firmado no solo que Deus preparou, na estrada que conduz a vida eterna. Fé não é o contrário de dúvida, mas de desconfiança. Tenho fé porque confio e oro para que Deus me ajude a permanecer confiando.

Marco Aurélio BrasilConfesso que não sei
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Fé Vacilante

Homem de pequena fé, porque duvidou? ” Mateus 14:31 (NVI)


Era madrugada e o dia fora intenso. Os discípulos, navegando no Mar da Galileia, percebem um vulto que se movia sobre as águas. Pedro indaga quem é e tranquiliza-se ao ouvir a voz do Mestre, mas, duvidando, pede para andar sobre as águas. Ouve o convite e desce do barco, mas, ao sentir o vento forte, teme, começa a afundar e clama ao Mestre por socorro. Nesse instante ouve as palavras do texto acima.

O homem que testemunhara a cura de sua sogra, a transformação de água em vinho, a cura de leprosos, de endemoniados, de um paralítico, a tempestade no mar que se acalmara, a ressurreição de uma menina e que, horas antes, participara da multiplicação dos pães, agora, frente a frente com o Mestre, teme o vento. Teve coragem para descer do barco, sentiu o mar se tornar sólido sob seus pés, mas temeu o vento!

Convivendo com o Doador da vida temeu afundar no mar. De nada adiantara o tempo passado com o Mestre, ainda possuía uma fé vacilante. Em realidade sua fé nada mais era que uma demonstração clara da confiança que tinha no Mestre. Confiava tanto que desceu do barco. Todavia, entre confiar no Mestre e temer o vento, escolheu temer o vento.

Achava-se forte espiritualmente, mas era fraco, medroso e temeroso. Na verdade Pedro nunca experimentara de verdade o poder transformador do Mestre em sua vida. Conhecia de ouvir e testemunhar, não de experimentar.

Situação parecida é a de muitos hoje em dia. Dizem confiar no Eterno, mas na primeira prova mais aguda sua fé desfalece. Como Pedro, passam tempo com Cristo, mas a fé continua vacilante. Não entendem que para alcançar uma fé inabalável é necessário mais que ficar ao Lado dEle, é necessário viver com Ele e torná-Lo o Senhor das ações. J. Stott, em O Discípulo Radical, afirma que o tamanho da nossa fé está diretamente relacionado ao “tamanho” do nosso Cristo. Nossas ações no dia a dia e nosso comprometimento com o Seu trabalho mostrarão o tipo de Cristo em quem confiamos.

Sua fé não é adequada? Busque conhecer o Eterno de forma empírica e profunda, viva de forma plena e abarcante a fé que professa ter. Não permita que a dúvida e o medo o assaltem. Cristo é maior que tudo e todos e estará ao seu lado até o fim (Mateus 28:20).

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Não basta dizer, tem que ser

Certa feita Gustave Doré (1832-1883), pintor francês, desenhista e profícuo ilustrador de livros do século XIX, perdeu seu passaporte e precisava atravessar a fronteira. Identificou-se ao guarda e explicou sua situação. Por mais que dissesse quem era e pedisse para atravessar a fronteira, o homem negava sua passagem. Num dado momento o homem pediu-lhe que provasse ser realmente Doré. Ele pediu um papel e um lápis e fez um desenho do local e seus arredores. Boquiaberto o guarda disse-lhe que passasse. Só Doré conseguiria fazer aquilo.

Vez por outra somos colocados em situações onde nossa identidade como cristãos é questionada. Muitas vezes, por mais que digamos quem somos, ficamos descreditados. Mas existe um modo seguro e eficaz de comprovar quem realmente somos: a prova prática da fé que abraçamos. Não basta dizer que somos cristãos, precisamos mostrar que realmente o somos. Falando a um grupo de fariseus, Cristo disse que muitos o honravam com os lábios, mas o seu coração estava longe dEle (Mateus 15:8).

Abraham Lincoln disse que podemos enganar uma pessoa durante muito tempo, algumas por algum tempo, mas não podemos enganar todas o tempo todo. Acrescento ainda que não podemos enganar o Eterno nunca. São de Cristo as palavras: “Nem todo aquele que se refere a mim como Senhor entrará no Reino dos Céus. A questão decisiva é se a pessoa faz a vontade do meu Pai que está nos céus” (Mateus 7:21 – BV).

O que nos salva é a fé em Cristo Jesus o nosso Senhor e Salvador. Mas se esta fé for morta, isto é, sem obras que a comprovem e sem a transformação do caráter e do ser como um todo, nunca poderemos nos declarar cristãos, muito menos esperar entrar de posse da eternidade. Afinal, não basta dizer. Temos que ser cristãos.

Gelson De Almeida Jr.Não basta dizer, tem que ser
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Gente como a gente

A história da ditadura brasileira, quando escrita pelos ditadores, nunca traz o termo ditadura. Fala em “revolução”, termo muito mais simpático, que evoca Robespierre, Danton e Marat. A história soviética, contada pelos soviéticos, pinta Lênin e Stalin como santos e heróis. Os filmes de guerra americanos mostram, em geral, os americanos como agentes da liberdade e dos valores mais nobres da civilização, os mocinhos da história. E por aí você entende meu estranhamento ao ler o relato dos discípulos de Jesus pintados por eles mesmos.

Tomé, segundo Caravaggio

O Novo Testamento é incrivelmente honesto quanto à grandeza (ou falta de) de seus protagonistas, o que é incrível se considerarmos que foram eles mesmos quem o escreveram. São pessoas tridimensionais, com falhas e lacunas gritantes. O único discípulo ao qual é atribuído algo que se possa chamar de uma virtude é Natanael, de quem Jesus diz que era um “israelita em quem não há dolo” (João 1:47). Não ter dolo é uma coisa boa, mas imagine os professores de Educação Moral e Cívica dos anos 70 sendo orientados a contar aos alunos que “Costa e Silva era uma pessoa sem dolo” e só isso. Nenhum elogio adicional, nada.

Os evangelhos, portanto, são uma aula magnífica sobre como tratar com pessoas sem grandes virtudes. Jesus demonstra o tipo de relacionamento capaz de transformar discípulos erráticos em apóstolos intrépidos. Temos uma aula sobre como tratar com os arrogantes (Pedro), como tratar com os pecadores contumazes (Mateus), como tratar com os estourados (João e Tiago), como tratar com os fanáticos políticos (Simão, o zelote). Mas meu preferido nessa lista é Jesus ensinando como tratar com pessoas como eu. E sim, estou falando de Tomé.
Tomé passa praticamente em branco durante todos os evangelhos. Em três anos e meio de caminhadas com Jesus, Tomé não fez absolutamente nada de muito relevante para merecer ser registrado em algum dos quatro evangelhos. Mas quando Tomé chegou no cenáculo naquele domingo de ressurreição e viu a excitação frenética de seus companheiros, o que ele demonstrou não foi uma descrença covarde, mas a coragem de confessar sua descrença. Ele se recusou a entrar no clima de festa enquanto seu coração não admitia a possibilidade de festa. Foi essa descrença que possibilitou sair de seus lábios, mais tarde, uma das frases mais fantásticas registradas por um ser humano nos evangelhos: “Senhor meu, e Deus meu!” Jesus me ensinou como tratar com a descrença honesta. Ele Se aproximou com amor e se ofereceu para ser tocado por Tomé, quando outro líder qualquer teria censurado sua falta daquilo que Jesus mais precisava que eles tivessem: fé.
Estranho, portanto, que nós, em teoria seguidores de Jesus Cristo, tenhamos uma reação tão diferente à descrença. Nós desestimulamos a confissão da falta de fé, mesmo vendo no episódio de Tomé que essa honestidade intelectual é muitas vezes o trampolim para o louvor mais genuíno. Jesus Cristo mostrou como transformar a dúvida em culto. É convivendo junto com essas pessoas e deixando que elas vejam e toquem as evidências de nossa própria ressurreição.
Acho que se eu confessar minha absoluta falta de grandes virtudes inatas, poderei ser conduzido a prestar culto genuíno. E poderei agir com os outros como Jesus agiu.
Marco Aurélio BrasilGente como a gente
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Pela Fé

Hebreus 11, conhecido como a “galeria dos heróis da fé”, apresenta dezenas de vezes o termo “pela fé”, sendo quatro vezes ligado a Abraão, o “pai da fé”. O texto inicia falando que pela fé Abraão ouviu a voz do Eterno ordenando-lhe sair de sua terra, largar toda a sua comodidade e se dirigir para um local desconhecido para ele, local que apenas o Eterno sabia onde era.

Abraão, que já era rico, ficou mais rico ainda, poderoso e viu o sonho de ter um filho realizado. Olhando a parte final de sua história é fácil dizer que vale a pena seguir as ordens do Pai, mas você teria coragem de largar tudo o que tem afim de seguir uma ordem divina?

Abraão não tinha a menor ideia para onde estava indo ou o que lhe aconteceria pelo caminho. Mesmo assim foi. Tendo o Eterno como Companheiro de viagem nada mais o preocuparia. Diariamente somos colocados em situações que mostram claramente que temos dois caminhos a seguir: o da obediência e o da desobediência ao Eterno e Seus preceitos. Estamos dispostos, como Abraão, a não tergiversar e apenas seguir a ordem do Pai?

Destino, itinerário e situações pelo caminho, tudo era desconhecido para Abraão. Mesmo assim, pela fé, ele foi. Confiava nAquele que o chamara. Em muitas situações do dia a dia teremos que agir pela fé, esquecer os caminhos e destinos conhecidos e partir rumo ao desconhecido. Fiel é Aquele que nos chama e todos os Seus melhores propósitos se cumprirão em nossa vida se o permitirmos. Pela fé! Eis o segredo da vida vitoriosa rumo à eternidade.

Gelson De Almeida Jr.Pela Fé
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